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Economia

Falta dinheiro para pagar o auxílio emergencial

O auxílio emergencial de até R$ 1.200, pago pelo governo federal a trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores individuais devido à ...

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Shandley ficou nove horas aguardando em frente à agência da Caixa por correr risco de ser despejado de casa (Foto: Leonardo Bicalho)

O auxílio emergencial de até R$ 1.200, pago pelo governo federal a trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores individuais devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, já tem 17 milhões a mais de beneficiários do que o previsto inicialmente, segundo o Ministério da Cidadania.

A princípio, a previsão era de que 54 milhões de pessoas receberiam o auxílio no País. Cerca de 1 milhão no Estado. Agora já são 71 milhões, em torno de 1,420 milhão no Espírito Santo.

E a demora em anunciar o novo calendário com a segunda parcela de pagamento do benefício, segundo a Revista Veja, é devido à falta de recursos para bancar o auxílio.

“O grande nó está no orçamento, que não será suficiente para suprir a demanda de todos os informais. Como o governo não tinha cadastrado uma boa parte de brasileiros, os 98,2 bilhões de reais destinados inicialmente ao programa não eram suficientes para pagar as três parcelas”, diz a publicação.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que o orçamento inicial de R$ 98,2 bilhões pode ser ampliado, mesmo que a liberação de mais recursos aumente o rombo nas contas públicas.

“Caso haja demanda além dos R$ 98,2 bilhões, o governo analisará e, atendendo a diretriz de cobertura dos mais vulneráveis e da manutenção do emprego, (a demanda) será atendida. Isso vai criar aumento das despesas primárias, mas a diretriz do governo é direta. Em 2020, associado à calamidade pública, não faltará recursos para atendimento”, garantiu.

De acordo com os economistas Wallace Millis e Marcelo Loyola Fraga, há dois caminhos para o governo conseguir mais recursos: um é emitir mais títulos do Tesouro e vendê-los no mercado, e outro é emitir mais moeda.

O ministro Paulo Guedes, na última quinta-feira (07), admitiu a possibilidade de emissão de moeda e de compra da dívida interna pelo governo. “Tecnicamente, o Banco Central pode, sim, emitir moeda e comprar dívida interna, porque, se a taxa de juros for muito baixa, ninguém quer comprar título longo. E aí você pode monetizar a dívida, sem que haja impacto relacionado”, afirmou.

Marmita de sopa dividida na fila

Sem trabalho de carteira assinada há mais de dois anos, o ambulante Shandley Wendel Gomes da Silva Mattos, de 28 anos, viu sua história de vida se complicar ainda mais com a crise causada pela pandemia de Covid-19.

Trabalhando todos os dias em terminais de ônibus, dentro dos coletivos e também pelas ruas da Grande Vitória, ele foi pego de surpresa pela crise, já que seus clientes foram obrigados a ficar em isolamento social.

Prestes a ser despejado, Shandley se viu obrigado a vender todo o seu material de trabalho (fones de ouvido e carregador de celular) por um valor abaixo do mercado aos seus “parceiros de luta” – como ele se referiu a outras pessoas que também são ambulantes – para ter dinheiro para honrar com o aluguel da casa onde mora.

Com a notícia do auxílio emergencial do governo de até R$ 1.200, o vendedor ficou otimista. Mas como muita coisa em sua vida não foi fácil, desta vez não seria diferente. Ele passou 9 horas na fila da agência da Caixa Econômica Federal de Campo Grande, em Cariacica, para receber o benefício e disse que se precisasse dormiria por lá.

Enquanto esperava para sacar o auxílio (ele nasceu em março), Shandley contou com a caridade de um morador de rua, que dividiu com ele uma marmita de sopa, doada por voluntários.

O vendedor contou que, ainda novo, precisou deixar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas de casa. Com isso, não consegue melhores oportunidades de emprego, pois sequer tem o ensino médio completo, exigido pela maioria das empresas.

Para “seguir tocando a vida”, Shandley vai comprar, com parte do auxílio, os acessórios para celular e voltar com as vendas, mesmo sabendo que a clientela estará menor. “Não posso ficar parado”.

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