
Os especialistas classificam alguns casos como “pérolas”. Há situações em que é preciso se esforçar para desvendar o que eles estão querendo dizer.
Um dos exemplos foi citado pela diretora da Center RH, Eliana Machado. Ela disse que um estudante de Administração escreveu que sua profissão era “alface boi”. Na verdade, ele queria dizer: office boy.
Outro universitário, que também disputava vaga de estágio, escreveu que o seu curso era “Adiministração” e não Administração. Nesses casos, a eliminação é certa.
Ela destacou que a redação é uma ferramenta muito usada na hora da seleção, pois é por meio da produção de texto que é possível identificar erros de Português, ortografia e a organização das ideias.
No levantamento do Ciee em nível nacional, é possível encontrar erros inclusive nas provas feitas pelos candidatos de nível superior. Em avaliações de 30 questões de múltipla escolha, por exemplo, houve somente quatro acertos.
Em outra, a palavra empresa foi escrita com as letras i e z, ficando assim: “impreza”, além de profissão com ç: “profição”.
Em uma redação que tinha como tema mercado de trabalho, o texto foi entregue com apenas uma linha.

“Por incrível que pareça, nós selecionamos seis candidatos para a empresa fazer a entrevista, mas é recorrente faltarem pelo menos dois. Acontece por falta de responsabilidade, de interesse ou pelo momento mesmo”, afirmou.
Já a coordenadora de estágio do IEL-ES, Lorena Sathler, frisou que o comportamento dos estudantes também tem contado muito, por exemplo, a falta de iniciativa e da maneira de se portar. “Dificuldade de se expressar e falta de flexibilidade são falhas observadas.”
Algumas das falhas apontadas
A reportagem de A Tribuna teve acesso a alguns recortes do estudo, que será divulgado na íntegra ainda nesta semana.
Um ditado, com 30 palavras do cotidiano, como “exceção”, “textura”, “artificial”, “autorizar”, “licença”, “desperdício” e “sucesso”, foi aplicado. Quem cometesse mais de sete erros não era aprovado.
Os resultados apontaram maior ocorrência de desconhecimento da língua por parte dos mais jovens. A taxa mais alta de reprovação ficou com os estudantes de 16 a 24 anos, com 46%. Já entre os adultos de 25 a 30 anos, o percentual foi de 21%.
Levantamento do Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) em nível nacional também apontou que algumas empresas encontram dificuldades em seleções por falta de qualificação dos candidatos, com problemas com o Português. No Sudeste, por exemplo, o número de vagas abertas chega a 10.666, e o levantamento apontou que 15% delas não são preenchidas porque falta qualificação.