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Economia

Espera de até 18 dias para receber auxílio

Criado pelo governo federal para ajudar quem perdeu renda por causa da pandemia do novo coronavírus, o auxílio emergencial se tornou uma preocupação ...

Marlene Fabrício Rosa, de 50 anos, fez o seu cadastro

Última atualização

Criado pelo governo federal para ajudar quem perdeu renda por causa da pandemia do novo coronavírus, o auxílio emergencial se tornou uma preocupação para milhares de pessoas que têm direito, mas ainda não receberam o benefício. O valor pode chegar a R$ 1.200.

Para muitos, a espera já é de 18 dias, contados a partir do momento em que foi lançado o aplicativo Caixa Auxílio Emergencial.

Os problemas apontados pelos usuários da ferramenta são inúmeros, como avisos de CPF inexistente, aprovação em análise e até mesmo fraude em cadastro.

Uma das pessoas que está esperando a liberação do dinheiro é a autônoma Luciane Irene Barros Itabaiana, de 55 anos, moradora do bairro Vale Esperança, em Cariacica. Ela revelou que está sem poder trabalhar desde o mês passado.

“Fiz o cadastro assim que lançaram o aplicativo e, no primeiro momento, apareceu a mensagem de que o meu CPF estava inválido. Esperei uns dias e fui tentar de novo. Preenchi tudo e recebi a mensagem de que os dados não conferiam com os da Receita Federal.”

O autônomo Paulo Roberto da Silva de Lima, de 31 anos, disse que os R$ 600 a que tem direito já entraram em sua conta digital, mas que não consegue movimentar a quantia. Ele também está sem poder trabalhar desde março.

“Fiz o cadastro logo no início do mês. Foi aprovado há uns 15 dias e vi, pelo aplicativo, que o dinheiro está disponível. Me informaram que eu só poderia usar o valor de forma digital, transferindo para outra conta. Mas não consigo fazer isso. Dá erro”, relatou.

Marlene Fabrício Rosa, de 50 anos, fez o seu cadastro (Foto: Beto Morais/AT)Aviso de que CPF já está sendo usado

Assim que o aplicativo Caixa Auxílio Emergencial foi lançado, a costureira Marlene Fabrício Rosa, de 50 anos, fez o seu cadastro. A partir daí, começou uma longa espera de 16 dias para a aprovação.

Na última quarta-feira, Marlene recebeu a confirmação de que sua solicitação havia sido aprovada. Porém, outro problema surgiu. Quando ela tentou acessar o aplicativo Caixa Tem, para verificar a situação de seu auxílio, foi surpreendida com a notícia de que seu CPF já estava sendo usado.

“Não sei se alguém está usando de má fé, ou se é algum erro no sistema. Só tenho dinheiro para comprar comida e o aluguel já está atrasado. Esse dinheiro é essencial para mim, minha vida está parada”, afirmou.

O Senado aprovou o auxílio no dia 30 de março. Em 7 de abril, o aplicativo para quem não estava inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) foi lançado.

A Caixa informou que já creditou cerca de R$ 16 bilhões em auxílio para mais de 24 milhões de brasileiros. Mais de 44 milhões de cadastros já foram realizados e 10 milhões de contas foram abertas.

O cadastro pode ser feito até 2 de julho. Quem tiver problemas pode ligar para a central da Caixa, no número 111, ou para a central do Ministério da Cidadania, no 121.

Promessa de pente-fino

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira que o governo federal deve levar mais 10 dias para processar todos os cadastros para recebimento do auxílio emergencial.

“Esse pente-fino que está sendo feito, mais uns 10 dias deve chegar a um ponto final. Antes de completar os 30 dias do recebimento da primeira parcela vai começar a pagar a segunda”, prometeu, em live transmitida pelo Facebook.

Sem 2ª parcela antecipada

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o anúncio da antecipação da segunda parcela do auxílio emergencial — posteriormente revogada — foi feito sem a sua autorização.

A antecipação foi anunciada na segunda-feira, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto da qual participaram o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

Na quarta-feira, o Ministério da Cidadania voltou atrás e informou que a antecipação não iria acontecer, devido a falta de recursos.

O comentário de Bolsonaro foi feito em publicação em sua página no Facebook.

Uma seguidora afirmou que o governo havia “cancelado” o auxílio e perguntava como o povo iria “sobreviver”. Bolsonaro, então, respondeu, na rede social, que “nada foi cancelado” e que “um ministro anunciou sem estar autorizado que iria antecipar a segunda parcela”.

“Primeiro, se deve pagar a todos a primeira parcela, depois, o dinheiro depende de crédito suplementar, já que ultrapassou em quase 10 milhões o número de requerentes. Tudo será pago no planejado pela Caixa”, completou.


Análise


“Dificuldade de acesso ao crédito”, Eduardo Araújo, economista

Eduardo Araújo, economista (Foto: Divulgação)“Há urgência no pagamento do auxílio emergencial do governo federal porque grande parte dos trabalhadores informais que se cadastraram para receber o benefício não contam com reserva financeira para suportar tanto tempo sem renda.

A urgência também é por conta da dificuldade de acesso ao crédito. Muitas pessoas que solicitaram o auxílio já têm dívidas e, por não terem vínculo formal, possuem restrições para acesso ao crédito bancário.
Com isso, muitos são forçados a pagar juros abusivos em financeiras, complicando ainda mais a situação dessas pessoas.

A celeridade na liberação desse benefício federal é importante também para ajudar a colocar mais recursos em circulação na economia local.

Há que se reconhecer que a legislação aprovada no Congresso Nacional dificultou a operacionalização desses pagamentos. Poderia ter sido aprovada uma regra mais simples.

Porém, isso não deve ser justificativa para atrasos, pois é crítica a situação de muitos brasileiros com o agravamento da pandemia do coronavírus.”

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