- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Economia

Fim da taxa de marinha para 55 mil no Estado

O Ministério da Economia informou que o governo irá acabar com a chamada taxa de laudêmio, paga por proprietários de imóveis construídos em terrenos ...

Bento Ferreira é um dos bairros onde a União cobra taxas.

Última atualização

O Ministério da Economia informou que o governo irá acabar com a chamada taxa de laudêmio, paga por proprietários de imóveis construídos em terrenos da União quando ocorre a transferência de titularidade.

A informação já havia sido antecipada por A Tribuna, em reportagem do dia 11 de janeiro de 2020. Ao todo, 55 mil imóveis serão beneficiados em 14 municípios no Espírito Santo que têm terrenos nessas áreas.

Bento Ferreira é um dos bairros onde a União cobra taxas.  (Foto: Leone Iglesias/AT)

Atualmente, a taxa corresponde a 5% do valor do imóvel avaliado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

Para acabar com a cobrança, a SPU vai promover a partir do próximo mês a “remição de foro digital”, que permitirá aos proprietários a aquisição do domínio pleno de mais de 300 mil imóveis localizados em terrenos de marinha e interiores no País.

Pelas regras atuais do regime de aforamento, a propriedade do imóvel é compartilhada entre a União e uma pessoa física ou empresa — cabe ao governo 17% da participação; os 83% restantes, aos contribuintes.

Com o processo digital de remição, por meio do aplicativo SPUApp que será lançado pelo governo, pessoas físicas e empresas poderão adquirir a participação de 17% da União, com desconto de 25% para pagamento à vista.

Optando por aderir à remição, o proprietário estará livre das taxas de laudêmio e do foro anual – cobradas pela utilização das áreas.

De acordo com a SPU, o ato corrigirá um problema histórico atrelado ao instituto do terreno de marinha, datado de 1831. A remição de foro terá início com terrenos localizados no Rio de Janeiro, nos bairros de Copacabana e Leme.

“A cidade do Rio foi escolhida por fatores históricos, sociais, econômicos, turísticos e culturais. Em todo o Brasil, mais de um milhão de pessoas devem ser beneficiadas”, afirmou o secretário de Coordenação e Governança do Patrimônio da União, Mauro Filho.

Segundo a SPU, além da remição, os ocupantes regulares de imóveis, que atualmente pagam taxa anual pela utilização do espaço, também poderão adquirir a propriedade.

Neste caso, o terreno é 100% da União e os ocupantes poderão realizar uma Proposta de Manifestação de Aquisição (PMA).

Governo quer arrecadar R$ 5 bilhões

O que é a taxa

  • O laudêmio deve ser pago para a União para possibilitar a transferência de propriedade para um comprador de um imóvel em área marinha, por exemplo.
  • O valor do laudêmio corresponde a 5% do valor atualizado do imóvel avaliado pela SPU.

Terreno de marinha

  • Os terrenos de marinha são definidos pela Linha do Preamar Média (LPM), que considera as marés máximas do ano de 1831.
  • A área se estende por 33 metros considerando a linha do mar na época, em direção ao continente.
  • A ocupação privada dos terrenos de marinha, seja por particulares, comércios ou indústrias, gera o pagamento de uma retribuição pelo uso de um bem considerado público.
  • O foro é um percentual que deve ser pago anualmente, como se fosse uma “taxa de ocupação” de um imóvel em área litorânea, previsto em 0,6% do valor do imóvel correspondente, segundo a mesma legislação que rege o laudêmio.

Fim das taxas

  • A sPU vai possibilitar a compra da participação da parte de 17% dos terrenos que cabem à União, com desconto de 25% para quem fizer o pagamento à vista.
  • Com isso, os proprietários estarão livres do pagamento das taxas de laudêmio, caso vendam o imóvel, e outras incidentes.
  • A spu pretende arrecadar R$ 5 bilhões com as vendas.

Venda digital

  • A previsão é de que o processo seja iniciado no mês que vem, por meio do aplicativo SPUApp.
  • O órgão regulamentará a Proposta de Manifestação de Aquisição (PMA) até outubro de 2021.
  • Ocupantes regulares de imóveis que são 100% da União e que pagam taxa anual pela utilização do espaço também poderão manifestar a intenção de compra dos terrenos, livrando-se das taxas.
Fonte: Ministério da Economia e SPU.

Avanço histórico para o mercado imobiliário

Para especialistas, o fim da cobrança da taxa de laudêmio no Estado representa um avanço histórico para o mercado imobiliário, facilitando a venda e a transferência de propriedades e movimentando a economia.

Em 2016, a União iniciou um processo para redefinir terrenos de marinha em todo o País, com intenção de definir 528,8 quilômetros de linha em todo o litoral do Espírito Santo.

Entretanto, no início de 2020, conforme antecipou reportagem de A Tribuna, a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) decidiu que possibilitaria a aquisição das áreas pelos proprietários, além de não demarcar mais terrenos.

“É um impulso ao mercado imobiliário que desonera e facilita o ciclo de venda. Os proprietários compravam e alugavam os imóveis, mas nunca eram seus donos”, disse o advogado Carlos Augusto da Motta Leal.

Em Vitória, os terrenos de marinha estão localizados em bairros nobres como Enseada do Suá, Praia do Canto e Bento Ferreira, entre outros.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.