A Petrobras anunciou mais um reajuste no preço da gasolina em suas refinarias a partir de hoje. O aumento deve impactar o preço nos postos do Estado em até R$ 0,18, passando a valer R$ 6,18 o litro.
Este é o nono aumento no preço desde janeiro, e a gasolina já acumula alta de 51% no ano. De acordo com a estatal, o preço médio por litro do combustível vendido às distribuidoras vai subir de R$ 2,69 para R$ 2,78.
São mais R$ 0,09 ou 3,34% por litro que devem ser repassados por distribuidores e revendedores ao preço final ao consumidor.
“O reajuste na refinaria é um componente do preço final, mas ainda tem a distribuição, armazenagem e a comercialização no ponto de venda, que é a bomba de gasolina. Por isso, o preço para o consumidor final deve ficar R$ 0,18 mais caro”, explica o economista Antônio Marcus Machado.
O reajuste se deve à política de preços da gasolina no Brasil, lembra o economista Ricardo Paixão, explicando que o aumento deve acontecer assim que o estoque dos postos for renovado. Mas se disse otimista de que o aumento não será integral. “Será de pelo menos R$ 0,09, mas eu não vejo sendo muito maior do que isso neste momento. De toda forma, já será um aumento considerável”, comenta.
Procurado, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos-ES) não confirmou de quanto será o aumento para o consumidor final.
“Vai depender de como isso vai se comportar ao longo da cadeia. Se será passado integralmente, se será passado para todos os estados e municípios, enfim, há uma série de fatores que impedem que a gente estime de forma mais clara.”
O motorista de aplicativo Bráulio do Nascimento Ferreira, 34 anos, diz estar cada vez mais difícil lidar com os reajustes. “Está ficando impossível usar carro no Brasil. A gente começa a pensar duas vezes antes de sair com o carro”.
Governo muda regras para tentar reduzir preço do etanol
O governo federal anunciou ontem a publicação de medida provisória (MP) que permite que produtores e importadores de etanol hidratado comercializem diretamente com os postos de combustíveis, sem passar por distribuidoras.
“O produtor ou o importador poderá vender o etanol diretamente ao posto e esse chegará ao consumidor final. Com isso, teremos aumento da concorrência, com potencial redução do preço dos combustíveis, o que traz importantes benefícios ao consumidor brasileiro”, declarou o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Ferreira Coelho.
Entretanto, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos-ES) disse que o impacto deverá ser pontual.
“Há cláusulas de exclusividade na maioria desses contratos firmados entre postos e distribuidoras. Isso impede que o posto compre combustível de outras distribuidoras e importadoras, e são contratos que não podem ser quebrados. Porém, ainda estamos analisando de forma jurídica a MP para dar maiores orientações aos associados.”
Já o Procon-ES afirmou, em nota, que o trabalho de fiscalização dos Procons não será afetado pela mudança.
