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ECONOMIA

Medidas para evitar novas altas nos preços em postos

Governo já estuda usar dinheiro público para conter novos reajustes

Caminhão-tanque abastece posto na Grande Vitória: transportadores estão na bronca com aumento de preço

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Depois de 60 dias sem alteração no preço do diesel, a Petrobras anunciou novo reajuste de 8,8% nas refinarias. Com isso, donos de postos no Estado preveem o combustível a R$ 7 nas bombas para o consumidor final.

Dono de posto em Santo Antônio, Vitória, Filipe Ribeiro confirma o encarecimento do diesel. 

“O reajuste vai deixar o diesel mais caro ainda, certamente vai chegar a R$ 7. E a Petrobras diminuiu a importação, então os postos estão recorrendo a compra por fora”, contou Filipe. 

A medida, além de não ser nada boa para os consumidores, desagradou também aos caminhoneiros. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, se disse “indignado” com o reajuste no preço do diesel. “Não podemos ficar quietos. Precisamos fazer alguma coisa”, disse. 

Em nota, a Abrava afirma que “o fantasma da inflação voltou”, e que o aumento no diesel se reflete nos preços dos produtos transportados “no dia seguinte”.

Com mais um reajuste e o preço cada vez mais alto, somado à insatisfação e à pressão de todos os lados, o governo estuda aplicar uma espécie de subsídio na tentativa de conter novas altas do diesel. 

Após o anúncio do lucro recorde da estatal no primeiro trimestre, a área política defende o subsídio com o argumento de que as receitas do governo com o pagamento de dividendos pela empresa vão aumentar. 

Como mostrou o Estadão, a Petrobras já transferiu ao governo federal desde 2019 cerca de R$ 447 bilhões em impostos, royalties e participações. 

Para conceder o subsídio, no entanto, o governo e o Congresso teriam que correr contra o tempo e fazer mudanças no teto de gastos, o que a equipe do Ministério da Economia não apoia. Outra opção é cortar despesas para abrir espaço na regra que atrela o crescimento dos gastos à inflação, mas não há espaço disponível. 

Pelo contrário, nas últimas semanas, o “buraco” no teto aumentou com novas medidas aprovadas nas últimas semanas. 

Para tentar entender a nova alta e a falta de diesel e gasolina, problema que o Estado enfrenta desde abril, a Petrobras e a Vibra, distribuidora, foram procuradas, mas não responderam até o fechamento desta edição.


SAIBA MAIS


Os problemas apontados

  • Consumidores, empresários e sindicatos apontam diversos fatores, seja para o encarecimento do preço dos combustíveis, seja para a falta deles aqui no Estado, o que acontece desde o mês passado. 
  • De acordo com o Sindipostos-ES, a falta de combustíveis no Estado ocorre desde que a Petrobras reduziu a importação deles, devido à disparidade de preço em relação ao mercado internacional. 
  • Segundo especialistas do setor, o preço interno estava menor que o internacional, e a defasagem aumentando. Com isso, houve a diminuição da importação. 
  • Outro fator apontado é o atraso de navios que trazem o combustível ao Estado. 
  • De fato, embarcações responsáveis por trazer gasolina e diesel ao Estado têm chegado ao Porto de Vitória, mas têm levado dias para serem descarregados, atrasando a chegada dos combustíveis nos postos e, consequentemente, deixando alguns estabelecimentos sem a revenda.

Guerra e dólar complicam

  • Por conta da pandemia e agora principalmente da guerra, e o dólar subindo, esse conjunto impacta no preço da gasolina diretamente e o preço fica mais alto nas bombas.
  • Além disso, o gás, a maior parte da exportação vem da Rússia, e como a Rússia está em guerra e sofrendo sanções comerciais, o fator guerra é o principal problema.
  • Se as sanções continuarem, os preços devem continuar subindo também.

Governo estuda subsídio

  • Após o anúncio do lucro recorde da estatal no primeiro trimestre, a área política defende o subsídio com o argumento de que as receitas do governo com o pagamento de dividendos pela empresa vão aumentar.
  • Criticada por Bolsonaro, a Petrobras já transferiu ao governo desde 2019 cerca de R$ 447 bilhões em impostos, royalties e participações.
  • Para conceder o subsídio, no entanto, o governo e o Congresso teriam que correr contra o tempo e fazer mudanças no teto de gastos, o que a equipe do Ministério da Economia não apoia. 
  • Outra opção é cortar despesas para abrir espaço na regra que atrela o crescimento dos gastos à inflação, mas não há espaço disponível. Pelo contrário, nas últimas semanas, o “buraco” no teto aumentou com novas medidas aprovadas nas últimas semanas.

Fontes: Governo federal, Gabriel Meira, diretor do IBEF Academy, e Sindipostos-ES.

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