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O período mais crítico da pandemia foi difícil para diversos setores da economia, em especial para os bares e restaurantes. Foram meses de restrições que ocasionaram poucas vendas e inúmeras empresas que precisaram fechar as suas portas.
O avanço da vacinação e a flexibilização das medidas sanitárias aumentaram a expectativa de um verão mais movimentado. Porém, a escassez de vidro no mercado pode ameaçar a produção de cerveja, principalmente para as cervejarias menores, como as artesanais.
De acordo com Juliana Ronchi Reggiani, presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas do Espírito Santo (Sindibebidas), um dos motivos que dificulta a entrega das garrafas é a logística a nível mundial.
“A logística do mundo está em colapso. Nós estamos com falta de contêineres, os fretes que antes estavam em torno de US$ 2.000 (R$ 11.364) estão chegando a US$ 10.000 (R$ 56.820). Tudo está absurdamente caro”, explicou.
Além de falta do material, também há relato de demora na entrega. Juliana destacou que as cervejarias menores devem ser as mais prejudicadas com o cenário.
“Hoje nós temos duas produtoras de garrafas no Brasil. Todas as duas já devem estar com os contratos fechados com a Ambev. Então, os produtos de menor escala que são as microdestilarias e as microcervejarias ficam com esse tipo de insumo comprometido”.
Ela ressaltou que a alta do dólar também aparece como um dificultador. “As garrafas mais sofisticadas são importadas. Com a alta do dólar e a crise logística que aumentou o preço do frete absurdamente, tudo acaba comprometendo pois o preço torna o produto inviável no mercado”, pontuou.
Rodrigo Vervloet, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes no Estado (Sindbares), afirmou que, apesar do problema, o preço das bebidas não deve subir no momento. “Apenas se os fornecedores repassarem qualquer custo por conta dessa escassez”, frisou.
Quem já se preparou para não perder vendas durante o verão é Léo Leal, dono da Convento Cervejaria. Ele fez um estoque que deve durar cerca de quatro meses.
“Para não ficar sem, eu estoquei. O que é péssimo para a indústria, pois é dinheiro parado. Mas decidi prevenir. Tenho condições de me autoabastecer por pelo menos quatro meses”, disse.
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Malte também pode afetar produção
Além da falta de garrafas de vidro, que pode prejudicar a produção de cerveja durante o verão, outro insumo em escassez também deve atrapalhar os planos dos fabricantes da bebida: a falta de malte, produto que é a base da cerveja.
Marcelo de Carvalho Marinho, da Cervejaria Trindade, afirmou que, em seu último pedido, solicitou 50 sacas, mas recebeu somente 25, ou seja, a metade. A justificativa que ele vem ouvindo dos fornecedores é que o insumo está em falta.
“Eles alegam que não têm estoque. Esta semana, eu fiz um outro pedido, de 40 sacas, e só vou saber quantas receberei quando o pedido embarcar. Para as cervejarias artesanais, isso pode ser muito prejudicial”, destacou.
Segundo o empresário, um dos motivos para a escassez do produto é a entressafra da cevada vivenciada na Europa. “A Europa teve dois anos de entressafra e a cevada fabricada aqui passou a ser exportada. Além do aumento da demanda do mercado interno, após um ano muito ruim. Como a situação da pandemia melhorou, o consumo ampliou também”, disse.
Para tentar se prevenir, pelo menos durante o mês de janeiro, Marcelo afirmou que vai comprar para estocar. “Não dá para comprar muito, pois Vitória é úmida. Mas vou tentar guardar um pouco para ter garantido pelo menos durante o mês de janeiro”, finalizou.
Processo de reciclagem de garrafas sai mais caro
A reutilização de garrafas de vidro poderia ser a solução com a escassez de produção de novas. Porém, o alto custo do processo faz com que as empresas optem por comprar novos produtos, segundo especialistas da área.
Léo Leal, dono da Convento Cervejaria, destacou que, atualmente, não compensa reutilizar as garrafas de vidro. “A garrafa de vidro de cerveja não pode retornar para o sistema sem ser totalmente sanitizada e esse processo é muito caro. Às vezes, mais caro que a própria garrafa”, explicou.
Ele destacou que, além da sanitização, também é necessário um processo de pasteurização para que as garrafas voltem a circular.
“Depois de sanitizada, ela precisa ser pasteurizada. A pasteurização é para aumentar o tempo de vida da cerveja na gôndola. Quando se coloca na pasteurização, a garrafa não aguenta por já ter passado por esse processo. Isso inviabiliza o uso novamente”.
Tudo isso, segundo ele, faz com que as empresas prefiram comprar novas garrafas. “As garrafas novas passam por processos mais simples de limpeza”, disse.
Juliana Ronchi Reggiani, presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas do Espírito Santo (Sindibebidas), destacou que o tamanho de uma máquina para fazer o processo de reutilização é muito grande, o que também aparece como um dificultador, especialmente para as cervejarias de pequena escala. “Ninguém tem condições de ter uma máquina desse porte. É uma máquina maior que dois carros juntos”.
SAIBA MAIS
Falta de insumos
- A chegada da pandemia de coronavírus e a consequente paralisação das atividades comerciais provocou uma crise sem precedentes no fornecimento de insumos de diversos tipos, necessários no mercado.
- Entre eles, está o vidro, necessário para a produção de garrafas, como cervejas, cachaças e vinhos.
- Especialistas afirmam que a pandemia dificultou também as questões logísticas em todo o mundo, deixando o frete mais caro.
- Além disso, a alta do dólar também influencia no preço das garrafas.
- Por causa destes e outros motivos, as garrafas de vidro começaram a faltar no mercado, ainda em 2020.
Custo elevado
- O custo das garrafas aumentou, segundo especialistas. Com isso, é possível que algumas empresas precisem aumentar o preço da cerveja.
- “Às vezes a gente segura um pouco o aumento. Antes da crise, eu comprava uma garrafa de 500 ml a R$ 1,70. Hoje, essa mesma garrafa está custando até R$ 3,00. Não tem como não repassar”, afirmou Léo Leal, dono da Convento Cervejaria.
- Além de escassez das garrafas e do aumento dos custos, ainda há relatos de demora na entrega por parte dos produtores de cervejas.
Estoque
- Para evitar que falte a bebida durante o verão, que é um dos períodos mais movimentados do ano para o setor, empresários produtores de cerveja estão estocando as garrafas.
- Especialistas reforçaram que as empresas que conseguiram se organizar e planejar o verão, não devem sofrer com a falta do insumo.
- Porém, aquelas que não fizeram um cronograma, devem sofrer para conseguir comprar o produto dos fornecedores, sendo possível que precisem aumentar ainda mais o valor das bebidas.
Fonte: Especialistas citados e Pesquisa AT.