A última eleição do Sindicato dos Comerciários do Estado (Sindicomerciários-ES) — maior sindicato do Espírito Santo, abrangendo cerca de 110 mil trabalhadores e movimentando aproximadamente R$ 10 milhões por ano — aconteceu em junho de 2017, mas ainda não acabou.
Nesta quinta-feira (09), às 9h30, vai acontecer uma audiência na 8ª Vara do Trabalho de Vitória, em que a chapa de oposição à atual diretoria pede a anulação do pleito ocorrido há cerca de dois anos. Os motivos, segundo Gedson de Freitas, candidato derrotado em 2017, são várias irregularidades que a chapa de situação teria cometido.
“A eleição foi 100% fraudada. Seis meses antes, denunciamos ao Ministério Público do Trabalho (MPT) tudo o que estava irregular, e aconteceu todo o cenário que prevíamos. Por exemplo, a grande violência na eleição. Tivemos pessoas de nossa chapa espancadas, um senhor de 60 anos jogado de uma escada em Cachoeiro de Itapemirim. Isso tudo tem boletim de ocorrência”.
Gedson também afirma que houve outras irregularidades, como urnas com lacres violados e contagem de votos que não batiam.
“Eles não iam em todas as lojas que havia filiados. Só passavam onde tinham interesse. A comissão eleitoral era 100% deles. Nós só tínhamos o poder de acompanhar, mas não tínhamos o poder de fala, de deliberar nada”.
Porém, a denúncia mais grave do grupo de Gedson — e que consta no processo — diz respeito à atual formatação da diretoria do Sindicomerciários-ES. Ele alerta que há cinco membros da situação que são de outra categoria, ou seja, não são comerciários. “Só aí, já tínhamos que ganhar a eleição”.
Além disso, Gedson alega que familiares de integrantes da cúpula do sindicato estão enriquecendo às custas da categoria. Ele explica que essas pessoas possuem empresas de seguro de vida e planos de saúde, que oferecem justamente os produtos e planos que constam na convenção coletiva do sindicato.
“Essas pessoas estão há 30 anos usando o sindicato para enriquecimento próprio, enquanto a categoria está se lascando. O Sindicomerciários-ES deixou de ser um sindicato que representa os interesses dos trabalhadores, para virar uma empresa de enriquecimento de seus diretores”.
Gedson completou: “Espero que a Justiça seja feita e que dê a posse a quem de fato ganhou a eleição, que foi a chapa 2. Nossos votos existiram. Os deles foram fabricados”.
O outro lado
A reportagem de A Tribuna tentou contato ontem com o presidente do Sindicato dos Comerciários do Estado (Sindicomerciários-ES), Rodrigo Rocha — presidente no quadriênio 2017-2021 —, tanto por meio de ligações, quanto por mensagem de WhatsApp.
No entanto, Rodrigo não atendeu as ligações, não respondeu no aplicativo e não retornou à reportagem até o fechamento desta edição.
