- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Economia

Fundador da Amazon: “IA vai ampliar a escassez de mão de obra”

Fundador da Amazon prevê novas funções e demanda maior por pessoal qualificado para trabalhar com inteligência artificial

Bezos disse que avanço da inteligência artificial tende a criar novas profissões, e não só substituir trabalhadores
Foto de perfil de Rodrigo Péret

Rodrigo Péret

Formado em Jornalismo pela Faesa em 2017 e atualmente cursando o último período de Direito na Multivix Vitória, Rodrigo Péret está em A Tribuna desde 2019, onde atua como repórter de Política e Economia, ocasionalmente atuando como colunista de Plenário. Paralelamente, colabora para o portal Wrestlemaníacos, especializado em Pro-Wrestling, desde 2011.

Última atualização


O avanço da inteligência artificial deverá provocar uma escassez de mão de obra nas próximas décadas, e não uma substituição em massa de trabalhadores. A avaliação foi feita pelo empresário e fundador da Amazon Jeff Bezos, durante a conferência de tecnologia VivaTech, realizada ontem em Paris.

“Há uma preocupação de que a IA torne os seres humanos desnecessários. Eu discordo completamente dessa visão”, afirmou. “Acredito que a inteligência artificial criará escassez de mão de obra.”

A fala de Bezos contraria uma das principais preocupações associadas à rápida expansão da inteligência artificial, segundo a qual sistemas cada vez mais sofisticados poderiam eliminar milhões de postos de trabalho.

Para especialistas do Espírito Santo, o pensamento de Bezos é coerente. “Na verdade, profissões serão criadas para lidar com IA. E daí surge a escassez da mão de obra: porque vai faltar gente capacitada para esses novos empregos”, avalia Pollyana Polez, diretora de Inovação do hub Base27.

Para a diretora do Center RH Eliana Machado, o mercado enfrenta dificuldade em encontrar profissionais qualificados para a nova realidade trazida pela IA. “O trabalhador precisa se adequar o mais rápido possível para não enfrentar dificuldades no mercado de trabalho”, afirma.

O CTO da Intelliway Tecnologia e especialista em inteligência artificial, Frederico Comério, concorda parcialmente com a fala do fundador da Amazon. Para Comério, Bezos pode estar certo no agregado e no longo prazo, mas isso não significa que não haverão demissões e profissões serão pressionadas durante o período de transição.

“Os profissionais que se capacitarem vão produzir de cinco a 10 veses mais, o que acaba gerando menos necessidade de volume de pessoas nas empresas e aumentando a competição. Os cortes atuais de pessoal em empresas de tecnologia já refletem isso.”

Carlos Augusto da Motta Leal, presidente da comissão de TI e Direito Digital da OAB-ES, avalia que a fala de Bezos segue uma lógica associada a grande revoluções tecnológicas ocorridas antes.

“O que ele está dizendo aconteceu em outros momentos da história. Mas é preciso cautela por conta do período de transição, que afetará os empregos. O maior desafio para as empresas será a requalificação profissional”, afirma.

Empresas aceleram uso no Brasil

A adoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras ganhou ritmo em 2025 e alcançou o maior patamar desde o início do monitoramento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

De acordo com a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, a proporção de organizações que utilizam IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025, sinalizando uma ampliação gradual do uso da tecnologia no ambiente corporativo.

O avanço foi registrado em empresas de diferentes portes, mas chamou atenção especialmente entre as pequenas organizações.

Nesse grupo, formado por companhias com 10 a 49 funcionários e que representa 87% da população-alvo da pesquisa, a adoção de IA aumentou de 10% para 15% no período. Entre as grandes empresas, com mais de 250 empregados, o crescimento foi ainda mais expressivo, passando de 38% para 50%.

O estudo indica que as ferramentas relacionadas à linguagem natural lideram essa expansão. Entre as empresas que já utilizam inteligência artificial, os recursos de mineração de texto e análise da linguagem escrita passaram de 33% para 38% entre 2024 e 2025. Já as soluções de geração de linguagem natural (GLN), utilizadas para produzir textos, respostas automatizadas e comunicações, registraram o maior avanço, saltando de 20% para 30%.

“Atualmente, as tradicionais soluções digitais usadas pelas empresas podem incluir alguma aplicação de IA, por exemplo IAs generativas, sobretudo na simplificação de processos administrativos e outras atividades internas”, avalia Leonardo Melo Lins, coordenador da pesquisa.


Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.