O isolamento social necessário para o enfrentamento da pandemia do coronavírus exigiu que as pessoas ficassem mais tempo em casa e evitassem aglomerações. Com isso, as compras feitas online aumentaram em todo o País, trazendo também uma série de problemas aos consumidores que utilizam as redes.
Somente nos Procons da Grande Vitória e no Estadual, 2.812 reclamações foram registradas, entre março e agosto deste ano. Roupas, eletrônicos, calçados, e, principalmente, itens de alimentação são os produtos mais procurados.
“Com as lojas fechadas e o isolamento social, até o consumidor que não estava acostumado a realizar compras pela internet passou a utilizar o comércio eletrônico como forma de suprir suas necessidades diárias, não só de vestuário, beleza e eletrônicos, mas também de alimentação”, explicou o especialista em Tecnologia da Informação, Eduardo Pinheiro.
Com o aumento da demanda, houve também o aumento dos problemas. O Procon que foi o campeão de queixas foi o de Vila Velha, com 1.706. Em seguida, está o de Vitória, com 493. Depois, está o da Serra, que registrou 162 reclamações e, por último, o de Cariacica, cuja a demanda foi de 50. O Procon Estadual recebeu 401 queixas.
“Tem também o fato de que muitas empresas que não vendiam online passaram a vender. Tudo isso faz aumentar as reclamações. Para evitar problemas, o consumidor deve estar sempre atento”, destacou o coordenador interino de Fiscalização do Procon de Vila Velha, Diego Fernandes Coutinho.
Quem sempre realizou compras online, mas teve problemas durante a pandemia, foi a coordenadora de atendimento Amanda Simor Fadini Bongiovani.
Em maio, ela comprou um roteador na promoção por R$ 469. A loja não entregou o produto no prazo estipulado e depois cancelou a compra. Quando a consumidora foi refazer a compra, o produto já estava custando o preço original: R$ 1.000. “Me senti muito lesada, era um produto para resolver meu problema com internet”.
Em julho, Amanda comprou camisas e uma delas veio furada.
Reclamações por demora e erro na entrega dos produtos
Produtos não entregues, atrasos em prazos, problemas com preços e mercadorias com vícios. Esses são os principais problemas que consumidores podem enfrentar ao fazer um pedido pela internet.

Especialista em Tecnologia da Informação, Eduardo Pinheiro diz que o consumidor precisa exercer seus direitos.
“Muitas vezes o consumidor que realizou uma compra na internet não exerce seu direito de arrependimento ou de troca do produto devido à dificuldade de realizar esse procedimento por meio de serviços de entrega, assim ele prefere ficar com o produto”.
DETALHES
Aumento no consumo
O isolamento social exigido pela pandemia do novo coronavírus, fez com que as pessoas passassem a comprar mais pela internet. Com isso, também aumentaram os problemas com os pedidos online.
No Procon de Vila Velha, Cariacica e Vitória, houve aumento de registro de reclamações a respeito de compras pela internet.
Já no Procon Estadual e da Serra, houve diminuição.
O aumento mais expressivo foi no Procon de Vila Velha: no ano passado, 845 queixas foram registradas, enquanto neste ano, 1.706 pessoas demandaram o órgão.
O aumento é de 101,89% e os dados foram coletados pelos Procons municipais e estadual entre 1º de março de 27 de agosto dos respectivos anos.
Motivos dos problemas
Preço
> Grande parte dos problemas das compras online estão relacionados a preço ou cobrança. Em alguns casos, o valor cobrado do consumidor foi diferente do valor que ele acordou em pagar no ato da compra.
Atraso na entrega
> Outro problema muito frequente é a entrega fora do prazo. Ocorre quando a loja utiliza de um prazo maior para entregar o produto do que prometeu no ato da venda.
produto diferente
> A entrega de um produto diferente do que foi comprado também está entre os problemas com maior frequência com as compras.
Vícios na mercadoria
> Também recorrente, estão os vícios nas mercadorias, que são problemas de características de qualidade ou quantidade que tornam os produtos ou serviços impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam.
Fonte: Especialistas ouvidos, Procons municipais, estadual e Pesquisa AT.


