O Banco Central (BC) anunciou que está desenvolvendo alternativas para que o Pix, sistema de pagamentos e transferência instântanea, possa ser usado de maneira offline em locais sem cobertura de internet. Um desses métodos será por meio de um cartão pré-pago.
Lançado em novembro do ano passado, o Pix teve adesão rápida pela clientela brasileira. Porém, para realizar as transações, é necessário que o usuário tenha um celular com conexão à internet.

“Em breve o Pix terá funcionalidade offline. Estudamos três tecnologias para isso, mas a principal delas deve ser em forma de cartão por aproximação. Em algum momento haverá cartão Pix”, afirmou Campos Neto, em evento online sobre moedas digitais.
Segundo o cronograma do BC, o Pix Offline deve ser implementado no quarto trimestre deste ano. Atualmente, o Pix representa 30% das operações de pagamento no País, segundo a pesquisa divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em novembro, quando foi lançado, o percentual era de 7%.
Segundo o analista financeiro Jorge Eloy, essas mudanças vão tornar o Pix ainda mais popular. “Poder utilizar a ferramenta de forma offline traz mais facilidades para o usuário, que já tem a vantagem do Pix, pelo menos até o momento, ser uma transação sem cobrança de tarifa”, afirma.

“O Banco Central quer alcançar uma clientela menos privilegiada, para fazer pequenas compras, como quando, por exemplo, você estiver em um ônibus, ou numa viagem na estrada, sem sinal de internet”, diz o consultor, que faz a ressalva sobre a questão da segurança.
“Ainda falta definir os critérios de segurança, saber se o cartão terá senha ou limite de valor nas transações. Assim como os cartões tradicionais, o usuário terá que ter precauções com perda e roubo.”
Papel-moeda perto do fim
A forma como o brasileiro se relaciona com o dinheiro mudou bastante ao longo dos últimos anos. A época dos carnês, cheques e boletos já ficou para trás. Cartões de crédito ainda têm seu espaço, mas o uso quase universal dos celulares vem abrindo um novo leque de opções para a realização de transações financeiras.
Com isso, o uso do papel-moeda tem ficado cada vez mais raro pelos consumidores na hora das compras. Segundo pesquisa realizada pela Accenture, empresa de serviços digitais, 43% dos brasileiros afirmam fazer uso de novas tecnologias financeiras.
“O brasileiro tem a característica de ser muito pioneiro na utilização de inovações em serviços financeiros. É uma população engajada em novidades e que abraça rapidamente o uso de formas de pagamento”, destaca Joana Henklein, diretora da pesquisa.
No Congresso Nacional tramita o projeto de lei nº 4.068/2020, que pretende estipular prazo para a extinção do papel-moeda no País, fazendo com que todas as transações financeiras sejam feitas apenas em meio digital.
Pelo texto, a produção e circulação de notas com valor superior a R$ 50 ficarão proibidas um ano após a aprovação da lei. Já as cédulas de valor inferior, em até 5 anos.
SAIBA MAIS
- O Banco Central anunciou que pretende criar um cartão vinculado ao Pix para que os usuários possam realizar transações de forma offline por meio de maquininhas de cartão.
- O recurso será bastante parecido com um cartão pré-pago, em que basta recarregar e adicionar saldo para que seja possível pagar nas maquininhas de cartão.
- Atualmente o Pix pode ser transferido entre contas bancárias, podendo sacar o valor ou utilizá-lo em maquininhas com o cartão de débito do banco.
- A expectativa é de que essa forma de transferência receba novidades durante o último trimestre do ano.
- Segundo dados do Banco Central, em menos de um ano de implantação, as transações via Pix já superam a soma de operações baseadas em TED, DOC, cheque e boleto bancário.
- A modalidade já conta com a adesão de 87,8 milhões de pessoas físicas e 5,8 milhões de pessoas jurídicas. Juntas, respondem por 254,4 milhões de chaves Pix cadastradas.
- Cerca de 73 milhões de brasileiros já realizaram transações via Pix, seja para pagar ou receber valores. Essa quantidade equivale a 46% da população adulta do Brasil, estima o BC.
- O Pix movimentou R$ 1,4 trilhão entre novembro de 2020 (mês em que o Pix entrou em operação) e maio de 2021. Esse montante foi alcançado por meio de 2 bilhões de transações.
Fonte: Banco Central.