Para não prejudicar quem teve a renda reduzida devido à crise provocada pelo novo coronavírus, bancos estudam flexibilizar o crédito consignado, podendo, inclusive, reduzir a cobrança para essas pessoas.
O crédito consignado é a modalidade de crédito pessoal em que o valor das parcelas é descontado automaticamente, direto no contracheque ou benefício do INSS.
Para dar alternativas aos clientes que já fazem uso desse tipo de crédito, há discussões visando, por exemplo, adequação das parcelas.
O presidente do conselho consultivo da Associação dos Representantes dos Bancos do Estado (Arbes), Jorge Eloy Domingues, explicou que, devido à situação atípica, os bancos estão abertos a renegociações.
De acordo com ele, são mais de 200 mil pessoas no Estado com crédito consignado.
“Qualquer hipótese pode ser estudada. Será possível prorrogar o prazo, a carência. Não adianta fazer alguém que perdeu renda pagar por algo que não pode.”
As conversas em torno de flexibilizar o consignado em casos específicos estariam avançadas e devem evoluir para um projeto de lei.
No caso dos trabalhadores que tiveram salário e jornada reduzidos em 25%, por exemplo, a parcela do empréstimo contratado seria reduzida na mesma proporção.
Já para quem teve o contrato de trabalho suspenso, poderia haver adiamento das parcelas pelo mesmo período da suspensão, com as parcelas mantidas no saldo devedor sob as mesmas condições.
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que, desde o dia 16 de março, os bancos estão renegociando dívidas dos consumidores e empresas que tem demandado alívio de caixa, já tendo repactuado 3,8 milhões de contratos, com suspensão de parcelas, no total de R$ 22,2 bilhões.
Entretanto, devido à falta de estudos conclusivos, a Febraban informou que ainda não avaliou a possibilidade de extensão da carência nos casos de redução de salário ou de suspensão do contrato de trabalho.
