Ainda que cerca de 60% dos jovens entre 18 e 27 anos tenham nível médio ou técnico de escolaridade completos, a falta de qualificação técnica continua sendo a principal dificuldade que as empresas encontram na hora contratar funcionários.
Foi o que revelou a pesquisa feita pela consultoria Plano CDE, em parceria com o Itaú Educação e Trabalho e outras instituições.
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Segundo o levantamento realizado com 802 empresas dos setores da indústria, comércio e serviços de todo o Brasil, outras dificuldades na hora de contratar profissionais foram a falta de comprometimento (29%) e candidatos com pouca experiência (24%).
O diretor executivo da Faculdade do Centro Leste (UCL), Paulo Vitor Onezorge, afirma que ocorre um “apagão de mão de obra qualificada”. “A formação é algo que ocorre de modo contínuo. Se o profissional não se atualizar, ele deixa de se enquadrar nos critérios do mercado”, ressalta.
Já entre os problemas que se mostram no cotidiano profissional desses jovens, as maiores dificuldades são para entender instruções (68%), o uso de gírias em ambientes de trabalho (61%) e as dificuldades em disciplinas de Português e Matemática (60%).
“Esse jovem vem com uma mentalidade diferente, então a abordagem e a linguagem para ele devem ser diferentes. Ele tem dificuldade em entender instruções porque as empresas não se adaptaram para receber esse profissional”, explica o especialista em Recursos Humanos e CEO da Heach Brasil RH, Elcio Paulo Teixeira.
A pesquisa também mostrou que as indicações são a principal forma de contratação (para 54% das empresas ouvidas), seguida pela divulgação em meios diversos, para 27%.
“O networking é realmente algo essencial. Quando um candidato chega num processo seletivo por indicação, ele já vem com uma credibilidade, uma vantagem competitiva. Por isso, é importante participar de cursos e seminários, ter o LinkedIn ativo, ter algum engajamento social. Isso aproxima as pessoas”, afirma Elcio Teixeira.
Curso técnico é diferencial
Um diferencial na hora de selecionar um jovem funcionário é o curso técnico. Foi o que responderam seis em cada dez empresas ouvidas pelo levantamento.
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O gerente-executivo de Educação do Sesi e Senai-ES, Max Alves, acredita que a procura dos jovens por cursos técnicos é baixa, e esta situação se reflete na empregabilidade e no desenvolvimento da indústria.
“Parece ser clichê. A gente sabe que hoje a maioria das empresas vão relatar essa falta de qualificação. Em contrapartida, existe uma grande oferta de oportunidade de cursos técnicos. Os jovens devem se conscientizar da importância dessa formação”, afirma.
Alexandre da Silva, de 20 anos, faz parte dos jovens que resolveram se qualificar para tentarem vencer o desemprego. Hoje, no segundo período do curso técnico de Administração, ele já realiza estágio em uma empresa de atacado e varejo.
“O mercado de trabalho é muito competitivo, então se qualificar é fundamental para se colocar em destaque. Eu penso em continuar estudando, penso em fazer faculdade de Administração, um curso de marketing digital, e assim continuar me aprofundando”, conta.
Boa postura conta pontos
A pesquisa também revelou que, apesar da falta de qualificação ser o principal problema na hora de contratar jovens funcionários, os maiores entraves enfrentados na gestão e no cotidiano desses profissionais são relacionados à postura e ao comportamento deles.
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A dificuldade de encontrar profissionais comprometidos é citada como segunda maior dificuldade durante às seleções.
Diante disso, no momento de escolher entre habilidades técnicas ou socioemocionais durante a contratação, as companhias optavam por contratar um jovem com competência comportamental.
A psicóloga organizacional Maria Rita Sales relata que as competências comportamentais são atitudes demonstradas no ambiente familiar, nas instituições de educação e no ambiente profissional.
“Imagine: se não me entendo responsável pela casa onde vivo, se não coopero com meus familiares, e não ajudo na manutenção e organização do lar, menos ainda expressarei tais competências na empresa”, afirma Maria Rita.
Análise
“Indústria carente de funções mais básicas até as mais elevadas”
“A falta de qualificação de jovens para o mercado de trabalho é um problema crônico e vem crescendo ao longo dos anos. As indústrias vêm pedindo mais qualificação.
Tivemos cerca de 10 mil vagas no ano passado em aberto para serem preenchidas e faltavam pessoas qualificadas. Os jovens são os que mais sofrem com isso. Faltam qualificações técnicas adequadas.
Hoje a indústria está carente de todas as partes, desde as funções mais básicas até as mais qualificadas. O setor de construções, por exemplo, precisa de carpinteiros e pedreiros, e até engenheiros.
Temos uma discussão dentro da Findes que as micro e pequenas empresas estão com maior dificuldade de pessoal qualificado. Às vezes elas investem na formação do profissional, mas depois ele vai para empresas maiores”.