A expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo e o envelhecimento da população faz com que empresas iniciem um processo de mudança de mentalidade e coloquem em seu radar profissionais mais maduros.

“Os cinquentões são profissionais maduros, que estão no auge da vida, são mais confiantes e estão prontos para o trabalho. Eles têm experiência, já percorreram um caminho e voltam mais preparados” explicou a consultora em gestão de pessoas e mestre em psicologia organizacional do trabalho, Viviane da Mata.
Por terem vivido diversas experiências, eles tiveram mais tempo para exercitar diversas habilidades, o que pode se refletir em maior flexibilidade, capacidade de adaptação, empatia, paciência, maturidade emocional.
Até 2060, um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, segundo especialistas, as corporações precisam estar conectadas com esse cenário.
A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES) Kátia Vasconcelos explicou que a presença de profissionais com mais idade no mercado de trabalho é algo que até 15 anos atrás não se via com tanta frequência.
“Tínhamos uma estabilidade muito grande, as pessoas não se movimentavam tanto. E o final da carreira costumava ser a aposentadoria, que era por volta dos 55 anos”.
Ela explicou que além do aumento da expectativa de vida, as empresas começaram a olhar com mais atenção para esses profissionais porque as mudanças na lei da aposentadoria faz com que ela esteja cada vez mais distante.
Além disso, antes se tinha uma visão de que a carreira era a ocupação profissional do indivíduo. “Hoje entendemos que carreira não está ligada a ocupação profissional e que podemos ter diferentes carreiras ao longo da vida”.
Parte da solução
Márcia Probster, 51, é gerente de relacionamento com o cliente de uma empresa de tecnologia em sistemas de gestão. Com uma experiência de 24 anos trabalhando para a Federação das Indústrias (Findes), ela mostrou que tem conhecimento teórico e prático de sobra para o posto. Além de habilidades comportamentais.
Ela acompanha desde a implantação do sistema e uso até a satisfação do cliente. “Gosto muito de lidar com o cliente e fazer parte da solução”, salientou Márcia.
Especialistas ainda veem preconceito
O preconceito em relação à idade ainda é muito presente no mercado de trabalho, de acordo com especialistas em recrutamento e seleção e consultores empresariais.
“A gente tem hoje uma gama de serviços para os quais o mercado, às vezes, tem um certo preconceito em contratar os cinquentões”, destacou o consultor de empresas Sidcley Gabriel da Silva.
Ele explicou que o mercado muita vezes acredita erroneamente que esse profissional necessariamente vai ter dificuldade em lidar com a tecnologia, em trabalhar com aplicativos, por exemplo. “Usar a tecnologia é uma questão de conhecimento e não de idade”, diferenciou.
Outro preconceito é em relação a desatualização. Contudo, esse aspecto também não está relacionado a idade do indivíduo. Mas sim ao interesse por aprender, estar a par das novidades em sua área e acompanhar as mudanças.
A consultora em gestão de pessoas e mestre em Psicologia Organizacional do Trabalho, Viviane da Mata explicou que “no fundo tudo que a gente acredita como trabalho está ruindo”.
“As relações de trabalho estão mudando tão abruptamente. O que determina se aquela pessoa é boa ou não para uma vaga é a capacidade de entrega dela. Se as empresas abrirem seus processos seletivos para pessoas mais maduras, vão optar por tê-las em seus quadros”, opinou.
Maior nível de engajamento, menor desejo de pedir demissão, maturidade e experiência são alguns dos ganhos que as empresas podem ter com esses profissionais.
“Esse paradigma de que a pessoa com 50 anos é velha, é muito preconceituoso. Quebrando esses preconceitos, as empresas têm grandes possibilidades de terem excelentes colaboradores”, defendeu.
Ela lembrou que ao 50, as pessoas ainda estão em forma física, no auge da carreira, já criaram os filhos e estão mais disponíveis para o trabalho.
Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES) Kátia Vasconcelos, o caminho é diversificar a faixa etária nas empresas, de maneira com que pessoas de diferentes idades aprendam umas com as outras.
A psicóloga Sandra Milessi destacou que percebe nas pessoas mais maduras certa fidelidade a empresa em que trabalha e uma disponibilidade para ensinar os novatos. “O que acrescenta muito mais segurança ao desenvolvimento de uma empresa”.