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Economia

Dólar bate R$ 4,17 contaminado por desvalorização cambial na Argentina

O dólar ultrapassou R$ 4,17 nesta quinta-feira (30), acompanhando o fortalecimento da moeda americana pelo mundo em meio a mais dados econômicos ...

Última atualização

O dólar ultrapassou R$ 4,17 nesta quinta-feira (30), acompanhando o fortalecimento da moeda americana pelo mundo em meio a mais dados econômicos fortes nos Estados Unidos e com a situação cambial na Argentina pesando sobre emergentes.

A cautela em relação ao cenário eleitoral brasileiro também persistia entre investidores.

Às 11h30 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 1,40%, para R$ 4,177. Na máxima até o momento chegou a R$ 4,179.

Com forte instabilidade, as negociações do Tesouro Direito chegaram a ser suspensas às 11h, mas já estavam normalizadas por volta de 11h50.

No exterior, o dólar avançava sobre 23 das 31 principais divisas do mundo.

Pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA informou que os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade do país, subiram 0,4% em julho, indicando forte crescimento econômico no início do terceiro trimestre.

Com a demanda em elevação, os preços deram continuidade à tendência de alta. O núcleo do índice PCE, que inclui os componentes voláteis de alimentos e energia, avançou 0,2% em julho, contra alta de 0,1% em junho.

Isso elevou o aumento na base anual para 2% -meta do Federal Reserve (banco central americano) para a inflação neste ano. Essa é a terceira vez que o indicador atinge a marca.

O núcleo do PCE é a medida preferida do Fed para a inflação. Sinais de crescimento econômico e pressão inflacionária nos EUA elevam no mercado a expectativa de que a autoridade tenha que fazer um aperto monetário mais rápido.

Para este ano são previstas mais duas altas nos juros dos EUA, em setembro e dezembro. Taxas mais elevadas atraem para a maior economia do mundo fluxo de capital até então alocado em outros países, fortalecendo o dólar e impactando, sobretudo, emergentes.

A situação desses países era agravada pela forte desvalorização do peso argentino, que recuava 13% em relação ao dólar após o presidente Mauricio Macri anunciar, na véspera, que estava pedindo um novo adiantamento ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Diante da forte depreciação da moeda, o banco central argentino anunciou mais um aumento nas taxas de juros, de 45% para 60%, pouco mais de duas semanas desde a última elevação, em 13 de agosto.

A autoridade monetária explicou, em comunicado, que adotou as medidas “em resposta à conjuntura cambial atual e ante o risco de que implique em um impacto maior sobre a inflação doméstica”.

O governo Macri já tem um acordo com o FMI que estabelece uma linha de crédito “stand by” de US$ 50 bilhões, mediante o cumprimento de metas, principalmente a redução do déficit fiscal. A liberação desse dinheiro seria gradual e de acordo com o desempenho do país. Porém, diante a impossibilidade de atingi-las a contento, o governo pediu e obteve o adiantamento.

Ainda entre emergentes, a lira turca caia 4,77%, e o rand sul-africano perdia 2,31%.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas no Brasil, recua 0,92%, para 77.664,89 pontos, também em linha com o viés de maior aversão a risco no exterior. Bolsas americanas e europeias operam no vermelho.

“Sem grande ‘ajuda’ do exterior, e ainda com dúvidas sobre as perspectivas políticas por aqui, o viés para os ativos locais, nesta sessão, é mais negativo”, disse a corretora Guide Investimentos em relatório.

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