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Ao todo, 98.787 profissionais no País tiveram de contar com a ajuda financeira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devido ao afastamento causado por conta da covid.
Historicamente, essa é a primeira vez que alguma outra doença supera, no número de pessoas que deram entrada no benefício, outras enfermidades e algum problema lombar, por exemplo.
Para efeito de comparação e da disparada no número de casos de afastamentos por conta da covid, em 2020, o número de pessoas afastadas de seus trabalhos pelo vírus ocupou a terceira posição do ranking, com 37.045 pessoas que deram entrada no benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
No ano passado, com os dados disponibilizados pelo INSS, o número mais que dobrou e virou líder no ranking de motivos para afastamento.
Seguindo o ranking, vem os afastamentos por fratura da extremidade distal do rádio, com 30.336 afastamentos e, em terceiro, o transtorno do disco lombar, com 29.679 pedidos de afastamento no Instituto no ano passado.
O efeito causado pela covid nas empresas foi tão grande que equipes de trabalho passaram a ser treinadas para suprir a falta de funcionários, já que em algumas funções a contratação de um novo para o lugar demoraria tempo até a adaptação. Quem afirma isso é o especialista em RH Elcio Paulo Teixeira.
“Esses afastamentos por conta da covid têm um impacto produtivo nas empresas, já que ela sabia executar uma tarefa e precisou ser afastada e chegou um outro funcionário do zero. Com isso, as empresas já vão preparando as equipes fazendo um modelo rotativo. A covid passou por mutações, as pessoas se infectam e as empresas se preparam para isso”, explicou Elcio.
Mesmo assim, a tendência, de acordo com o especialista, é que esse número de afastamentos diminua daqui em diante.
“A tendência é que seja reduzido esse número. Outra coisa é que pensando nisso as empresas têm contratado empregados já vacinados, justamente pela probabilidade de contaminação ser menor, e a chance de ficar em quadro grave também é menor. Os departamentos de RH também estão atentos nisso”, ressaltou o especialista.
Empresas veem prejuízos
O aumento do número de casos de covid-19 fez com que crescesse também a quantidade de funcionários afastados por conta da doença. Todos os setores da economia foram atingidos. Um dos mais prejudicados foi a indústria. O comércio sofreu menos.
Isso fez com que o setor industrial, por exemplo, sentisse impacto enorme na produtividade, como explicou o vice-presidente financeiro da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Fernando Otávio Campos.
“Temos uma pesquisa que diz que 81% das empresas tiveram casos de suspensão e afastamento do trabalho. O impacto econômico foi pesado, e as empresas sentiram o custo da produtividade”, disse Fernando Otávio.
Pelo setor de comércio, o diretor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, disse que não foi muito impactado no último ano com os afastamentos.
“O comércio que mais emprega é o lojista e de alimentos, eles trabalham com público mais novo de idade, entre 25 e 40 anos. No ano passado, praticamente não tivemos afastamento por longos períodos”, disse Bergamin.
Mais de 17 mil esperam na fila por perícia médica
Com os quase cem mil capixabas afastados do trabalho por conta da covid e que receberam algum auxílio do INSS por isso, ainda restam outros 17.617 que estão na fila aguardando pela perícia.
O número foi confirmado pela Previdência do Trabalho, do governo federal.
Em nota, o órgão disse que “a subsecretaria da Perícia Médica Federal informa que há 17.617 perícias agendadas para os próximos dias no Espírito Santo”.
Vale lembrar que no início do ano, o governo disse que iria zerar as filas, que terminou 2021 com mais de 1,8 milhão de pessoas esperando. A falta de servidores públicos para analisar os processos e a paralisação parcial de perícias provocadas pela pandemia são os principais fatores de demora.
Acordo
Por meio de um acordo homologado com o Supremo Tribunal Federal (STF), o INSS comprometeu-se a analisar os processos no prazo máximo de 30 a 90 dias, dependendo do tipo de benefício pedido, e a fazer as perícias médicas e de assistência social em até 45 dias, podendo chegar a 90 dias nos locais de difícil acesso.
Ao assumir o cargo, em novembro, o presidente do INSS, José Carlos Oliveira, prometeu zerar a fila até julho deste ano.
SAIBA MAIS
Quase 100 mil afastados
- Por conta da covid-19, 98.787 capixabas precisaram ficar afastados de seus trabalhos, e precisaram dar entrada no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
- Pelo histórico de doenças causadoras de afastamento, essa é a primeira vez que outra doença lidera o número de pedidos sem ser dores lombares por exemplo.
Doenças que em 2021 mais afastaram do trabalho
- 1ª doença: infecção por coronavírus: 98.787.
- 2ª doença: fratura da extremidade distal do radio: 30.336.
- 3ª doença: transtorno do disco lombar: 29.679.
- 4ª doença: outros transtornos de discos intervertebrais: 29.315.
- 5ª doença: dor lombar baixa: 29.228.
Empresas precisaram se readaptar na mão de obra
- De acordo com o especialista em Recursos Humanos Elcio Paulo Teixeira, algumas empresas precisaram fazer rotatividade nas equipes de trabalho.
- Isso se fez necessário pois em caso de afastamento de algum colaborador, era mais prático remanejar um funcionário que já estava na empresa do que contratar um novo, que ainda precisaria passar por treinamento até aprender a nova função.
- No entanto, segundo Elcio, a tendência é que o número de pessoas afastadas por conta da covid-19 este ano diminua.
Fontes: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Elcio Paulo Teixeira, especialista em RH.