O presidente Michel Temer decidiu, nessa terça-feira (16), afastar por 15 dias quatro vice-presidentes da Caixa, após recomendações do Banco Central e do Ministério Público. Entre eles, está o capixaba Antônio Carlos Ferreira, vice-presidente corporativo.
A medida foi tomada para permitir que os executivos apresentem “ampla defesa” diante de suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção e de possível favorecimento a políticos.
A decisão atinge também Deusdina dos Reis Pereira (vice de Fundos de Governo e de Loterias), Roberto Derziê de Sant’Anna (Governo), e José Henrique Marques da Cruz (Clientes, Negócios e Transformação Digital).
Os quatro são alvo de operações conduzidas pelo Ministério Público Federal para apurar desvios praticados pelo grupo do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) na Caixa. Também são investigados pela própria Caixa, que aponta irregularidades.
Temer anunciou sua decisão após o Banco Central recomendar a destituição dos executivos. A recomendação foi enviada em 10 de janeiro à presidente do Conselho de Administração da Caixa, Ana Paula Vescovi, chefe do Tesouro.
A sugestão para exonerar os dirigentes foi a segunda desde o mês passado, mas Temer vinha resistindo. Em dezembro, a Procuradoria da República no DF pediu à Casa Civil a troca imediata de todos os 12 vices por causa das suspeitas apontadas contra os quatro agora afastados e também dos riscos de ingerência política na gestão – a maioria dos dirigentes da Caixa é apadrinhada de partidos.
No dia 8, a pasta, seguindo orientação do Presidente, alegou que não tinha competência para exonerar os dirigentes, o que motivou nova investida do Ministério Público. Na quinta, um dia após reunião com dirigentes do BC, a Procuradoria enviou sua recomendação a Temer e avisou que ele poderá ser responsabilizado, na esfera cível, se mantiver executivos que venham a ser acusados de crimes.
Temer resiste a destituir os vices definitivamente porque teme retaliação dos partidos que os indicaram na votação da reforma da Previdência. Outro motivo é que o próprio Presidente tem ligações com alguns dos investigados da Caixa, entre eles Derziê.
