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Economia

Cinco dias na fila para comprar gás a até R$ 140

Uma fila de espera de até cinco dias e preços que chegam a R$ 140. Essa é a realidade de pessoas que estão aguardando para comprar gás de cozinha no ...

Fila para comprar gás de cozinha em distribuidora de São Pedro, em Vitória.

Última atualização

Fila para comprar gás de cozinha por R$ 65 em distribuidora de São Pedro, em Vitória. (Foto: Fábio Nunes/AT)Uma fila de espera de até cinco dias e preços que chegam a R$ 140. Essa é a realidade de pessoas que estão aguardando para comprar gás de cozinha no Espírito Santo. A falta do produto e o aumento do preço estão relacionados ao avanço da pandemia do novo coronavírus.

Na tarde de ontem, a reportagem do jornal A Tribuna entrou em contato com diversas distribuidoras da Grande Vitória e consultou os valores oferecidos. Nenhuma delas tinha o produto em estoque para entrega imediata.

Em Alterosas, na Serra, o atendente de uma distribuidora afirmou que o preço da botija de 13 quilos variava entre R$ 120 e R$ 140, mas o produto só estaria disponível em dois dias e apenas pagamento em dinheiro seria aceito.

Em Terra Vermelha, Vila Velha, a espera é ainda maior: cinco dias. O valor informado foi de R$ 120. Outro estabelecimento, em Cariacica, prometeu o produto até sexta-feira, por R$ 100.

Diante da falta do produto, consumidores formaram fila e deram voltas no quarteirão para comprar gás de cozinha em uma distribuidora, em São Pedro, Vitória. Lá, a botija custava R$ 65, valor dentro da média do mercado.

O vice-presidente do Sindicato das Revendas de Gás do Espírito Santo (Sinregás), Cleber dos Santos Almeida, destacou que a alta do preço nas distribuidoras está relacionado ao aumento de 23% do consumo de gás desde o início do distanciamento social por causa da pandemia do coronavírus.

“A doença trouxe todo mundo para dentro de casa e as pessoas passaram a consumir mais. Para fabricar gás, precisa de combustível. Mas as refinarias estão trabalhando com 50% da produção.”

Ele afirmou ainda que se consumidores se depararem com valores abusivos, devem procurar o Procon. “Isso não é aumento, é abuso. A pessoa deve pedir a nota, identificar o veículo que entregou e encaminhar ao Procon, junto com o telefone da distribuidora”.

O diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, informou que o órgão recebeu duas denúncias sobre preço elevado do gás de cozinha e pediu aos consumidores que denunciem abusos. Em uma das denúncias o gás estaria sendo vendido a R$ 100. Os casos serão apurados junto à Delegacia de Defesa do Condumidor.

Situação melhor só daqui a 10 dias

Por que está faltando gás?

  • De acordo com o vice-presidente da Sinregás, Cleber dos Santos Almeida, desde o início da pandemia do novo coronavírus, o consumo do gás de cozinha aumentou 23%.
  • No Estado, o consumo era de 750 mil botijas por mês antes da pandemia. Considerando o aumento, o consumo pode chegar a 920 mil botijas.
  • Por causa do coronavírus a produção de combustíveis nas refinarias caiu em 50%, pois menos pessoas estão utilizando veículos nas ruas.
  • Com o aumento da demanda e a diminuição da fabricação, os consumidores acabaram sentindo falta do gás de cozinha.
  • Os estados mais afetados são Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia, além do Distrito Federal.

Quando a situação vai voltar ao normal?

  • Cleber afirmou que, em 10 dias, a situação vai começar a melhorar no Estado. Porém, não há previsão de quando tudo vai voltar ao normal.
  • Antes da pandemia, o gás de cozinha estava custando de R$ 65 a
  • R$ 70 nas distribuidoras.
  • Com o aumento da demanda e a diminuição da produção, o valor subiu para R$ 75 em diversos estabelecimentos. Porém, consumidores têm relatado preços abusivos que chegam a R$ 140.
Fontes: Sinregás e pesquisa AT.

Importação para resolver problema

O Ministério de Minas e Energia informou que está monitorando as medidas adotadas para a garantia do abastecimento do gás de cozinha em todo o País e que a normalização da distribuição do produto deve ocorrer nos próximos dias.

Para garantir isso, a Petrobras antecipou algumas ações, para abril: importou um volume equivalente a 27,4 milhões de botijões de 13 quilos e ampliou sua infraestrutura de abastecimento, com o restabelecimento do duto que liga Santos à Mauá, acrescentando um ponto de entrega de gás e aumentando a velocidade de interiorização do produto.

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