O governo federal vai prorrogar o auxílio emergencial pago aos trabalhadores informais, mas ainda vai decidir por quanto tempo e qual o valor será pago. O auxílio atual é pago em três parcelas de R$ 600 e R$ 1.200, a última referente a este mês.
A ideia que mais sensibiliza o presidente Jair Bolsonaro é a de pagamento em valor decrescente, em três parcelas: R$ 500 em julho; R$ 400 em agosto e R$ 300 em setembro”, de acordo com a colunista da Globo Cristiana Lôbo.
A proposta é estimulada pela área política do governo porque haveria uma “preparação” do beneficiário para o fim do auxílio.
E, ainda, se estenderia por mais três meses, tempo necessário para o governo fechar a preparação do programa Renda Brasil, que tem a pretensão de ser um forte programa social, reunindo vários outros programas sociais, e deve ser lançado no segundo semestre.
A equipe econômica evita comentar o tema, repetindo só o que já falou o ministro Paulo Guedes: que o possível até agora é o pagamento de duas parcelas de R$ 300 e que quem decide é Bolsonaro.
Com as recentes crises, a ala política do governo constatou que a aprovação do Presidente cresceu entre os mais pobres — justamente os beneficiários do auxílio — e perdeu apoio na classe média.
Isso faz crescer o interesse do governo em reforçar os programas sociais — a partir do Bolsa Família e outros com menor impacto social, mas custo maior ao Tesouro. A ideia é reuni-los no Renda Brasil. A unificação requer tempo até ser fechado o cadastro dos beneficiários.
Uma preocupação do governo é obter o apoio à proposta definida no Planalto, de modo a não haver alterações no Congresso – o que ocorreu na atual fase do auxílio: o governo propôs parcela de R$ 200 e, quando o Congresso sugeriu ampliar para R$ 500, Bolsonaro decidiu aumentar para R$ 600.
Agora, Bolsonaro quer que sua proposta não seja alterada no Congresso. Para isso, conta com o apoio de deputados do Centrão, agora entre seus apoiadores. Causou irritação no governo manifestação em defesa de duas parcelas de R$ 600. Bolsonaro já disse que, nessa hipótese, pretende vetar.
Maia quer programa permanente
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), defendeu ontem um debate com o poder Executivo para que o auxílio emergencial seja prorrogado e também possa evoluir para um programa de renda permanente.
Maia já vinha se colocando a favor da extensão, com mais duas ou até três parcelas de R$ 600 da ajuda governamental.
“Acho que nós deveríamos, em conjunto com o poder Executivo, organizar o debate do que seria uma renda mínima permanente. Acho que seria uma resposta importante para a sociedade brasileira”, disse, em entrevista coletiva.
O presidente da Câmara, porém, voltou a reforçar que é a favor da prorrogação por no mínimo dois meses da ajuda como vem sendo feita. “Deixo clara a minha posição, sinto a importância de renovar por pelo menos dois meses”, afirmou. Inicialmente, o governo se comprometeu a pagar três parcelas de R$ 600, sendo que a terceira já está sendo paga.
Ao defender o diálogo com o governo para conseguir a prorrogação do benefício, Maia alegou que o saldo de não estender o benefício pode ser mais negativo do que os encargos financeiros que virão com a aprovação da medida.
“Tem um custo, mas o custo maior é não renovar. Quanto custa não renovar para milhões de brasileiros que ficaram sem renda e ainda ficarão sem renda? Estender a ajuda não vai quebrar o País”.
