Com um mercado de trabalho cada vez mais disputado, as empresas têm ficado atentas a profissionais desonestos. Aquelas mentiras para faltar ao trabalho, se atrasar ou mesmo para tentar justificar um erro têm sido motivo de cerca de mil demissões todos os meses no Estado.
Segundo a diretora da Center RH, Eliana Machado, 4% das demissões no Espírito Santo são por causa de mentiras contadas pelos empregados.
Em um total de 27.334 demissões ocorridas no mês passado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o percentual equivale a mais de mil demissões por mês em virtude de inverdades.
A diretora da Center RH esclareceu que o alto número de demissões causadas pelos “migués” não é consequência do despreparo para o mercado de trabalho.
“Na verdade, o que leva à demissão é a falta de comprometimento do jovem ou o fato de que, muitas vezes, não depende exclusivamente daquele salário, pois é sustentado pelos pais”.
A psicóloga e diretora da Efetive, Gisélia Freitas, apontou que um dos motivos pelos quais tantos arriscam o emprego está ligado à cultura brasileira. “No Brasil, trabalhar é um castigo. As pessoas são sempre felizes nas sextas-feiras e depressivas nas segundas”.
A diretora da Efetive explicou que os jovens não veem muita consequência nos seus atos, mentindo ou omitindo informações para realizarem uma vontade momentânea, mesmo sabendo que podem acabar sendo descobertos e perderem o emprego. “Muitos vão para a balada durante à noite e aparecem ‘doentes’ no dia seguinte”.
A psicóloga e diretora da Suprema Soluções em Pessoas, Sarah Rosado, ressaltou que é necessário lembrar que uma história profissional está sendo construída e a pessoa pode ficar marcada.
Ela ponderou que, principalmente, para a faixa etária de 18 a 24 anos, trabalhos que proporcionam um estilo de vida interessante são supervalorizados. “O mercado de trabalho hoje é muito industrial, focando em métodos de produção e não em estimular os jovens”.
