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Economia

Confirmado projeto de via férrea que beneficia o Espírito Santo

Contorno ferroviário em Belo Horizonte, condicionado à demanda, pode ampliar envio de cargas aos portos capixabas

Trem na Ferrovia Centro-Atlântica: cerca de R$ 30 bilhões de investimentos previstos na renovação da concessão
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização


A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai aprovar, em reunião de diretoria colegiada nesta quinta-feira (9), a renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) por 30 anos.

O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, garantiu, em uma entrevista coletiva, que a agência reguladora vai aprovar o acordo e enviar para análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

Cerca de R$ 30 bilhões de investimentos estão previstos na renovação da concessão da FCA para modernização da malha férrea, aquisição de vagões e locomotivas e obras de mobilidade urbana, por exemplo, segundo a VLI Logística.

A ferrovia, administrada pela VLI, passa pelo Espírito Santo, com conexão com a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Mesmo com a construção do contorno ferroviário de Belo Horizonte ficando como gatilho de demanda — ou seja, seria construído desde que haja volume mínimo de cargas para justificar a obra —, vai beneficiar o Espírito Santo.

A avaliação é do consultor empresarial Durval Freitas. Ele explicou que a FCA é muito importante para o ES, por ser ligação ferroviária com a região Centro-Oeste do País, fazendo conexão de cargas de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais com os portos capixabas.

“O melhor caminho é a renovação, para dar mais segurança para os empresários que estão fazendo investimentos no portos, como o da Imetame, Vports e Portocel, e vai ser melhor ainda se tiver uma definição sobre o contorno ferroviário de Belo Horizonte”, explicou.

Esse contorno, que passará por Vespasiano, Santa Luzia e Itabira, é uma alternativa para o contorno ferroviário da Serra do Tigre, considerado inviável economicamente devido ao seu custo elevado.

A renovação da FCA deverá prever a obrigatoriedade de um estudo de viabilidade para comprovar a demanda e possibilitar a construção do trecho.

“O modelo em discussão também contempla a possibilidade de aportes públicos adicionais em projetos como o contorno ferroviário de Belo Horizonte. Esse caminho demonstra que o processo tem sido construído de forma aberta, considerando as contribuições da sociedade. Os detalhes serão conhecidos com o andamento do processo”, informou a VLI.

Segundo a empresa, os estudos de demanda da renovação da concessão preveem aumento de quase 50% do volume transportado pela ferrovia. “Dessa forma, a renovação terá impacto direto e positivo na movimentação portuária do Estado, independentemente de projetos adicionais”.

Entenda 

Ferrovia Centro-Atlântica

A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela VLI Logística, é a maior linha férrea em extensão do Brasil, com 7.200 km ao longo de sete estados e o Distrito Federal, sendo 257 km no Espírito Santo, em 11 municípios.

A FCA passa ainda por Minas Gerais, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. A FCA é responsável por cerca de 65,3% das 61,2 milhões de toneladas de cargas transportadas pela VLI em todas as suas ferrovias.

No ES, faz conexão com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), e forma um corredor de escoamento de grãos e açúcar da região Centro-Oeste do País e de Minas Gerais para o Porto de Tubarão, por exemplo.

Processo de renovação

A atual concessão da FCA vence em agosto e é discutida há uma década. Em maio do ano passado, o governo federal disse que em vez de uma renovação antecipada, poderia leiloar a ferrovia, mas acabou seguindo pelo caminho da renovação.

A reunião da ANTT que deve aprovar a renovação está marcada para a próxima quinta-feira. Depois da deliberação, o processo será encaminhado para análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que ainda pode pedir eventuais ajustes.

A estimativa é de que as obras relacionadas à prorrogação da concessão poderão criar mais de 15 mil postos de trabalho.

Interesse para o ES

Um dos principais pontos de interesse do Espírito Santo é o contorno ferroviário de Belo Horizonte, que deve ficar submetido a um gatilho de demanda, ou seja, seria construído desde que haja volume mínimo de cargas para justificar a obra.

O ES está inserido em um dos corredores de maior movimentação da FCA (Corredor Leste), que desempenha papel estratégico na conexão entre regiões produtoras e os portos capixabas. Os estudos de demanda da renovação da concessão preveem aumento de quase 50% do volume transportado pela ferrovia. Dessa forma, a renovação da FCA terá impacto direto e positivo na movimentação portuária do Estado, independentemente de contorno.

Locomotivas

Nesta semana, a VLI disse que recebeu sete novas modernas locomotivas para operação, bem como aportou cerca de R$ 600 milhões para operação como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C), o que reforça a eficiência da operação de carga geral na EFVM.

Devolução de trechos

O novo contrato prevê a devolução de mais de 3 mil km de ferrovia não utilizados, trechos que serão devolvidos à União. Um dos trechos é no Espírito Santo, inclusive com projetos para ser transformada em ciclovia turística e operação do “Trem das Montanhas”, entre Viana e Alfredo Chaves, como publicou A Tribuna em maio do ano passado.


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