
O serviço de pagamentos instantâneos Pix, desenvolvido pelo Banco Central, está na mira de golpistas e que já fazem vítimas em todo o País, inclusive no Estado. Usuários estão perdendo até R$ 70 mil com golpes, como é o caso de um empresário, de 27 anos, morador da Grande Vitória. Diante do cenário, a polícia faz um alerta e pede cautela.

“Elas são encaminhadas por e-mail, em programas de mensagens instantâneas e também pelas redes sociais. Induzem a vítima a acreditar que é uma mensagem de seu banco e fazem ela clicar em um link”, disse.
Assim que clicam no link, as vítimas são direcionadas para páginas clonadas do banco ou para formulários, que têm como objetivo a captura de dados pessoais.
O empresário que foi vítima afirmou que recebeu um telefonema de bandidos que se passaram por representantes do Pix e ofereceram que ele cadastrasse a chave de um determinado banco.
Acreditando nos criminosos, ele foi direcionado a um site que era idêntico ao da instituição bancária. Lá, acabou digitando os dados necessários para o golpe.
“O site era parecido com o do banco, fui ingênuo. Primeiro transferiram da minha conta R$ 4.900 e depois mais R$ 65 mil, através de uma guia de boleto. Eu não tinha limite no Pix”, disse o empresário, que preferiu não ser identificado.
Ele afirmou que tenta, junto a um processo administrativo com o banco, o ressarcimento do valor. “Se o banco não aceitar, vou entrar com processo via judicial. Acredito que tenho chances”, frisou.
Brenno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos (DRCC), alertou que a quantidade de golpes com o Pix vai aumentar.
“Todo tipo de tecnologia, os criminosos querem se aproveitar e, muitas vezes, as pessoas caem por falta de atenção. A gente recomenda o cuidado ao clicar em links que podem levar a ambientes onde é preciso inserir dados”, destacou.
Limites de valor ajudam na prevenção, diz Banco Central
Uma das formas de se proteger de golpes no Pix, ou pelo menos de perder altas quantias, é estabelecer um limite de valor para as operações. Segundo o Banco Central, estas quantias são estabelecidas nos limites que o mesmo cliente tem em outros instrumentos de pagamento, como cartões e TED.
Ainda de acordo com o banco, tais limites poderão variar a depender do perfil de cada cliente, do período, da titularidade da conta, do canal de atendimento e do procedimento para iniciação.
Para inibir a ação de criminosos, inclusive aqueles que tentam coagir o usuário a fazer transferências, todas as operações do Pix são rastreáveis, o que significa que o Banco Central e as instituições envolvidas podem, a mando das autoridades competentes, identificar os titulares das contas de origem e de destino de toda e qualquer transação de pagamento no Pix.
O banco destacou que o Pix utiliza várias medidas de segurança de ponta, como formas de autenticação e criptografia, adotadas na realização de outros meios de pagamento, como TEDs e DOCs, protegidas pelo sigilo bancário.
SAIBA MAIS
Roubo de dados da vítima
- A alta pela utilização do Pix fez com que golpistas de todo o País procurassem técnicas para roubar dados dos usuários e transferir quantias em dinheiro para outras contas.
- Os criminosos aproveitam o momento em que a vítima está fazendo o cadastro na plataforma para conseguir os dados necessários.
- Além do roubo de dados cadastrais, os golpistas utilizam outras maneiras de aplicar o golpe.
FORMAS DE GOLPE
Cadastro
- A principal forma de roubar dinheiro de usuários do Pix é enviando links para e-mails, redes sociais ou através de mensagens instantâneas, induzindo a pessoa a clicar no endereço eletrônico.
- Assim que clica no link, a vítima se depara com uma página idêntica à de sua instituição bancária, mas na verdade trata-se de um site clonado.
- Mas, sem perceber, o usuário acaba digitando dados que os golpistas têm acesso e, desta forma, eles conseguem fazer transferências de altas quantias.
Funcionário
- Outra forma de conseguir roubar os dados da vítima é quando o criminoso liga para a pessoa e se passa por funcionário de uma instituição financeira.
- Eles dizem que precisam fazer algum tipo de operação com urgência e, para isso, pedem dados como CPF ou até mesmo senhas.
Chaves
- Golpistas podem cadastrar chaves com CPF, e-mail ou celular do usuário como se fossem suas, de forma que os verdadeiros donos dos dados não percebam.
- Com isso, eventuais pagamentos para os reais donos podem ser direcionados aos criminosos. Porém, quando esse cadastro é feito, um código é enviado ao celular ou computador do dono da chave.
- O golpista terá então, que entrar em contato com o usuário, fingindo ser outra pessoa para pegar esse código e concluir o cadastro.
QR Code falso
- Ocorre quando o cliente recebe um QR Code falso para fazer o pagamento a alguém que se diz seu conhecido ou comerciante. Porém, o golpe direciona o pagamento aos criminosos.
Como não ser vítima
- Uma dica dos especialistas é que as pessoas só acessem os sites de bancos através dos endereços oficiais. É importante não tentar acessar os sites por meio de links enviados. Além disso, o usuário só deve baixar aplicativos em lojas oficiais.
- instituições financeiras, nunca pedem senhas ou código de validação de transações (tokens) fora de seus canais digitais.
- Depois de começar a utilizar o Pix, as pessoas devem sempre manter um programa que proteja o celular ou computador atualizado. Ela também deve evitar usar a internet em redes de wi-fi públicas.
- Quando for fazer uma transação via Pix, o usuário deve sempre entrar no ambiente seguro do banco.
- É recomendado que a pessoa faça a sua chave Pix para evitar que criminosos a utilizem indevidamente.
- O usuário nunca deve confirmar a sua chave para ninguém que ligar pedindo. Em caso de dúvida, entre em contato com o banco.
Fonte: Especialistas ouvidos e Pesquisa AT.
ANÁLISE
Atenção para contas e transferências
“Se parar para analisar friamente, o cheque também não é seguro. Muitos desses golpes são engenharia social, quando um golpista se passa por alguém para que o atacado faça o que ele está querendo. E isso pode acontecer com qualquer coisa, como cheque e cartão.
Mas como o Pix é novo, as pessoas estão mais vulneráveis de serem induzidas ao erro. As pessoas acabam não se atentando a questões simples de segurança e os golpes vão acabar acontecendo. Uma questão importante é ficar atento para qual conta a pessoa está fazendo a transferência, se os dados que ela está usando estão corretos”.
João Paulo Machado Chamon, especialista em Segurança da Informação