Com a manutenção do fechamento do comércio e a queda na atividade econômica, fábricas e lojas darão aviso prévio a 11 mil empregados a partir de hoje, segundo as federações do Comércio (Fecomércio-ES) e da Indústria (Findes) do Espírito Santo.
Entre hoje e sexta-feira, a previsão é de que 6 mil profissionais vão ser notificados pelas lojas a respeito da dispensa, enquanto na indústria outros 5 mil vão receber o aviso até o próximo dia 24.
O presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, disse que as empresas estão ficando sem dinheiro em caixa para pagar salários: “Nós já fizemos praticamente 30 mil demissões. Com essa permanência (do comércio fechado), por meio do decreto (estadual), acredito que esta semana devemos ter mais de 20% disso, ou seja, 6 mil demissões. O empregador não tem como pagar. Além dos prejuízos que está tendo, ele não tem caixa.”
O diretor da Fecomércio e vice-presidente da Findes, José Carlos Bergamin, disse que é possível que, com o aceno do governo de possivelmente abrir o comércio a partir do dia 20, talvez seja possível manter os empregos de quem recebeu o aviso prévio. Nas palavras dele, a reabertura das lojas “estancaria” as demissões.
O presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho da Findes, Fernando Otávio Campos, disse que quem mais vai precisar demitir nas próximas duas semanas são as pequenas fábricas de confecção e de móveis.
“O fato de o governo sinalizar a abertura semana que vem faz a indústria segurar um pouco”, disse Campos, explicando que, por serem equipes qualificadas, as empresas tendem a segurar os empregos.
No sábado, em pronunciamento, o governador Renato Casagrande anunciou que o comércio continuará fechado, e que estuda uma abertura a partir do dia 20.
Um comitê formado pelos setores produtivos, o Ministério Público e outras instituições será montado para avaliar a situação ao longo da semana.
Procurada ontem pela reportagem, a assessoria de imprensa do governador informou que ele tomará uma decisão até o dia 19, e que seria precoce falar, no momento, sobre o assunto.
Pior crise do Brasil em 58 anos
O Banco Mundial prevê uma retração de 5% na economia brasileira em 2020. A previsão foi publicada ontem no relatório “A economia nos tempos da Covid-19” que estuda a situação da América Latina e do Caribe na crise causada pela pandemia. Se confirmada, será a maior retração desde 1962.
A expectativa para os próximos anos é positiva. A previsão para 2021 é uma retomada no crescimento de 1,5%, seguida de outro aumento de 2,3% em 2022.
Para a região, que inclui os países caribenhos, a expectativa do Banco Mundial é de uma retração de 4,6% este ano. Todos os países, com exceção da República Dominicana e da Guiana, devem ter uma queda no PIB. Para 2021 e 2022, a expectativa é de dois crescimentos seguidos de 2,6%.
O relatório ressalta que a região será afetada por uma queda “dramática” na demanda de produtos, principalmente de commodities, da China e dos países do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido).
Ao mesmo tempo, a queda nos preços do petróleo também terá efeitos grandes em países exportadores. O setor aéreo também deve sofrer bastante, com os cancelamentos em massa de voos.
O economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Martin Rama, disse que a situação econômica na região já era difícil, com instabilidades sociais em vários países em 2019, como Chile e Bolívia. Além disso, no início do ano os países enfrentaram efeitos da queda dos preços do petróleo.
