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O 5G, nova tecnologia de conexão móvel, começará a funcionar no Brasil no ano que vem e a previsão é que no Estado sejam instaladas mais de 260 antenas com internet super-rápida até 2029.
A capital, que será a primeira contemplada, deve receber até julho de 2022 pelo menos três antenas. Somadas, até 2025, serão instaladas 139 estações em Vitória, Vila Velha e Serra.
As estimativas foram feitas com base no edital de licitação do 5G, publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
À reportagem, a Conexis Brasil Digital informou que o edital do leilão prevê, entre as obrigações, a instalação, nas capitais, de uma antena de 5G para cada 100 mil habitantes até 31 de julho de 2022.
Essa proporção entre antenas e habitantes vai se reduzindo até chegar a uma antena para cada 10 mil habitantes em 2025, no caso das capitais e municípios que têm acima de 500 mil habitantes (no Estado, Vila Velha e Serra, além de Vitória, se enquadram no critério).
Já nos municípios acima de 30 mil habitantes, a regra prevê que até 2029, devem ser instaladas uma antena para cada 15 mil habitantes.
A Conexis Brasil Digital ressalta que hoje as antenas já são bem menores que eram há alguns anos, mas no caso do 5G elas serão ainda menores.
“Para dar um exemplo, algumas dessas infraestruturas são do tamanho de uma caixa de sapato. Em locais em que há edificações, ela pode ser instalada em fachadas e topos de prédios e no mobiliário urbano, como placas de trânsito, lixeiras, bancas de revistas, postes de iluminação, etc. Onde não há edificações, as torres são necessárias”, exemplifica.
Mas atenção, pois nem todos os celulares disponíveis hoje vão ser capazes de acessar a rede 5G.
“Serão necessários celulares que tenham a tecnologia de quinta geração disponível, compatível com as frequências leiloadas. Já estão disponíveis no mercado brasileiro alguns modelos de aparelhos 5G, iguais aos comercializados em países que já adotam esta tecnologia.”
A perspectiva é que esses celulares fiquem mais baratos na medida em que o serviço começar a ser ofertado em escala maior, tornando mais popular o seu uso.
Acesso em 31 mil km de rodovias federais
As operadoras de telefonia que ganharam o direito de explorar as faixas do 5G têm como compromisso expandir a cobertura da rede móvel 4G para municípios e localidades que ainda não contam com essa geração de internet.
Entre as obrigações estão a ampliação da cobertura 4G em mais de 9 mil localidades e em 31 mil quilômetros de rodovias.
As rodovias selecionadas para receber o sinal foram as consideradas estratégicas para o transporte de passageiros e para o escoamento da produção agropecuária, como a BR-101, BR-163, BR-364, BR-242, BR-135 e BR-116. Os trechos exatos estão detalhados no edital.
Em cerimônia de abertura do leilão 5G, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler de Morais, citou que os caminhoneiros são usuários prioritários das novas faixas de banda larga.
“Mais de 31 mil quilômetros de rodovias federais sem acesso móvel celular serão dotadas de cobertura 4G. Entre elas, as BRs 163, 364, 242, 135, 116 e 101. Rotas de integração importantíssimas na malha rodoviária federal. Fundamental para a segurança dos passageiros, bem como para a eficiência do escoamento da produção agrícola e industrial.”
O edital do 5G prevê também que uma parte das operadoras de telefonia vencedoras do leilão terá que investir mais de R$ 7 bilhões em um programa destinado a levar internet de qualidade às escolas públicas de educação básica do País. As metas e prazos dessa contrapartida ainda não estão definidos.
O Ministério da Educação, junto com o grupo responsável pelo acompanhamento e definição das prioridades do projeto das escolas, informou recentemente que vai definir a ordem de prioridade das escolas, qual é a conexão necessária para cada uma, e a tecnologia.
Arrecadação
No maior leilão da história do País, atrás apenas da licitação do pré-sal, a Anatel conseguiu vender praticamente todos os lotes de frequências ofertados do 5G.
O governo conseguiu arrecadar R$ 7,089 bilhões, um ágio de 247% sobre o lance mínimo das faixas ofertadas ontem, de R$ 2,043 bilhões. Os números foram calculados pela Conexis Brasil Digital, entidade que representa as maiores operadoras do País.
Entenda
Smartphones
– Para ter acesso pleno aos benefícios do 5G, é necessário um aparelho compatível com a nova tecnologia. No Brasil, ainda são poucos os aparelhos comercializados com essa tecnologia, e geralmente com valores mais altos. A tendência é que com a ampliação da rede o valor possa ter queda.
– O primeiro smartphone homologado compatível à tecnologia 5G no Brasil foi lançado no final de junho de 2020. No entanto, ainda que o usuário adquira tal equipamento, para que os benefícios do 5G sejam desfrutados é necessária a implantação das redes por parte das prestadoras.
Custo mais alto?
– Ainda não se sabe se haverá algum tipo de reajuste nos preços cobrados pelas operadoras, pois ainda deve levar meses para que a tecnologia seja disponibilizada.
– As operadoras geralmente não oferecem acesso exclusivo a um tipo de tecnologia de rede, mas cobram pela franquia de dados utilizados. As pessoas pagam mais quando usam mais. Mas com uma tecnologia mais rápida, é possível que o consumo da pessoa seja maior também.
Acesso restrito
– O acesso inicial ao 5G deve ficar concentrado nas maiores cidades do País e em regiões com maior poder aquisitivo. As operadoras devem instalar as antenas em bairros com uma demanda maior da conexão, e a tecnologia ainda é compatível com poucos celulares (geralmente custam mais).
O que as empresas vencedoras do leilão devem entregar
– Construção de Redes Públicas e de Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal.
– Construção de seis infovias (rede de fibra óptica, via fluvial) na região amazônica, o que tirará milhares de pessoas do chamado “deserto digital”.
– Cobertura de 48 mil km de malha rodoviária com sinal de redes móveis até 2028.
– Conectividade nas escolas públicas de ensino básico.
– Garantir a qualquer cidadão inscrito no Cadastro Único o recebimento gratuito de kit de migração com um novo receptor de TV e nova antena para que continue tendo acesso ao sinal de TV.
Fonte: Ministério das Comunicações e pesquisa A Tribuna.