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Economia

Exploração de urânio: “Jazida atômica” pode mexer com a economia capixaba?

País tem uma das maiores reservas do mineral e decreto irá autorizar investidores privados, o que pode beneficiar o Estado

Marcos Orlando disse que o Estado pode se beneficiar com decreto que aumentaria produção de urânio no País
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

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Com uma das maiores reservas de urânio do mundo, o Brasil planeja aumentar a produção, passando a permitir a participação de investidores privados na mineração, por decreto previsto para ser publicado este ano.

Mas será que a exploração de “jazidas atômicas” podem mexer com a economia capixaba? Especialistas dizem que, no longo prazo, o Espírito Santo pode, sim, se beneficiar economicamente.

O economista do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Vaner Corrêa, afirma que há um potencial relevante de impacto indireto para o Estado, sobretudo por sua estrutura logística, por exemplo.

Ele citou alguns fatores que favorecem o Estado, incluindo infraestrutura portuária competitiva; proximidade com a Bahia, onde fica a única mina em atividade no País; ecossistema mineral e industrial; e a cadeia de serviços e logística.

“Portos capixabas podem funcionar como hub de exportação de minerais estratégicos, inclusive urânio processado ou insumos da cadeia nuclear. Empresas de transporte, engenharia, consultoria e comércio exterior sediadas no Estado podem se beneficiar”.

Uma das maiores mineradoras do mundo e presente no Estado, a Vale, em 2007, demonstrou interesse em entrar no mercado de urânio. Procurada pela reportagem, a empresa disse que “está sempre avaliando oportunidades de negócio, mas mantém o foco nas três áreas em que já é competitiva: minério de ferro, cobre e níquel”.

Marcos Tadeu Orlando, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e mestre em Tecnologia Nuclear, reforça que o Estado pode ser beneficiar a partir da oficialização do decreto, que teve a minuta encaminhada em fevereiro para a Casa Civil.

“O Brasil deveria planejar ampliar o beneficiamento do urânio no País e fortalecer a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o que pode favorecer muitas regiões, e o urânio pode passar pelo Estado”.

Mas o professor, que também é físico nuclear, disse que há muitos grupos interessados na exportação, para lever o urânio de forma bruta para fora do País.

O Estado pode capturar algum ganho marginal em logística e serviços, porque tem portos competitivos e know-how mineral, mas, hoje, o arranjo concreto da cadeia não aponta para um benefício relevante ou imediato, avaliou o economista Eduardo Araújo. “O Espírito Santo tem atributos que poderiam, em tese, favorecer uma participação futura”, afirmou.

O urânio



Minério de urânio é toda concentração natural de minerais na qual o urânio ocorre em proporções e condições tais que permitam sua exploração econômica.

O nome urânio faz uma alusão ao planeta Urano. As reservas economicamente atrativas dependem do teor da substância presente no minério, e tecnologia utilizada para a extração e beneficiamento.

Reservas de urânio

Reserva

O País tem hoje a sexta maior reserva de urânio do mundo. O Serviço Geológico do Brasil diz que há potencial para se tornar a quinta maior.

Mas apenas uma fração disso chega a ser, de fato, extraída, devido à falta de pesquisas geológicas precisas e a gargalos operacionais e financeiros.

Monopólio

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) é uma estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, responsável pelo monopólio da mineração, beneficiamento e enriquecimento de urânio no Brasil.

Com sede principal em Caetité (BA), a empresa atua em todo o ciclo do combustível nuclear, essencial para o abastecimento das usinas nucleares de Angra 1 e 2, em Angra dos Reis (RJ).

Como é feita a mineração?

O minério é extraído da mina e transportado por caminhões para ser britado. Após passar por operações de redução do tamanho, o material é disposto em pilhas e recebe uma solução de ácido sulfúrico que extrai o urânio da rocha.

Este licor de urânio é purificado e tratado com diversos processos químicos e físicos de separação, o que gera o concentrado de urânio, também conhecido como yellowcake. Este material é armazenado em tambores especiais, inteiramente vedados, e segue para outra etapa do ciclo do combustível nuclear: a conversão.

Parceria com empresas privadas

Um decreto que estabelece os critérios de como devem ser feitas as parcerias da INB com companhias privadas deve ser publicado até o próximo mês, já tendo atraído interesse de grandes empresas de mineração e de fertilizantes. O documento regulamenta uma lei sancionada em 2022, que autorizou a INB a fazer parcerias para produzir urânio, da extração do mineral à fabricação do combustível que abastece usinas nucleares.

O urânio é essencial para a geração de energia nuclear, que voltou à mira de investidores nos últimos anos por não emitir carbono e garantir fornecimento constante de eletricidade, ao contrário de unidades solar e eólica.



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