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Economia

Cresce o número de pessoas que ganham dinheiro “no grito” no Estado

“Olha a pamonha!”; “É o abacaxi de Marataízes, fresquinho, fresquinho”; “Uma bacia é dois, e três é cinco'”. A maioria dos consumidores certamente já ...

O padeiro Micael Ferreira dos Santos percorre o bairro Jardim América, em Cariacica, com o cesto repleto de pães caseiros.

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“Olha a pamonha!”; “É o abacaxi de Marataízes, fresquinho, fresquinho”; “Uma bacia é dois, e três é cinco’”. A maioria dos consumidores certamente já ouviu essas frases. Elas são muito utilizadas por vendedores que ganham a vida no grito, atividade que está em alta.

É o que aponta o total de vendedores ambulantes formalizados no Estado, que cresceu 22% este ano, segundo o Sebrae. Esse aumento pode ser maior, já que, segundo especialistas, muitos desses profissionais não se formalizam.

Um dos que ganham a vida “no grito” é Fábio Félix de Souza, 32 anos. Ele trabalha na feira desde criança e revelou como atrai a freguesia. “Quando o cliente está passando perto, eu chamo: ‘Ei, psiu!’”.

Quando o consumidor olha, Fábio já dispara a oferta encabeçada pelos produtos mais procurados. “Uma bacia é três e duas é cinco. Tem banana, goiaba e limão”.

Fábio Félix de Souza ganha a vida “no grito” e acredita que esse é o diferencial para chamar os clientes. (Foto: Fábio Nunes/AT)

Alto-astral, o feirante não usa megafone. “Comigo é no gogó mesmo”, brincou. Ele mantém a voz, sem cuidados especiais. “Deus me deu esse dom. Amo o que faço. Não consigo me ver fora da feira, gosto de conversar, fazer amizades”.

Com 10 funcionários, não tem moleza, para trabalhar na feira tem que gritar. “Todos gritam, treinei eles. Quando chega um funcionário novo para trabalhar na banca, no primeiro dia, ele fica meio acanhado. Depois vai se soltando. O diferencial da feira é o grito, tem que gritar”, contou rindo.

Mas destacou que tem o volume certo, que o cliente precisa entender o que está sendo dito. As frutas e legumes que ele vende nas feiras, em Vila Velha e Cariacica, são compradas na Central de Abastecimento (Ceasa).

Quem também ganha a vida no grito é Elizaldo Bento Fabiano, 49. Nascido, literalmente, em uma roça de abacaxi onde sua mãe atuava, em Marataízes, ele trabalha com a fruta desde criança.

“Comecei com 7 anos. Aos 11 fui atuar para outras pessoas, mas com 16 comecei a trabalhar para mim. Comprava um caminhão de abacaxi em Marataízes e ia para Belo Horizonte vender. Fiquei assim por 27 anos”.

Há oito, trabalha só na Grande Vitória. Ele vende cerca de 150 abacaxis por dia. Na hora de oferecer, o anúncio potencializado no carro de som deixa claro: “Três abacaxis da massa amarela, vindos diretamente de Marataízes, por apenas R$ 10”.

O padeiro Micael Ferreira dos Santos percorre o bairro Jardim América, em Cariacica, com o cesto repleto de pães caseiros. (Foto: Leone Iglesias/AT)

“Ó, o pão caseirooo!”

“Ó, o pão caseirooo”, “Ó, o padeiro”. Quem ouve o grito já sabe, o padeiro Micael Ferreira dos Santos, 30, está na rua. Ele percorre o bairro Jardim América, em Cariacica, andando, com o cesto repleto de pães caseiros, desde o tradicional até aqueles com recheio de goiabada, chocolate e farofa, além dos salgados assados.

“Quando grito, os clientes já vêm”, contou e destacou que sempre aparecem clientes novos. A produção é feita por ele e pela esposa Lanny Almeida, 27 anos.

Megafone para preservar e dar potência à voz

A voz é um recurso que precisa ser preservado e usado com sabedoria. Por isso, a reportagem procurou a fonoaudióloga especialista no assunto Sarah Quintairos, para dar algumas dicas para quem ganha a vida no grito.

Sarah explicou que o uso inadequado da voz, com gritos e berros, pode provocar lesões nas cordas vocais e ser necessário até mesmo o tratamento cirúrgico. Ela disse que para quem ganha a vida no grito, uma boa alternativa é usar o megafone.

“O vendedor vai poder falar com uma intensidade normal e o megafone vai ampliar. É uma solução mais prática e barata”, sugeriu a especialista.

Ela detalhou que algumas pessoas têm um potencial vocal muito grande. Outras já sentem a diferença quando falam um pouco mais alto. “Se chega em casa rouco é sinal de que está fazendo alguma coisa errada”, afirmou.

A profissional orientou que é preciso tomar muita água. “Quanto mais você hidrata, menos chance tem de lesionar a prega vocal. Quando a gente fala em comunicação, não fala só de voz como também de corpo, de gestos”.

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