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Economia

Conta em banco agora é coisa de criança

Facilidades em ter Pix, conta-corrente, acesso a investimentos trazem aos menores de idade a responsabilidade de cuidar do próprio bolso

Roberta com a filha Maria Eduarda, que mostra seu cartão de débito: estudante administra a própria mesada.

Última atualização

Se fazer a boa e velha caderneta de poupança para recém-nascido em um banco tradicional já era uma prática comum no Brasil, agora as crianças têm até conta-corrente, Pix,  acesso a investimentos e Previdência.

Tanto os bancos tradicionais  quanto as  fintechs (bancos digitais) estão lançando  contas específicas para esse público e utilizando a criatividade para conquistá-lo.

A empreendedora  Roberta Freire Silva, de 40 anos, por exemplo, criou uma  poupança para a filha.

A estudante Maria Eduarda Silva Sanches, de 11 anos, disse que adorou a novidade. “Eu estava me sentindo independente. Tinha o meu próprio cartão,  o que antes eu achava que era uma coisa só de adulto”, comentou.

Maria Eduarda administra a própria mesada e  quando os parentes querem presenteá-la com dinheiro,  já transferem por Pix.

 
















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Junto com as facilidades trazidas pela conta também vieram novas responsabilidades: o cuidado com o cartão, o segredo da senha, as decisões de compra e de quanto poupar.

“Vai fazer um ano que criei essa conta para minha filha. Percebi que ela se tornou mais  responsável  com o dinheiro”, contou Roberta.

O diretor de Cidadania Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Amaury Oliva, afirmou que “os bancos digitais se tornaram grandes atrativos para iniciar essa relação de dinheiro dos jovens com conta bancária, cartão de débito e até cartão de crédito em alguns casos, além da possibilidade de estabelecer metas para o futuro, alocando o recurso em investimentos”. 

A educadora financeira Herica Gomes explicou que  abrir conta para as crianças é uma boa ideia, mas não é por aí que se deve ensiná-las educação financeira. 

“As conversas sobre o assunto devem iniciar o quanto antes, por volta dos 3 anos. Ao abrir uma conta e dar acesso à criança e/ou ao adolescente, ele já precisa ter os conceitos em mente e o assunto deve fazer parte da sua vida para facilitar o entendimento sobre a utilização da conta”, destacou a educadora financeira.

Ao abrir a conta para os filhos, os pais precisam deixar claro o objetivo.  A mesada pode ser ofertada na conta-corrente depois de uma determinada idade. “A orientação é a mesma para um adulto: não gaste mais do que você ganha!”.

| O NÚMERO

25 milhões é o número de menores de idade que têm acesso a conta em banco no País

Preparação para o futuro

Crianças que aprendem desde cedo a ter uma relação saudável com o dinheiro tendem a colher diversos benefícios na vida adulta, de acordo com especialistas. Entre eles o desenvolvimento da organização, responsabilidade, do autocontrole e planejamento.

“Eles tendem a se tornarem adultos com mais saúde financeira e menor risco de superendividamento”, segundo o  diretor de Cidadania Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) Amaury Oliva.

Plástico 

O psicólogo Alexandre Brito, que também dá mentoria voltada para comportamento financeiro, acredita que no futuro o dinheiro físico vai deixar de existir. E que a educação financeira deve preparar as crianças não só para o presente, mas também para o futuro. 

“É inevitável o dinheiro digital. As crianças de hoje são os adultos de amanhã. São aqueles que não vão mais ver o dinheiro de papel.  Eles não terão essa questão que nós tivemos de ver o dinheiro da carteira acabando”.

Neste sentido, ele explicou que é importante que a educação também envolva o cuidado com a velocidade das transações. “É muito rápido transferir um Pix hoje. Do mesmo jeito que é fácil receber”.

Saiba mais

Entenda

No Brasil,  pessoas de qualquer idade podem ter uma conta bancária em seu nome. Para menores, o responsável legal deve informar seus dados para a abertura da conta.

A novidade é que os bancos  estão criando contas específicas para crianças e adolescentes.

Pais

Neste sentido, os pais também estão entendendo  que oferecer a conta pode, também, ser uma forma de educar financeiramente seus filhos. Mas, para isso, é importante que eles também busquem informações. 

Se desde cedo a criança aprende que se não tem  todo o dinheiro  necessário para comprar um brinquedo, por exemplo, pode pegar emprestado com o papai ou a mamãe  e pagar depois (com a própria mesada), ela já cresce aprendendo a gastar mais do que ganha. Os pais devem orientar a esperar ter o dinheiro todo. Mas se decidirem emprestar, o ideal é que cobrem juros simbólicos para criança entender que o empréstimo tem um custo.  

Idade ideal

Os pais podem abrir conta para os filhos até antes mesmo deles nascerem. A questão é o momento de dar aos filhos o acesso a essa conta. 

Essa avaliação não tem tanta relação com a idade. Depende da maturidade da criança, do senso de responsabilidade, especialmente se a intenção da família é entregar o cartão da conta para criança/adolescente utilizar para seus objetivos.

Educação Financeira 

A educação financeira deve ser iniciada aos 3 anos, tratando do assunto na linguagem da criança. Ao abrir uma conta e dar acesso à criança e/ou ao adolescente, ele já precisa ter os conceitos como ganhar, poupar, investir, entre outros, em mente.

Ao abrir a conta, a instrução e os  objetivos devem ser claros. O princípio básico é não  gastar mais do que ganha, além ter reservas para o futuro e imprevistos.  

Se a conta for aberta para lanche na escola, por exemplo, os pais devem orientar que os  filhos  não gastem tudo em itens supérfluos. Use para se alimentar  e guarde o que sobrar. Mostre que guardar e investir é importante para o dinheiro render.

Alguns produtos 

Banco do Brasil

Público-alvo: a BB Cash é uma conta voltada para o público de  13 até 18 anos incompletos, aberta de forma totalmente digital e gratuita. 

Lançamento: 2022. 

O que oferece:  cartão para compras on-line, acesso ao Pix, investimentos e Previdência, opção de pedir dinheiro, entre outras funções.   

Cartão de “crébito”: é um cartão sem anuidade que passa na função crédito e utiliza o saldo em conta no momento da compra. Gift Cards: cartões virtuais que funcionam como crédito on-line para utilizar em plataformas de música, alimentação, transporte, jogos, por exemplo. 

Abertura de conta: para realizar a abertura de conta, é necessário que o menor tenha CPF e RG e que seu vínculo esteja registrado no cadastro de seu pai e/ou mãe, cliente do Banco do Brasil.

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