A cada reajuste da Petrobras no preço da gasolina, quem trabalha diretamente com entregas por aplicativo sofre. O combustível fica mais caro, mas a correção da remuneração dos entregadores não acompanha, e os motoboys perdem dinheiro.
E, de aumento em aumento, entregadores no Estado se viram em um beco quase sem saída: a não ser trocar a moto pela bicicleta para economizar e conseguir sobreviver da profissão. A migração das motos para bicicleta tem sido cada vez mais comum. Enquanto motos são deixadas na garagem, as bicicletas vão ganhando as ruas.
Quem fala sobre essa migração é o presidente do Sindicato dos Mototaxistas e entregadores do Estado, Luciano Ferreira Santana. Para ele, apesar de ser mais cansativo, fazer entregas pedalando tem sido mais vantajoso.
“A migração está acontecendo devido ao alto preço do combustível. E o aluguel de uma bicicleta é entre R$ 10 e R$ 12. Pelo valor do combustível está valendo passar a fazer entrega de bicicleta. Tem entregas que não valem a pena pelo preço e tem motoboys que já estão recusando entregas”, revelou.
Quem já abandonou a moto e está fazendo entregas há mais de um mês é Leonaldo Dantas Santos, de Vila Velha. Segundo ele, o dinheiro que ganhava com as entregas ia para a gasolina e a manutenção da moto. O amigo dele, Jhoni César da Vitória, também entregador, já admitiu que vai trocar a moto pela bicicleta em breve.
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“O combustível ficou muito caro e está difícil para quem trabalha com entregas. Conheço muitos que mudaram para bicicleta. Não está dando pra ficar abastecendo. Estou economizando cerca de 50%. Cansa mais de bicicleta, mas vale a pena. Estava pagando para trabalhar com a moto”, contou Leonaldo.
Procurado, o iFood informou que não divulga se houve redução ou aumento no número de entregadores por “questão de estratégia de negócio”, diz trecho da nota.
Mas a empresa afirma que tem “o total de 200 mil entregadores”, e que fez em 12 meses três reajustes para a categoria.
Além disso, informou que reajuste mais recente foi feito no último dia 2 de abril passando para R$ 6 (taxa mínima por entrega) e R$ 1,50 (valor mínimo por km rodado). Um entregador que antes ganhava pelo menos R$ 10 numa rota de 10km, passou para, pelo menos, R$ 15, segundo a empresa.