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Economia

Dados do Ministério da Previdência apontam 8.607 afastamentos por saúde mental

Dado do Ministério da Previdência Social é referente ao Espírito Santo no último ano. País teve recorde, com 546 mil afastamentos

Estresse grave provocado, por exemplo, por sobrecarga de tarefas no trabalho é uma das situações que levam ao afastamento
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Rodrigo Péret

Formado em Jornalismo pela Faesa em 2017 e atualmente cursando o último período de Direito na Multivix Vitória, Rodrigo Péret está em A Tribuna desde 2019, onde atua como repórter de Política e Economia, ocasionalmente atuando como colunista de Plenário. Paralelamente, colabora para o portal Wrestlemaníacos, especializado em Pro-Wrestling, desde 2011.

Última atualização


Problemas com saúde mental foram motivo de afastamento de 8.607 trabalhadores no Estado em 2025, segundo o Ministério da Previdência Social. Nacionalmente, os dados mostram que dos mais de 4 milhões de afastamentos no País em 2025, 546 mil foram por questões de saúde mental.

No ano passado, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna.

O dado surge em meio a um período de adaptação das empresas à Norma Regulatória 01 (NR-01), que passará a valer a partir de maio. A regra exigirá o mapeamento obrigatório de fatores de riscos psicossociais — como os ligados à saúde mental.

A especialista em Gestão de Pessoas e DPO da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Fernanda Anchieta diz que, com a NR-01, é vital que empresas mapeiem riscos psicossociais, como estresse excessivo, sobrecarga, conflitos e assédio, e registrem medidas de prevenção e controle no Programa de Gerenciamento de Riscos.

Ela explica que a NR-01 não inibe a gestão disciplinar das empresas. “Advertências e suspensões continuam sendo possíveis quando necessárias, desde que aplicadas de forma justa, proporcional e alinhada às políticas internas, sem que isso crie passivos trabalhistas”.

Consultora DHO e especialista em Bem-Estar Corporativo, Mirella Destefani conta que, tanto em empresas com menos de 100 colaboradores quanto em corporações com mais de 3 mil funcionários, o investimento em preparação de lideranças às novas regras tem ocorrido.

Segundo levantamento da Center RH, cerca de 40% dos desligamentos em 2025 tiveram relação direta com problemas comportamentais, como liderança despreparada e excesso de cobrança. “Isso reforça a importância da prevenção”, afirma a diretora do Center RH, Eliana Machado.

A NR-01 é alvo de críticas de alguns especialistas por, segundo eles, ter um aspecto subjetivo que pode criar uma pressão maior às empresas, especialmente as médias e pequenas, no seu modo de atuação, o que também pode resultar em uma “chuva” de processos trabalhistas nos próximos anos.

Segundo o empresário e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não indiciou uma ferramenta ou metodologia específica para aplicação do NR-01, o que cria um custo e medo de atuação “por interpretação” às empresas.

Entenda

Afastamentos por saúde mental

Os dados do Ministério da Previdência Social mostram que os afastamentos do trabalho por transtornos mentais atingiram, durante o ano passado, o maior patamar da série recente – superando até mesmo o recorde de 2024.

Somente em 2025, mais de 546.254 afastamentos do trabalho foram por questões de saúde mental. Isso representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

A maior parte desses afastamentos está concentrada em dois diagnósticos: ansiedade e depressão. Os transtornos ansiosos lideram o ranking, com 166.489 licenças concedidas em 2025, seguidos pelos episódios depressivos, que somaram 126.608 afastamentos.

Ou seja, o País tem, de novo, um cenário sem precedentes: o número de afastamentos, em 2025, por saúde mental é o maior em uma década.

A lista feita pelo Ministério da Previdência considera as doenças que mais geraram concessões de benefício. Entre elas, também estão: transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo. Comparando com o último ano, todas elas tiveram alta.

E por que isso está acontecendo?

Os transtornos mentais são multifatoriais e não há uma explicação única para o que está acontecendo.

No entanto, depois de dois anos em recorde, com números sem precedentes, os especialistas apontam que a saúde do trabalhador vem sendo afetada por transformações que passam pelo modo de vida e organização em sociedade, mas, sobretudo, pelas mudanças no mercado de trabalho.

A pandemia mudou o cenário para o mercado de trabalho e, ainda que a informalidade e desemprego tenham recuado no ano passado, os especialistas explicam que há uma cicatriz.

Situações como vínculos precários, jornadas longas e com pressão constroem um mercado que empurra as pessoas para um estresse crônico, segundo especialistas consultados pela reportagem.

Norma

A Norma Regulamentadora 01 (NR-01), revisada para incluir diretrizes específicas sobre a gestão de riscos psicossociais no trabalho, faz parte de um esforço do Ministério do Trabalho e Emprego para modernizar e tornar mais abrangente a legislação de segurança e saúde ocupacional.

O principal ponto da atualização é a obrigatoriedade de: mapear fatores de risco como assédio moral, excesso de carga de trabalho e insegurança no ambiente profissional; adotar medidas preventivas e educativas; e integrar ações de saúde mental às rotinas de Segurança e Saúde do Trabalho (SST).

Prazo

A partir de maio deste ano, as empresas que descumprirem as novas regras podem ser autuadas e multadas. Essa data originalmente estava prevista para maio do ano passado, mas foi adiada, influenciada por fatores como pressão das entidades empresariais e a necessidade de mais capacitação para se adequar às novas normas.

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