
Estudo do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Estado (Ideies) reforçou que a crise na China causou falta de produtos, como componentes eletrônicos, maquinários e, também, peças de carros.
“Materiais importados da China para equipamentos de tecnologia, como televisão, celulares e acessórios, que costumam ir para a indústria de Manaus e São Paulo, não estão chegando. Já há dificuldade para abastecer o varejo daqui”, disse o diretor da Federação de Comércio (Fecomércio-ES) e vice da Federação da Indústria do Estado (Findes), José Carlos Bergamin.
A indústria têxtil, segundo ele, já sente os impactos, com atrasos no recebimento de tecidos para produção de roupas, além de artigos de inverno, que costumam vir da China. A alternativa tem sido buscar produções locais de tecidos.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, Estanislau Ventorim, reforçou que em 90 dias deve começar a faltar eletrônicos. “Por enquanto, os produtos ainda estão disponíveis, não há desabastecimento”, enfatizou.
Já o presidente do Sindicato do Comércio de Importação e Exportação (Sindiex), Marcílio Machado, disse que portos e fábricas chineses ficaram período maior que o previsto fechados, o que atrasou a importação e a exportação de produtos.
“Materiais que chegariam no final de janeiro só vão chegar este mês. As que chegariam em fevereiro só vão chegar no início de abril. Uma gama variada de produtos foi afetada, de eletrônicos a perfumes.”
Economistas e analistas de bancos já começam a projetar novas quedas da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de que ela fique entre 3,75% e 3,5% até o fim do ano. O motivo foi o Federal Reserve, banco central dos EUA, ter anunciado novo corte de 0,5 ponto percentual nos juros para um intervalo entre 1% e 1,25%.
A medida foi uma decisão emergencial para tentar conter os possíveis impactos econômicos do coronavírus sobre os Estados Unidos.
Prevista queda no PIB do Estado

“É provável que aconteça uma queda no PIB. É uma consequência da diminuição do comércio entre o Estado e a China, bem como com outros países com o vírus”.
Ele disse não ser possível estimar o percentual da queda, pois os números do primeiro trimestre ainda não estão fechados, mas que acredita em uma movimentação mundial rumo a uma retomada na economia. “O problema atingiu várias nações. Já se nota uma movimentação para a criação de estímulos em prol de uma retomada econômica”, enfatizou.
Análise
“Exagero pode levar à piora da economia e ao desemprego”

Há um pânico generalizado, o que é comum, já que há o medo de uma nova recessão, que causaria mortes e miséria para a população. O pânico é tanto que a venda de máscaras aumentou. Não é motivo para isso. É um exagero, com certeza. O mercado é movimentado por expectativas, e há, no momento, grande incerteza. Cabe ao governo apresentar uma linguagem simples para mostrar que a situação está sob controle, com relatórios que mostrem que não há razão para pânico.”
Ricardo Paixão, economista