O empréstimo é a saída a que muitos brasileiros recorrem para honrar seus compromissos financeiros, que extrapolam o orçamento mensal. Mesmo com a alta taxa de juros, os pedidos de crédito cresceram 13,3% entre maio e abril deste ano.
No Espírito Santo, o estoque de dívida das famílias era de R$ 54 bilhões, em agosto de 2021. Oito meses depois, o número superou os R$ 55 bilhões. Foi R$ 1 bilhão de empréstimos a mais no período, ou seja, R$ 4 milhões por dia.
Entre as dívidas, o cheque especial e o cartão de crédito estão entre as alternativas mais caras, conforme o professor associado e pesquisador da Fucape, doutor em Administração e Ciências Contábeis Poliano Bastos da Cruz.
“Empréstimo consignado em folha ou aquele que o consumidor dá algum bem em garantia torna a linha de crédito mais barata”.
O sócio da Pedra Azul investimentos Lélio Monteiro explicou que há muitas pessoas passando dificuldades. “É o famoso cobertor curto. Desemprego em alta, baixando sem média salarial adequada. Inflação. O que muitas famílias recebem não dá para pagar as contas para sobreviver”.
Ele detalhou que o empréstimo saudável é aquele que cabe dentro do orçamento. Já o empréstimo não saudável é aquele pego para financiar um déficit. “Por exemplo, se a pessoa ganha R$ 2 mil e gasta R$ 2.500, ao tomar empréstimo para fechar o mês, a parcela não vai encaixar no seu orçamento”.
Ele explicou que para essa conta fechar, é preciso ou gastar menos ou ganhar mais.
Para quem já está endividado, ele deu algumas dicas. Para quem tem mais de um empréstimo, por exemplo, é importante começar a pagar aquele com maior taxa primeiro.
Além disso, destacou que as taxas de juros de empréstimos estão em alta, o que dificulta a portabilidade do crédito ou tomar crédito de outra instituição que cobre mais barato para pagar a que cobra mais caro. “Infelizmente o momento não é favorável. Mas se conseguir encontrar uma taxa mais barata, ajuda muito”.
A especialista em estudos de futuro Ceo da W Futurismo, Jaqueline Weigel aconselha, para quem tem essa possibilidade: “Não gaste mais do que você tem e reserve um pouco”.
Volta por cima
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: false
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: true
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
A empreendedora Fabiola Loyola, 40 anos, fez um empréstimo para cobrir gastos que teve para abrir o próprio salão de beleza, acreditando que a pandemia ia durar no máximo três meses. Vendo que a situação se estendia, ela vendeu seu carro para pagar a dívida. Com a retomada das atividades ela se dedicou:
“Vendi o carro para pagar o empréstimo e dei a volta por cima. Um ano e meio depois já consegui comprar outro”, revelou. Para isso, ela também contou com o apoio do marido
Maior volume das dívidas vem das classes média e alta
As dívidas são feitas por motivos diferentes, a depender da classe social. Geralmente, famílias de classes mais baixas tendem a fazer empréstimos para consumir produtos de necessidade básica, como alimentação, pagamento de contas como energia, gás, água, aluguel, remédios.
O doutor em Administração e Ciências Contábeis Poliano Bastos da Cruz destacou que toda vez que existe um evento traumático, como foi o caso da pandemia, há mudanças de comportamento dos consumidores.
“Algumas pessoas tendem a comprar mais produtos de higiene, médicos e alimentícios, por medo da instabilidade que a pandemia possa gerar”, exemplificou.
Já para as classes média e alta, o empréstimo geralmente é feito para financiamento de bens como imóvel, carro. Lélio Monteiro, sócio da Pedra Azul investimentos explicou que nesse contexto, o maior volume de dívidas se concentra nas famílias que tem maior capacidade financeira. Contudo, é para as famílias mais humildes que essas contas pesam mais.
Estar endividado não significa não ter a capacidade de pagar o que deve. O financiamento, por exemplo, muitas vezes vem diluído em vários anos, comportado dentro do orçamento das famílias.
Saiba mais
Empréstimos
> Empréstimo saudável: existe a necessidade do bem e o valor da parcela cabe no orçamento.
> Empréstimo Não saudável: para financiar um déficit do orçamento. Por exemplo, o consumidor ganha R$ 2.000, gasta R$ 2.500 e toma um empréstimo para fechar o mês.
> Além das parcelas não caberem no orçamento, elas vão colocar o consumidor em uma situação ainda pior, já que o rombo nos próximos meses será ainda maior.
> Ele pode ser uma alternativa para aqueles que tenham uma renda variável e conseguem prever que vão ter ganhos maiores nos próximos meses. Fazendo o cálculo de acordo com o orçamento.
Dificuldades
> As famílias mais humildes recorrem aos empréstimos para atenderem suas necessidades básicas, como gastos com alimentação, saúde e moradia. Em um cenário com inflação, juros altos e desemprego baixando, mas sem média salarial adequada, a necessidade de se buscar alternativas para sobreviver se torna cada vez maior.
> Já as classes média e alta recorrem a esse recurso principalmente para financiamento de bens, como imóveis e carros. São essas classes que tomam o maior volume de dinheiro.
Como pagar menos
> Aqueles que já estão devendo algum empréstimo devem se organizar. É importante colocar todas as despesas na ponta do lápis e ver o que é possível cortar.
> Buscar novas alternativas para ter uma renda extra também vai ajudar nesse processo.
> Organizando as dívidas, é preciso avaliar: quais são aquelas cujos juros são mais altos? Essas devem ser pagas primeiro, considerando que tenha o mesmo prazo das outras. Também é importante ficar atento ao prazo de vencimento.
> As taxas de juros estão altas. Mas mesmo sendo mais difícil encontrar, é importante fazer uma pesquisa buscando uma instituição que ofereça taxas mais baratas e fazer a portabilidade do crédito.
> Quem está pedalando no cartão e no cheque especial também deve trocar essa dívida por um empréstimo normal.
> Outra iniciativa importante para pagar menos é verificar se não é possível refinanciar imóvel ou carro. Há algumas instituições que permitem ao cliente fazer isso.
> Se o consumidor tem um carro de R$ 50.000, ele pega esse valor emprestado com o banco, como se estivesse dando o carro como garantia e esse empréstimo sai mais barato para ele.