O atendimento ao consumidor em Vitória tem de melhorar e quem faz essa afirmação são os clientes. Uma pesquisa realizada em janeiro mostrou que o atendimento é considerado regular, ruim ou péssimo por 64,5% dos moradores da capital.
A pesquisa consultou 200 moradores de vários bairros da cidade e questionou sobre a recepção em pontos de venda comerciais, como lojas, farmácias, supermercados, restaurantes e também profissionais liberais como, médicos, dentistas e advogados.
Os resultados apontam que o consumidor não está exatamente satisfeito com a forma como é tratado nestes pontos de venda ou de prestação de serviços. Entre os entrevistados, 29,5% consideraram o atendimento bom, e 6%, ótimo.
A coordenadora da pesquisa, realizada pelo Inspire Empresarial, Lorena Bastos, afirma que a maior parte dos entrevistados ressaltou que sente falta de atenção e simpatia na hora da venda.
Segundo Lorena, as pessoas estão dispostas a pagar mais por um produto, se receberem um bom atendimento. “Na compra, 74% das pessoas afirmam que pagariam um preço maior pelo produto, para receber um atendimento de qualidade”.
A pesquisadora explicou que as queixas dos consumidores são relativas a situações comuns do dia a dia. “Você entra em uma loja e ninguém te atende ou não te deixam à vontade, em um supermercado não tem ninguém para te explicar onde as coisas estão”.
Para a advogada e membro da Associação de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Adeces)
Karla Pinto, os comerciantes têm despertado a atenção para esse problema e estão buscando qualificar os seus profissionais.
“Vejo com otimismo que nos últimos anos instituições vêm oferecendo cursos para o preparo da mão de obra”, afirmou Karla.
Sobre o atendimento de profissionais liberais, Karla indicou um problema na formação universitária: “Isso não é ensinado nos cursos superiores. Não temos aula de técnicas de venda, mas somos vendedores do nosso trabalho”, destacou a advogada.
Preocupação pós-venda é bom exemplo
“Um bom atendimento passa desde o momento de assessorar a compra até o relacionamento no pós-venda”. A afirmação é da empresária Raquel da Cunha Melo, 53 anos, dona das lojas Bargain, que vendem sapatos e bolsas.
A empresária conta que a loja tem 30 anos de mercado e muitos clientes fidelizados. Para ela, o principal é a formação do funcionário. “É o treinamento que fazemos sistematicamente, tanto treinamento de vendas, quanto de produto”.
A cliente Renata Peruch, 33 anos, frequenta a loja e aprova. “Aqui o atendimento é personalizado. Me conhecem pelo nome, sabem o que eu gosto, do que preciso. Tenho uma filha de 13 anos que também já virou cliente”, afirmou.
A PESQUISA
Item mais importante para 48,5%
Qualidade do atendimento ao consumidor
51% consideram regular.
29,5% consideram bom.
9% consideram ruim.
6% consideram ótimo.
4,50% consideram péssimo.
74% afirmam que pagariam mais caro por um atendimento melhor.
48,5% das pessoas consideram o atendimento o item mais importante em uma loja, seguido de limpeza e organização.
91% das pessoas já desistiram de uma compra devido ao atendimento.
95,5% acreditam que o bom atendimento influencia em uma nova compra.
Temos de melhorar, diz Fecomércio
Temos consciência desse déficit no atendimento, ele é preocupante. Temos um dever de casa grande para melhorar”, é o que afirma o diretor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, sobre o resultado da pesquisa.
Para ele, o atendimento no comércio do Estado é bom, porém, o apoio técnico é falho.
Segundo Bergamin, falta capacitação das informações que são necessárias para o consumidor. “Em um restaurante, você pergunta algo do cardápio, o garçom desconhece. Em uma loja, a atendente não sabe falar sobre as tendências da moda”, explicou o diretor.
Bares e restaurantes estavam entre os locais avaliados. Procurado pela reportagem de A Tribuna, o presidente do Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares do Espírito Santo (Sindbares), Rodrigo Miguel Vervloet, disse que o resultado indica que os clientes estão satisfeitos, considerando a nota “regular” como positiva.
Dessa forma, para ele, os números não apontam uma reprovação “tendo em vista que 86,5% dos entrevistados o classificam como regular, bom e ótimo”. Ele reconheceu que o atendimento pode melhorar e disse que o setor enfrenta dificuldades por conta da rotatividade de funcionários.
