Quando um eletrodoméstico estraga, logo vem a dúvida: é melhor levar para consertar ou comprar um novo? A resposta depende de uma série de fatores, entre eles econômico, ambiental e sentimental.
Do ponto de vista econômico, é importante avaliar o tempo de vida útil de cada produto. Isso permite ao consumidor ter uma noção clara de quanto vale seu produto usado e, com isso, comparar com o custo do conserto, segundo o economista Eduardo Araújo.
Como exemplo, ele citou o caso da TV. Para ela, é considerada uma vida útil de 5 anos e, a cada ano que passa, ela tem uma desvalorização de 20%. “Uma TV de R$ 2 mil, após 3 anos, perde 60% do seu valor de compra. Com isso, só compensaria pagar um conserto se o custo for inferior a 40% do preço original, ou seja, abaixo de R$ 800”, exemplificou.
Mas, segundo o economista, há situações em que é melhor comprar uma TV nova, principalmente se for avaliada a durabilidade. “Em alguns casos, se a manutenção não der uma garantia de prazo razoável, o consumidor deve ser mais criterioso ainda em relação ao preço do serviço”, enfatizou.
Contudo, nem sempre são só questões econômicas que influenciam na tomada dessa decisão. Há objetos que têm um valor sentimental, que lembram alguém ou algum momento e, por isso, o conserto vira prioridade.
A psicóloga Monique Nogueira explicou que “descartar algo significa o fechamento de um ciclo, pois significa que o objeto não tem mais um significado emocional para a pessoa”.
A Vox Eletrônica trabalha com consertos. O gerente Renato Portes explicou que, com a crise, a procura por esse tipo de serviço aumentou. “Os fabricantes vão mudando as versões para vender mais produtos, mas muitas vezes aquele que a pessoa tem em casa já atende as necessidades dela”, lembrou.
Ele defende que, na maioria dos casos, dá para consertar, o que também colabora com o meio ambiente e evita o descarte.
O mestre em Biologia André Moreira de Assis detalhou que os materiais que compõem eletrodomésticos e eletroeletrônicos demoram muito a se decompor e enfatizou a importância de, em caso de descarte, buscar um local adequado para reciclagem dos componentes que formam o objeto como vidro, plástico, metal, entre outros.

O vendedor Lucas Silvares Rocha, de 22 anos, estava com um aparelho de TV com defeito e levou para consertar. “Ficou bem mais acessível para mim consertar que comprar um novo”, destacou ele.
O técnico em eletrônica Robson Kennedy, de 28 anos, que avaliou o televisor do Lucas na Vox Eletrônica, explicou que, para decidir se vale a pena comprar ou consertar um produto, é preciso considerar o tipo do defeito que o equipamento apresenta e a qualidade dele.
“Há equipamentos que você não encontra hoje em dia com a mesma qualidade do mais antigo”, ressaltou.
A reportagem completa você confere no jornal A Tribuna deste domingo (30).