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Economia

Arroz mais barato só em janeiro, diz ministra

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que os preços do arroz só deverão se equilibrar a partir de meados de janeiro, com a safra da ...

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina

Última atualização

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que os preços do arroz só deverão se equilibrar a partir de meados de janeiro, com a safra da cultura em Santa Catarina.

O arroz acumula uma alta de 19,25% no preço este ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo disse a ministra em entrevista à rádio Jovem Pan, “o governo não fará intervenção”.

“A intervenção que poderia ser feita é uma intervenção de comércio: abrimos 400 mil toneladas de importação com tarifa zero e isso traz tranquilidade de que não haverá falta de produto”, disse.

De acordo com Tereza Cristina, entre os motivos que levaram ao aumento do preço do produto está a concessão do auxílio emergencial e a mudança dos hábitos dos brasileiros, que passaram a se alimentar mais em casa por causa da pandemia do novo coronavírus.

Arroz: preço deve subir mais (Foto: Divulgação)Tereza Cristina disse que estão querendo transformar a alta no preço do arroz, que ela chamou de “problema pontual”, em uma “guerra política”.

“O que temos que deixar claro aos consumidores é que já vinha subindo o preço há anos, consumidor tem todo direito de reclamar, especialmente o mais pobre, arroz e feijão são a marca da nossa nutrição, mas temos um problema pontual que vai se ajustar, não precisamos de gente tocando fogo para ganhar politicamente”, disse.

“Se continuasse como estava, teria escassez pro próximo ano, 2021 a expectativa é que teremos uma safra maior e com mais arroz para brasileiros e para exportações”, completou.

Estudo

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o preço do arroz variou mais de 107% nos últimos 12 meses, com o valor da saca de 50 kg próximo de R$ 100.

De acordo com o estudo, os motivos para a alta são uma combinação da valorização do dólar frente ao real, o aumento da exportação e a queda na safra.

Em alguns supermercados, o produto, que custava cerca de R$ 15, no pacote de 5 kg, está sendo vendido por até R$ 40.

Inflação dos mais pobres dispara

 (Foto: Divulgação)

A inflação dos alimentos e a deflação dos serviços, em meio à recessão provocada pela pandemia, levaram o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de agosto a mostrar uma pressão inflacionária maior para famílias mais pobres.

Em agosto, enquanto a taxa de inflação das famílias mais pobres teve alta de 0,38%, a faixa de renda mais alta registrou uma deflação de 0,1%. No ano, a inflação para as famílias muito pobres acumula alta de 1,5%. Para os mais ricos, há retração de 0,07% no índice.

As diferenças nas composições das cestas de consumo explica a diferença. Os muito pobres gastam, relativamente, mais com alimentos e menos com serviços. Já os mais ricos gastam mais, também relativamente, com serviços.

Segundo o Ipea, enquadra-se na faixa mais pobre as famílias que têm renda domiciliar abaixo de R$ 1.650,50 mensais. A faixa mais rica tem renda domiciliar acima de R$ 16.5009,66 mensais por família.

Os descontos nas mensalidades escolares afeta mais os orçamentos dos mais ricos. “A retração das mensalidades de creches (-7,7%) e de escolas de ensino fundamental (- 4,1%) e médio (- 2,9%) gerou um alívio no orçamento da população de renda mais alta que, majoritariamente, utiliza a rede privada de educação”, diz o relatório do Ipea.

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