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ECONOMIA

Justiça aprova recuperação judicial do Grupo João Santos

Formado por um total de 43 empresas, o conglomerado passa por reestruturação na direção-executiva e se prepara para retomada

Fábrica da Cimento Nassau, uma das empresas que fazem parte do conglomerado do Grupo João Santos

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O Grupo João Santos, fabricante do Cimento Nassau, recebeu nesta sexta (23) aprovação do pedido de recuperação judicial realizado na 15ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco, sede de sua administração. 

O conglomerado, representando 43 empresas — incluindo a Rede Tribuna de Comunicação —,  todas contempladas pelo mesmo processo, entrou com a solicitação na terça-feira. As companhias podem, porém, apresentar planos de recuperação diferentes. 

O grupo soma R$ 13 bilhões em dívidas, valor listado no processo, segundo João Rogerio Alves Filho, economista e sócio-diretor da PPK Consultoria, responsável pela condução da reestruturação econômico-financeira da recuperação judicial. 

“Mas existem diversos créditos dos quais ainda não se conhece o valor, e a empresa tomou o cuidado de já provisionar passivos na ordem de R$ 6 bilhões a serem trazidos, a mais, para a recuperação judicial”, informou.

A empresa pretende reunir e centralizar em uma só Vara judiciária os inúmeros processos trabalhistas e de outras esferas que o grupo acumula. “Com isso, é possível dimensionar o tamanho do problema e propor uma solução definitiva econômica e financeiramente”, afirma João Rogerio.

Ainda no segundo semestre deste ano, o Grupo João Santos passou por uma profunda reestruturação em sua direção-executiva, assumida por dois profissionais de mercado, iniciando um novo ciclo nesse que é um dos mais tradicionais grupos empresariais do País.  

Os irmãos José e Fernando Santos foram destituídos  da gestão do grupo, em uma assembleia realizada em agosto. Os sócios presentes reprovaram as contas do grupo e, como consequência imediata, afastaram os administradores. 

Foram nomeados como gestores os executivos Paulo Narcélio, ex-presidente da OGX, e Guilherme Rocha, ex-administrador-geral de Fernando de Noronha. A ata foi arquivada pela Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe).

“O processo de recuperação judicial vem ao encontro da necessidade de organização, método e transparência que a nova gestão, iniciada há quatro meses, vem trazendo na condução dos negócios do grupo. Com os ajustes de diretrizes e o apoio dos agentes envolvidos, o grupo retomará a posição de destaque que já teve no cenário nacional”, declaram, em nota, Narcélio e Rocha.

Consultoria internacional prepara a reestruturação

Já tendo alcançado a posição de segundo  maior grupo fabricante de cimento no País, o Cimento Nassau, o Grupo João Santos conta com a coordenação da consultoria internacional Delloite Touche para a análise de viabilidade econômica de retomada do funcionamento de plantas industriais e segmentos de atuação. 

O diretor da área de reestruturação de empresas, Luis Vasco, aponta que, em relação ao processo, “confiam plenamente no seu êxito e no seu sucesso junto aos demais ‘stakeholders’ (acionistas e grupos relacionados aos negócios)”.

Para a condução do processo judicial foi contratado o escritório Matos Advogados, liderado por Gustavo Matos, seu sócio-fundador, que se mostra “bastante confiante na eficácia que as modernas ferramentas acessíveis, a partir de um ambiente concursal trazido pela Recuperação Judicial, trará para o breve soerguimento do grupo”. 

Atuando em paralelo ao escritório de advocacia, na condução da reestruturação econômico-financeira está a PPK Consultoria, liderada pelo economista e sócio-fundador, João Rogerio Alves Filho. 

Ele destaca que a recuperação judicial a partir de operações estruturadas, poderá aumentar “significativamente o valor dos ativos detidos pelo Grupo, garantindo assim a viabilidade e modernização tecnológica de unidades de negócios mais competitivas”.

Meta é aprovação em 1 ano

Com o deferimento do processo de recuperação judicial, o Grupo João Santos tem o prazo de 60 dias para apresentar seu plano de recuperação, que será posteriormente avaliado pelos credores. A expectativa da empresa é de que o plano seja aprovado pela assembleia de credores em até um ano.

O conglomerado tem atualmente um faturamento próximo a R$ 1 bilhão e  mantém diversas operações em atividade, mantendo aproximadamente 4.250 empregos diretos.

O Grupo iniciou suas atividades no segmento sucroalcooleiro em 1934, na cidade de Goiana, em Pernambuco, ampliando os segmentos de atuação a partir de 1951 com a fundação da fábrica de Cimento Nassau, marca reconhecida nacionalmente. 

Anos depois, mais cinco fábricas foram incorporadas nos estados de Pará, Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará e Espírito Santo. Outros segmentos de atuação são celulose, agronegócios, comunicação e serviços como taxi aéreo e logística.

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