
Alguns setores podem ser mais atingidos, ou menos, avaliaram os especialistas sobre a alta cambial. Um dos mais impactados será o segmento do vestuário, de acordo com José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES).
“Dependemos de muitos insumos que vêm de fora. No setor do vestuário importamos corantes, fios de poliamida e sintéticos, elastano. Por causa do custo alto do dólar, a roupa vai subir de preço. Mas, devido à pandemia, será necessário vender mais barato para vender alguma coisa. Com isso, esse setor tende a ter muitas falências e demissões”, destacou.
O professor de finanças da Universidade Vila Velha (UVV), Fabrício Azevedo, destacou, entre os motivos da alta do dólar, a pandemia do novo coronavírus. Ele ainda citou fatores políticos internos, que criam incertezas no investidor.
“O investidor se sente inseguro em relação à economia brasileira e prefere investir em dólar. Com muita gente demandando o dólar, o preço sobe e o real cai. A instabilidade política gera instabilidade econômica também”, pontuou.
Ele explicou ainda as consequências da alta da moeda americana. “Se a empresa não tem um produto com qualidade para entregar no mercado, vai aparecer um substituto. E essa empresa vai perder espaço no mercado. Se ela não cresce, vai desempregar e pode chegar a ir à falência”.
Além do setor do vestuário, outros podem ter maiores problemas com a alta do dólar, como o agronegócio (reposição de peças e maquinários), indústria civil, eletrônicos, produtos de informática.
O secretário de Estado de Desenvolvimento, Marcos Kneip, destacou que a variação da moeda cria o endividamento. “Essa variação de moeda tem capacidade de criar sérios problemas para uma empresa, pois ela aumenta o endividamento”, afirmou Kneip.
Ontem, o dólar fechou com queda de 2,03%, atingindo R$ 5,72. Para os especialistas, a queda foi pontual e não há garantia de continuidade.
Exportadoras aumentam ganhos e podem até investir
Se para algumas empresas a alta cambial pode ser o caminho para a falência, para outras significa aumento de lucro, criando assim maneiras de passar pela crise com menos dificuldades e possibilidades de investimentos no futuro.
“As empresas exportadoras aumentam no ganho com a variação. Podemos citar quem está vendendo trigo, carne, milho, soja, vinhos, queijos, laticínios, tudo o que a gente exporta em grande quantidade”, afirmou o professor de finanças da UVV, Fabrício Azevedo.
Tais empresas tendem a investir em tecnologia. “Elas aproveitam para crescer, compram mais maquinários, aumentam a tecnologia, o plantio”, frisou o professor.

O economista José Márcio de Barros, disse que é preciso controlar custos internos. “As empresas que produzem para exportar serão beneficiadas desde que controlem seus custos internos, é essencial”.
Para disseminar a cultura exportadora, o governo estadual desenvolveu, em parceria com o governo federal, o Programa de Qualificação para a Exportação (Peiex), segundo o secretário Marcos Kneip. “Esse programa visa capacitar empreendedores para a exportação de seus produtos. Nossa previsão é capacitar 200 pessoas”
Economia paralisada impede preços mais altos
A alta do dólar pode, ao invés de provocar um aumento da inflação, causar o efeito inverso: a diminuição dela. Isso porque, para conseguirem vender em meio à pandemia da Covid-19, empresários estão fornecendo descontos em seus produtos no mercado.
“Tivemos uma deflação em abril, a expectativa é de que maio a deflação seja maior. Não tem demanda. As empresas tendem a dar descontos em suas mercadorias, porque as pessoas não estão consumindo certos bens”, afirmou o economista José Márcio Barros.
O presidente do Conselho de Relações de Trabalho (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Fernando Otávio Campos, citou os postos de combustíveis como exemplo.
“Se fosse numa economia normal, a alto do dólar aumentaria a inflação. Mas as empresas estão dando desconto para estimular as vendas, como nos postos de combustíveis. Então a probabilidade é diminuir a inflação. O que pode ser bom para o País no futuro”.
SAIBA MAIS

> A cotação da moeda americana, que já atinge quase R$ 6, pode provocar a elevação de preços de diversos setores da economia.
> Especialistas alertam que, todos os produtos que dependem de matéria-prima do exterior, ou até mesmo produtos industrializados, devem sofrer com a alta do dólar.
> Entre os produtos citados pelos especialistas estão:
– Medicamentos;
– Pão Francês e massas;
– Pescados (bacalhau e salmão);
– Vinhos;
– Bebidas destiladas;
– Azeite;
– Computadores;
– Peças para computador;
– Vestuário;
– Tecidos;
– Celulares;
– Televisores;
– Máquinas de lavar roupas;
– Secadoras;
– Geladeiras;
– Peças de veículos;
– Pneus de veículos;
– Óleo de motor;
– Produtos veterinários;
– Perfumes
Fonte: Especialistas consultados.