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Economia

INSS prepara força-tarefa para manter o atendimento em dia

Programa para controlar a fila prevê trabalho extra de servidores e peritos, reforço das equipes e revisão de benefícios, com economia de R$ 1,8 bi

Fila em agência do INSS, que, em 2025, concluiu cerca de 1,56 milhão de processos em todo o País
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização


O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) prepara uma força-tarefa para manter a fila de atendimento em dia. O governo federal planeja manter o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) em 2027 para controlar a fila e economizar ao menos R$ 1,8 bilhão com a revisão de benefícios irregulares.

A economia projetada foi incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano, encaminhado ao Congresso Nacional no fim de agosto. A lei que criou o PGB, contudo, prevê que o programa pode durar somente até dezembro deste ano, já contando com a prorrogação em vigor.

O INSS solicitou ao governo a edição de uma nova medida provisória até o fim deste ano para permitir a continuidade do programa em 2027. Em linhas gerais, o PGB permite que servidores do INSS e peritos médicos federais façam atividades extraordinárias, além do trabalho regular.

Além do PGB, segundo o Instituto, outras ações são o Programa Acelera INSS, o reforço da força de trabalho, a ampliação da capacidade de perícia, o incentivo à produtividade e o combate a requerimentos duplicados.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já identificou problemas relacionados a indeferimentos inadequados e alertou para o risco de metas excessivamente concentradas na quantidade de processos concluídos, sem considerar a complexidade de cada caso.

Foi o que lembrou Maria Regina Couto Uliana, membro da Comissão Especial de Direito Previdenciário do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “O PGB é importante para enfrentar o problema imediato, mas precisa ser acompanhado de medidas permanentes”, avaliou.

A realização de força-tarefa para redução da fila é “necessária e importante”, uma vez que uma das principais causas da fila é a redução do número de servidores ao longo dos anos, destacou Renata Prado, coordenadora-adjunta do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário no Estado (IBDP-ES).

“O que temos visto na prática é o indeferimento de diversos benefícios de forma equivocada, principalmente no caso de BPC pendente de avaliação, o que transfere a fila para o Judiciário”, disse.

Saiba Mais 

Força-terefa do INSS

  • Para manter a fila em dia, o INSS destacou que tem adotado medidas de gestão, ampliação da força de trabalho, reorganização de processos e monitoramento de indicadores. O objetivo é reduzir o estoque e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de resposta do Instituto para evitar a formação de novos passivos.

Entre as principais ações estão:

  • Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB): amplia a capacidade de análise e conclusão de processos, com organização de filas nacionais. Em 2025, foram concluídos cerca de 1,56 milhão de processos.
  • Programa Acelera INSS: reúne ações para reduzir o estoque de requerimentos e o Tempo Médio de Decisão (TMD), com acompanhamento de indicadores de entrada, saída, espera e capacidade de processamento.
  • Reforço da força de trabalho: nomeação de 300 novos analistas do Seguro Social e 500 peritos médicos federais no País.
  • Ampliação da capacidade de perícia: uso de telemedicina e do Atestmed, além da realização de mutirões e ações extraordinárias para perícia, avaliação social e análise de processos.
  • Incentivo à produtividade: pagamento de bônus a servidores que participam das ações extraordinárias de análise.
  • Combate a requerimentos duplicados: desde abril, não é permitida nova solicitação do mesmo tipo de benefício enquanto estiver aberto o prazo para recurso da decisão anterior, evitando duplicidades e o aumento artificial do estoque.
  • Monitoramento dos resultados: acompanhamento contínuo da entrada e conclusão de processos, do tempo médio de decisão e dos processos acima do prazo. Em março, o INSS registrou 890 mil concessões, até então o maior número da série histórica.
  • O INSS informou que também acompanha a qualidade das decisões por meio de instrumentos como o Supertec e o Índice de Conformidade do Reconhecimento de Direitos (ICRD), buscando reduzir o estoque sem comprometer a segurança das análises.

Problemas estruturais

  • A necessidade recorrente de mutirões e pagamentos adicionais revela problemas estruturais de tecnologia, automação, capacidade ordinária de processamento e dependência de programas extraordinários, apontados pelo próprio Tribunal de Contas da União (TCU).

Necessidades apontadas pelos especialistas

  • Capacidade permanente de atendimento: o INSS precisa de estrutura e força de trabalho suficientes para absorver regularmente a demanda. Programas extraordinários não podem se tornar o mecanismo habitual de funcionamento.
  • Tecnologia e integração de dados: bases como o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) devem ser confiáveis e integradas, reduzindo a necessidade de o cidadão apresentar informações que o próprio Estado já possui.
  • Automação com supervisão humana: benefícios simples podem ser analisados automaticamente, mas casos complexos exigem avaliação individualizada.
  • Qualidade das decisões: a produtividade deve ser acompanhada da análise adequada dos documentos e da abertura de exigências quando houver possibilidade de corrigir pendências, evitando recursos e ações judiciais.
  • Medição adequada da fila: além do número de processos pendentes, é preciso acompanhar o tempo de espera, os casos que ultrapassam os prazos, os índices de concessão e indeferimento, os recursos, as decisões reformadas e a judicialização.
  • Convênio com os Correios: nos mesmos moldes que foi realizado na época dos pedidos de ressarcimento dos descontos indevidos, para realização desse ajuste no CNIS, o que faria parte da força tarefa.



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