Os bloqueios realizados por caminhoneiros bolsonaristas nas rodovias do Espírito Santo e do País estão provocando atrasos na chegada de mercadorias para a Black Friday. Há mercadorias que sequer foram enviadas por causa da situação.
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“Os produtos que passam por São Paulo ou vem de lá ficaram parados. Aos poucos estão liberando. As transportadoras estão passando em tempo real a previsão de chegada. Estimo um atraso de três a quatro dias em muitas entregas”, afirmou Pablo Vitorazzi, presidente da Associação de Lojistas do Shopping Vila Velha e diretor da CDL Vitória.
Além do atraso, se as obstruções continuarem vão faltar produtos. “Acredito que essa situação não deve passar desse final de semana. Se continuar, com certeza vai atrapalhar a Black Friday. Os estoque vão reduzir, vão faltar algumas mercadorias”, esclareceu Vitorazzi.
Até sexta-feira os lojistas terão uma dimensão melhor da situação, de acordo com a presidente da Uniglória, Glenda Amaral. “Ainda não houve um grande impacto. A expectativa é que se resolva da melhor maneira possível. Sem violência. Que a democracia prevaleça”.
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) se manifestaram por nota afirmando que respeitam o direito de manifestação, mas defendem que ele seja exercido sem prejudicar o direito de ir e vir.
Helio Schneider, presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), disse que a mobilização dos caminhoneiros tem efeitos tímidos. “Estamos avaliando o cenário conforme ele se desenvolve, se for mantido como está, pensaremos nos próximos passos”, comentou.
Segundo Schneider, a preocupação do setor é com os produtos de hortifrúti, que são mais vulneráveis à ação do tempo.
De acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia), os bloqueios afetaram mais de 30 linhas de produção.
Se eles forem mantidos, segundo a Abia, há risco de descarte pelos principais fornecedores de apenas uma indústria associada de, no mínimo, 500 mil litros de leite por dia, a partir de hoje.