Com juros menores e prestações reduzidas, o governo federal lançou ontem o novo programa habitacional batizado de Casa Verde e Amarela, que substituirá o Minha Casa Minha Vida. No Estado, cerca de 6 mil imóveis serão construídos com valores abaixo de R$ 130 mil.
Lançado em cerimônia no Palácio do Planalto, o programa passa a dividir o público alvo em três grupos: famílias com renda mensal de até R$ 2 mil; entre R$ 2 mil e R$ 4 mil; e entre R$ 4 mil e R$ 7 mil.
O novo programa deixou otimistas os empresários do setor imobiliário no Estado. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Paulo Alexandre Baraona, disse que a maioria dos empreendimentos vai se concentrar na Grande Vitória.
Haverá imóveis, também, em regiões onde estão previstos grandes investimentos, como Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, São Mateus, entre outras cidades.
Como comparação, ele lembra que, nos últimos três anos, foram construídos cerca de 12 mil imóveis no Estado, incluindo os do programa Minha Casa Minha Vida.

Nesse caso, os imóveis teriam em média 40 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha e banheiro. “Acredito que vão manter o mesmo padrão e tamanho. Deve mudar só a forma de financiamento, taxas e a questão da carência. Os preços devem variar de R$ 50 mil a R$ 130 mil”, disse.
A taxa de juros para as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste será de até 4,5% ao ano. Já no Norte e Nordeste ela será menor, podendo chegar a 4,25% ao ano. Atualmente, as taxas praticadas pelo mercado variam de 5% a 5,5% ao ano.
A meta é atender 1,6 milhão de famílias de baixa renda em todo o País, com o financiamento habitacional até 2024. Isso será possível em função de negociações com o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que subsidia o programa, e com a Caixa Econômica Federal, que é o agente financeiro.
Plano de comprar casa própria
Comprar uma casa própria faz parte dos sonhos do professor Lucas Martins da Vitória, de 25 anos, desde 2018. Mas, neste ano, ele passou a dividir esse plano com a dona de casa Silvana Maria Briel Martins, 27 anos, com quem se casou em março. O casal mora em Santa Teresa, região serrana capixaba.
Há dois anos, Lucas chegou a participar de um processo para comprar um apartamento na Serra, pelo programa Minha Casa Minha Vida, mas o negócio não foi efetivado. Agora, ele pretende tentar novamente pelas regras do novo programa federal, o Casa Verde e Amarela.
SAIBA MAIS
CASA VERDE E AMARELA
O que é?
- O Casa Verde e Amarela será o novo nome do programa Minha Casa Minha Vida, que foi criado em 2009 e proporciona condições mais atrativas para o financiamento de casas em áreas urbanas.
- O projeto foi iniciado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no País.
- A medida provisória com a reformulação do programa foi assinada ontem, no Palácio do Planalto, pelo presidente Jair Bolsonaro.
- No Espírito Santo, a expectativa é de que cerca de 6 mil imóveis sejam construídos até 2024 dentro da reformulação do programa.
Valores iniciais
- Com a continuação do programa, o governo federal planeja oferecer, até o final deste ano, R$ 25 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 500 milhões do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS).
- Entre os principais objetivos da reformulação estão oferecer uma taxa de juros mais baixa e ampliar o número de famílias beneficiadas.
GRUPOS DIFERENTES
O programa dividirá os beneficiários em três grupos. Eles vão se diferenciar por renda mensal e taxas de juros a serem aplicadas. Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida possui quatro faixas:
- Faixa 1: para famílias com renda até R$ 1.800.
- Faixa 1,5: para famílias com renda entre R$ 1.800 e R$ 2.600.
- Faixa 2 : para famílias com renda entre R$ 2.600 e R$ 4.000.
- Faixa 3: para famílias com renda entre R$ 4.000 e R$ 7.000.
JÁ O CASA VERDE E AMARELA TERÁ TRÊS FAIXAS DE RENDA:
GRUPO 1:
Famílias com renda de até R$ 2 mil mensais
- O imóvel será subsidiado (governo não detalhou o valor do subsídio). Os beneficiários desta faixa terão financiamento com juros reduzidos (a partir de 4,25% ao ano para Norte e Nordeste e a partir de 4,5% ao ano para demais regiões) e, além disso, será possível fazer regularização fundiária e reformas no imóvel.
GRUPO 2:
Famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 4 mil
- O governo elaborou taxas de juros que partem de 4,75% ao ano para Nordeste e Norte, e de 5% para as demais regiões, para este grupo. Também será possível a regularização fundiária.
GRUPO 3:
Famílias com renda entre R$ 4 mil e R$ 7 mil
- O financiamento para quem está neste grupo terá taxa mais alta do que a cobrada dos grupos 1 e 2 (a partir de 7,66% em todas as regiões do Brasil). Também será possível acessar a regularização fundiária para resolver diversos problemas, como os cartorários.