Para aumentar o volume de vendas entre comerciantes, o Banco Central vai lançar novas ferramentas atreladas ao Pix a partir de março deste ano. Trata-se do “Pix Cobrança” e do “Pix Garantido”. Há ainda a previsão de lançamento do “Saque Pix”.
As estratégias estão sendo preparadas para impulsionar o uso do meio de pagamento no mercado. Entre as novidades, está a possibilidade de parcelar compras, incluir juros e até mesmo descontos nos valores cobrados pelas empresas.
A primeira ferramenta é o “Pix Cobrança”. Ela permitirá que lojistas, varejistas e prestadores de serviços criem QR codes impressos para receberem pagamentos.
Com a funcionalidade, será permitido fazer cobranças com vencimentos em datas futuras, e também será possível incluir o cálculo de juros, multas e descontos em pagamentos. A previsão é de que esteja disponível no mercado a partir de março deste ano.
Ainda será possível incluir data de vencimento na compra, como se fosse um boleto. “Por enquanto, o Pix tem sido usado mais como transferência bancária. Até março, espera-se que essas melhorias façam com que o Pix Cobrança se torne mais aplicado por empresas”, explicou o Product Manager da fintech Juno, Gabriel Falk, ao jornal Valor Investe.
Outra novidade será o “Pix Garantido”, que visa simular o funcionamento de um cartão de crédito. Trata-se de uma compra que será paga em parcelas e cuja previsão é que comece a funcionar ainda no primeiro semestre.
“A ideia é pegar este recurso disponível e congelá-lo em algumas parcelas, como se fosse uma transação parcelada”, explicou Falk.
No entanto, no Pix será necessário ter o valor disponível, enquanto com o cartão de crédito se trabalha com a possibilidade de receber aquele recurso no futuro.
O mercado espera ainda o lançamento da ferramenta “Pix Saque”, previsto para o segundo trimestre. A facilidade vai possibilitar que o usuário faça uma transferência pelo sistema de pagamento instantâneo para um comércio e saque a quantia em dinheiro em espécie em estabelecimentos cadastrados
No ano passado, a plataforma movimentou R$ 150,3 bilhões em 176 milhões de transações.
Fraudes virtuais ainda trazem medo
Apesar da grande movimentação do Pix entre pessoas físicas, os comerciantes em geral ainda não estão fazendo uso ativo da ferramenta. O medo e a insegurança envolvem, principalmente, as possibilidades de fraudes virtuais, segundo destacou José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio).
“Vivemos em um ambiente onde movimentar valores, fazer compras e transferir é muito cheio de golpes, isso tudo contamina essas tecnologias e leva tempo até que as pessoas se adaptem. Junta isso com o atraso tecnológico e cria-se muita insegurança. Mas, com o tempo, os comerciantes vão acabar se adaptando”, explicou.
Bergamin acredita que com os novos serviços que serão agregados ao Pix, o uso no comércio passará a ser mais difundido.
“O Banco Central fez um avanço grande e essas novas ferramentas vão ajudar. Vai baratear os processos de uma forma geral, eles serão mais rápidos, seguros e vão funcionar de forma democratizada”.
Segundo Pedro Coutinho, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs), 80% das maquininhas do mercado já estão preparadas para receber pagamentos por Pix.
NOVAS FUNÇÕES
O Pix
- Desenvolvido pelo Banco Central (BC), o Pix é um serviço de pagamentos instantâneos que permite a realização de transações financeiras em poucos segundos, 24 horas por dia e sete dias por semana, inclusive em feriados. Podem ser feitos pagamentos de compras e transferências de dinheiro.
- Para utilizar, é necessário cadastrar uma chave. Podem ser usados como chave o CPF ou CNPJ, e-mail ou número de celular.
- Entrou em vigor em novembro do ano passado e movimentou R$ 150,3 bilhões, em cerca de 176 milhões de transações, até o dia 31 de dezembro de 2020.
- O fluxo diário relativo ao sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central foi de aproximadamente R$ 3,3 bilhões considerando o período de dois meses.
- Especialistas acreditam que o uso da ferramenta deve crescer este ano com as novas funcionalidades que serão integradas ao mecanismo: “Pix Cobrança”, “Pix Garantido” e “Saque Pix”. Elas começarão a ser disponibilizadas em março.
Pix Cobrança
- Permitirá que lojistas, varejistas e prestadores de serviços criem QR codes impressos para receberem pagamentos. A previsão é de que a modalidade esteja disponível a partir de março deste ano.
- Com a ferramenta, será permitido fazer cobranças com vencimentos em datas futuras, e será possível incluir o cálculo de juros, multas e descontos em pagamentos.
Pix Garantido
- Vai permitir que as transações sejam pagas em prestações, funcionando como se fosse um cartão de crédito. A previsão é que entre em vigor ainda no primeiro semestre.
Saque Pix
- Será possível fazer uma transferência pelo sistema de pagamento para estabelecimentos cadastrados e sacar a quantia em dinheiro neles.
