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Economia

Inflação faz picanha sumir dos churrascos

Nem na hora de escapar dos problemas do dia a dia para encontrar com os amigos e a família com uma carne na brasa e uma cerveja gelada o brasileiro ...

Carne na brasa: picanha e linguiça tiveram alta acima de 20%

Última atualização

Nem na hora de escapar dos problemas do dia a dia para encontrar com os amigos e a família com uma carne na brasa e uma cerveja gelada o brasileiro consegue escapar da inflação indigesta. A alta média de preços, que já supera 10% em um ano, deixa sua marca também naquele que é um patrimônio da classe média: o churrasco do fim de semana.

A carne é um dos principais vilões da alta de preços e, nos últimos 12 meses, a “inflação do churrasco” subiu mais de 17%, segundo cálculo feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Maior até mesmo que a média dos alimentos e bebidas, que está em 13,36%.

Carne na brasa: picanha e linguiça tiveram alta acima de 20% (Foto: Arquivo / AT)

Picanha, linguiça e alcatra subiram mais de 20%. E a conta não inclui ainda o que já está sendo chamado de golpe de misericórdia na alegria do brasileiro: desde sexta-feira a cerveja está em média 10% mais cara no País.

Nos últimos meses, a disparada da inflação corroeu a renda já combalida dos brasileiros e ajudou a empurrar milhões de brasileiros para a miséria e a fome.

Na classe média, o jeito foi mudar os hábitos e adequar o cardápio diário com opções mais em conta.

Na casa do estudante de Economia João Pereira, de 22 anos, a picanha deu lugar à linguiça. Se antes a compra do churrasco era de dois quilos de carne para cada um quilo de linguiça, agora é 1,5 kg para cada.

A linguiça, além de ser mais barata, subiu menos que a carne de boi. O quilo da picanha aumentou 28,99% e o da linguiça, 21,38%.

Ainda assim, a conta subiu: de R$ 130 em média que a família gastava antes de acender a brasa para R$ 200 agora.

Dólar alto afeta preço da carne, dizem especialistas

O aumento do preço das carnes no Brasil é explicado pela subida forte do dólar e pelo crescimento da demanda pela proteína na China, segundo economistas.

“O resultado é que os produtores preferem vender para o exterior, já que é mais lucrativo e, portanto, sobra menos para o mercado interno. Com esse aumento da concorrência externa, aumenta também o preço”, diz o economista Matheus Peçanha, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Segundo os economistas, como a carne tem preço cotado em dólar no mercado internacional, a cada vez que o real se desvaloriza, mais cara vai ficando a proteína.

O frango é a outra opção à carne. O que tem um efeito perverso nos preços. Essa opção mais barata vai encarecendo conforme a demanda pela carne de boi vai para o consumo de frango. Por isso também, o preço já subiu 30,08%.

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, diz que o real perdeu 30% do valor frente ao dólar no ano passado. Enquanto a cotação do milho subiu 68,8% no mesmo período e a da soja, 79,4%.

A variação expressiva desses produtos também faz subir o preço da carne, lembra Peçanha. Milho e soja são usados na ração dos animais. A seca afetou o pasto, e os pecuaristas estão precisando usar mais ração para o gado.

Com esses fatores jogando contra o churrasco, ele está mais raro. O estudante João Pedro Oddo diz que a frequência com que costumava se reunir com amigos para o churrasco já não é a mesma.

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