- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Economia

Do império de Abilio Diniz à recuperação extrajudicial: veja a cronologia do GPA

Grupo Pão de Açúcar é um dos maiores do país entre as redes do varejo alimentar

Grupo Pão de Açúcar entrou com pedido de recuperação extrajudicial
Foto de perfil de Agência Folhapress

Agência Folhapress

Com quase três décadas de atuação, a Folhapress é a agência de notícias do Grupo Folha e compartilha o compromisso da Folha de São Paulo com a produção de um jornalismo crítico, moderno, pluralista e apartidário, assegurando a geração e distribuição de um noticiário ágil, confiável e independente.

Última atualização



O GPA (Grupo Pão de Açúcar) entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10). A empresa, que ocupa a quinta posição no ranking das maiores redes do varejo alimentar do país, tenta renegociar dívidas com bancos enquanto busca preservar as operações e o relacionamento com fornecedores.

LEIA TAMBÉM: Gestão do Casino e mudança de comportamento do consumidor: entenda a crise do GPA

A companhia, que começou como um pequeno negócio familiar em São Paulo, vinha alertando o mercado desde fevereiro sobre dificuldades financeiras e sobre a necessidade de alongar compromissos de curto prazo.

Veja a história do GPA, da fundação ao pedido de recuperação extrajudicial.

1948: INÍCIO DO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR

– O imigrante português Valentim Diniz abre a Doceira Pão de Açúcar, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central de São Paulo

– O nome foi dado por Diniz como uma forma de homenagem ao Brasil e faz referência ao famoso ponto turístico morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

1959: LOJA NÚMERO 1

– Abilio Diniz, filho do fundador, inspirado por modelos europeus e americanos, transforma a doceria familiar no primeiro supermercado da rede

– No final da década, o GPA soma mais de 60 lojas em 17 cidades

1976: JUMBO ELETRO

– Durante a década de 1970, Abílio assume o protagonismo na expansão da empresa, que comprou redes regionais e concorrentes menores para ampliar presença em diferentes mercados

– Em 1971, é lançado o Jumbo, o primeiro hipermercado do Grande ABC paulista

– Em 1976, o GPA adquire a Eletroradiobraz, rede varejista de eletrodomésticos. A compra marca a entrada do grupo no segmento eletro e cria a famosa rede de lojas Jumbo Eletro

– No final da década, o GPA lança ainda mercearias com o conceito de poucos produtos e preços mais competitivos e adquire redes como SuperBom, Peg-Pag e Mercantil

1989: EXTRA

– O Grupo Pão de Açúcar lança a bandeira Extra para o formato de hipermercados

– O modelo reune em grandes lojas a venda de alimentos, eletrodomésticos, eletrônicos, roupas e outros produtos, seguindo uma estratégia inspirada em redes internacionais e voltada para consumidores que buscam fazer todas compras em um único local

– A nova bandeira se torna um dos principais vetores de expansão do grupo nos anos seguintes e consolida a presença do GPA no varejo brasileiro

– Sua forte concorrência no varejo leva o GPA a criar, em 1993, a primeira ouvidoria do segmento

1995: BOLSA DE VALORES

– O Grupo Pão de Açúcar abre capital e passa a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo

– A listagem amplia o acesso do grupo a capital para financiar a abertura de lojas, aquisições e a consolidação das diferentes bandeiras do varejista no país

1996: CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE 800 MIL M²

– O GPA inaugura o segundo maior depósito do mundo, atrás somente do da Coca-Cola em Atlanta, nos Estados Unidos

– Com cerca de 800 mil m², o centro de distribuição do grupo faz parte da estratégia de Diniz para dar maior eficiência na distribuição de produtos e sustentar o avanço da rede em diferentes regiões do país

1999: ENTRADA DO GRUPO CASINO

– O grupo francês Casino adquire 25% de participação do Grupo Pão de Açúcar

– O acordo prevê a ampliação gradual da presença do grupo francês no capital da empresa e traz novos recursos para financiar a expansão da rede no Brasil

ANOS 2000: DIVERSIFICAÇÃO

– O Grupo Pão de Açúcar passa a investir em estratégias de fidelização, com a criação do programa Pão de Açúcar Mais e o site Amelia.com.br, e na ampliação de serviços

– O grupo entra, em 2002, no segmento de drogarias, com a abertura das duas primeiras lojas Drogaria Extra dentro de seus hipermercados

– Em 2004, o GPA abre o primeiro posto de gasolina no estacionamento do Extra de Mogi das Cruzes

– Em 2007, se associa ao Assaí Atacadista para atuar no crescente segmento de autoserviço

– Em 2009, o Grupo Pão de Açúcar se une às Casas Bahia e cria o maior grupo de varejo do Brasil

2011: BRIGA ENTRE SÓCIOS

– Diniz tenta reorganizar o controle do Grupo Pão de Açúcar e desencadeia um dos maiores conflitos societários do varejo brasileiro

– A tentativa mais famosa ocorre em 2011, quando o empresário tenta articular a fusão do GPA com o Carrefour

– A proposta enfrenta oposição do Casino, então detentor do acordo que previa assumir o controle da empresa nos anos seguintes

2012: CASINO NO CONTROLE

– Conforme acordo firmado anos antes com Abilio Diniz, o grupo francês Casino assume em 2012 o controle do Grupo Pão de Açúcar

– A operação consolida o varejista europeu como um dos maiores grupos de varejo da América Latina

– A mudança marca a saída de Abilio Diniz da gestão do grupo

2013: SAÍDA DE ABILIO DINIZ

– Abilio Diniz deixa definitivamente o conselho do Grupo Pão de Açúcar, encerrando décadas de liderança da família na empresa fundada por seu pai

– O empresário chega a afirmar, anos depois, que a disputa com o Casino foi seu maior erro

2019: REORGANIZAÇÃO DO GRUPO

– O Grupo Pão de Açúcar inicia uma reorganização de seus negócios, separando as operações de atacarejo do restante da companhia

– A companhia vende a totalidade de sua participação na Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) para focar o segmento de alimentos

2020: O NOVO MERCADO

– O Assaí Atacadista, braço de atacarejo do Grupo Pão de Açúcar, passa a ter ações negociadas na B3

– O grupo conclui o processo de migração das ações para o segmento da B3 Novo Mercado, levando o capital social da empresa negociado em Bolsa a ser composto somente por ações com direito a voto, as chamadas ações ordinárias (ON)

2021: VENDA DE LOJAS

– O grupo decide deixar o segmento de hipermercados e vende as 70 lojas do Extra Hiper para a rede Assaí

– O GPA foca bandeiras premium e na liderança da venda de alimentos online por meio de Mercado Livre e iFood

– No ano seguinte, o GPA vende terrenos a um fundo imobiliário para posteriormente serem alugados ao Assaí

2023: SAÍDA DO CASINO

– Mais de uma década após assumir o comando, o Casino deixa de ser controlador da empresa

– A saída ocorre em meio à reorganização do varejista francês e abre espaço para mudanças na estrutura acionária do GPA

2025: FAMÍLIA COELHO DINIZ SE TORNA PRINCIPAL ACIONISTA

– Em agosto a família mineira Coelho Diniz passa a deter 24,6% do capital do GPA, tornando-se a principal acionista

– O grupo controla uma rede de supermercados com o mesmo nome no leste de Minas Gerais

– Apesar do sobrenome, a família não tem ligação com os Diniz fundadores do Pão de Açúcar

2026: NOVA TROCA NO COMANDO

– Em janeiro, Alexandre Santoro é eleito CEO da companhia

– No balanço do quarto trimestre de 2025, divulgado em fevereiro, a empresa afirma haver “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional”

– O grupo registra capital circulante líquido negativo de R$ 1,2 bilhão ao final do ano passado, em grande parte devido a empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 que somam R$ 1,7 bilhão

– A companhia também informa prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre

MARÇO DE 2026: PEDIDO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

– No início de março, a agência Fitch Ratings rebaixa a nota de crédito do GPA de “A” para “CCC”, indicando risco elevado de inadimplência

– A Fitch cita risco de refinanciamento, deterioração da liquidez e expectativa de fluxo de caixa livre negativo caso a empresa não reduza seu endividamento.

– No dia seguinte ao rebaixamento, o GPA envia carta a fornecedores afirmando que as negociações em curso envolviam apenas credores financeiros

– O documento afirma que não há atraso em pagamentos a parceiros comerciais e que as operações seguiam normalmente; ainda assim, o mercado reage com cautela

– Nesta terça (10), a empresa apresenta pedido de recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas financeiras

– O grupo soma cerca de R$ 4 bilhões em endividamento total e possui R$ 1,7 bilhão em compromissos com vencimento em 2026

– O balanço também aponta cerca de R$ 16 bilhões em disputas tributárias classificadas como “perdas possíveis”, que não estão provisionadas



Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.