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CORONAVÍRUS

Matéria-prima mais cara liga alerta nas indústrias

Avanço da variante ômicron e afastamento de trabalhadores devem atingir setores têxtil, de alimentação e de produtos eletrônicos

Fábrica de alimentos em atividade: empresários têm antecipado compras com receio da escassez de produtos

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A chegada da variante ômicron no País aumentou o número de casos de infectados pela covid-19 e fez disparar o alarme dos mais variados setores da economia, entre elas o da indústria. Com o aumento do preço da matéria-prima de produção, é possível que alguns produtos fiquem mais caros.

Especialistas destacam que os setores que mais podem sofrer são os de eletrônicos, têxtil e de alimentação. A indústria têxtil, por exemplo, começou o ano pagando mais caro pelos insumos. Segundo o jornal O Globo, cotação do algodão voltou a alcançar o patamar recorde diante de uma oferta apertada e uma demanda mais forte.

O jornal destacou que o preço de referência para março, negociado em contratos na Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque (EUA), bateu o maior valor em uma década.

“O preço do algodão é cotado internacionalmente. Insumos químicos e corantes estão mais caros. As contaminações de covid-19 pela ômicron na Ásia trazem nova onda de incertezas. O ano começou nervoso”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, em entrevista ao jornal.

José Carlos Bergamin, diretor da Federação de Comércio do Estado (Fecomércio-ES), destacou o grande número de afastamento de trabalhadores como um dos causadores do aumento de preço.

“A ausência no trabalho está muito forte. Isso impacta na produção e nos preços também. A inflação que começaria a cair, vai demorar mais agora”, destacou.

Fernando Otávio Campos, vice-presidente do Conselho das Relações Trabalhistas (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes), explicou que setores que já apresentavam problemas, como o de eletrônicos e de alimentação, podem sentir mais o impacto.

“Como já estão com a demanda defasada, qualquer sinalização ruim vai prejudicar. Os empresários estão de olho em como vai se comportar essa nova onda de contaminação, pois apesar de ser menos letal, ela acaba ocasionando em muitos afastamentos”, disse.

Outro risco que o especialista apontou é da empresa precisar parar sua produção. “Pode acontecer só a falta de insumo, ou pode acontecer da empresa precisar paralisar”, frisou Fernando.

Prazo de entrega preocupa

Outro fator que preocupa empresários, tanto da indústria como do comércio, no momento, é a demora para a entrega de produtos. Eles temem que faltem mercadoria nas prateleiras para atender aos consumidores durante a nova onda de infecção da covid-19.

José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio) salientou que muitas empresas já fazem planejamento. “Eu, por exemplo, estou comprando com três meses de antecedência e por isso não tive problemas de desabastecimento ainda. E nós também estamos fabricando com antecedência”, disse.

Flávio Marcos Rocha Miguel, presidente do Sindicato das Confecções (Sinconfec) diz que as empresas têm adotado estratégias para evitar problemas. “Para a coleção de inverno, as empresas estão se antecipando para não passar aperto por falta de insumos”. 

 Já Fernando Otávio Campos, vice-presidente do Conselho das Relações Trabalhistas (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes) frisou que, para muitas indústrias, é difícil comprar com antecedência.

“É difícil planejar muita coisa. A empresa pode antecipar uma compra e depois não poder produzir, justamente pelo risco de precisar parar. Estamos na expectativa para saber até quando será o pico dessa onda de contaminação”.

Anac autoriza companhias aéreas a reduzir tripulantes

Outro problema causado pelo avanço da nova variante mundo afora são os frequentes cancelamentos de voos devido ao alto número de tripulantes afastados com a doença. Com isso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou as companhias aéreas Azul e Gol a reduzirem o número de comissários em seus voos.

As concessões têm validade até 13 e 14 de março, respectivamente, para as duas empresas. A Latam também protocolou uma solicitação junto a Anac, e está aguardando uma resposta.

De acordo com a agência reguladora, as companhias deverão informar “a cada 15 dias a contar da publicação (da) portaria, a relação de voos nos quais houve redução no número de comissários, informando data, matrícula do avião, número do voo e hora da decolagem”.

Para a decisão, a Anac considerou a situação epidemiológica do País com o avanço da variante Ômicron “e seus respectivos impactos na disponibilidade de tripulantes para condução de voos regulares programados”.

A iniciativa, se adotada, impõe que as companhias diminuam também a capacidade de passageiros em cada avião, para até 150 assentos no caso de aviões com 186 vagas disponíveis, por exemplo.

Desde o início do ano, centenas de voos foram cancelados por parte das empresas, não só no Brasil, mas em todo o mundo, devido ao aumento do número de casos de infectados, que vem provocando afastamentos de tripulantes.

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