Pelo segundo mês seguido, as parcelas de famílias que se autodeclararam endividadas e inadimplentes bateram recorde na leitura da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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No levantamento, a fatia dos que se declararam endividados ficou em 79% em agosto, acima de julho (78%); e de agosto do ano passado (72,9%) sendo a maior parcela, para esse dado, da série histórica da pesquisa, iniciada em 2010.
Ao mesmo tempo, entre os endividados, os que declaram contas em atraso representaram 29,6% do total entre os que tinham dívida, acima dos 29% em julho e dos 25,6% em junho.
A CNC detalhou ainda que, entre os endividados inadimplentes, 10,8% informaram não ter condição de pagar as dívidas. Essa fatia ficou acima das observadas em julho de 2022 e em agosto de 2021, ambas em 10,7% – a maior desde abril deste ano (10,9%).
Para Izis Ferreira, economista da CNC e responsável pela Peic, a inflação em patamar alto é o principal motivo para o cenário delineado pela pesquisa. Na análise dela, é provável que endividamento e inadimplência continuem a subir nos próximos resultados do levantamento.
Na pesquisa, chama atenção o maior interesse por crédito de curto prazo. O total de famílias com dívidas em carnês e cartões de lojas do varejo alcançou 19,4% em agosto, alta de 0,5 ponto percentual, ante julho, e de 1,2 ponto em relação a agosto de 2021.
A maior proporção de endividados em carnês do varejo ocorre na esteira da redução do endividamento no cartão de crédito. A parcela de endividados que citaram cartão de crédito como principal modalidade de dívida ficou inalterada em 85,3% de julho a agosto – sendo que em junho era 86,6%.
Esse cenário, de maior preferência por crédito de mais fácil acesso, e de curto prazo, tem a ver com inflação, segundo Izis. Isso sinaliza que o crédito está sendo mais usado pelas famílias para ajudar a fechar as contas no mês, e não para adquirir bem de maior valor agregado, disse a economista.
“Tivemos deflação, mas temos nível de inflação ainda muito alta que pesa ainda mais no orçamento das famílias de menor renda”, disse Izis.