O número de investidores no mercado de ações brasileiro quase dobrou desde o ano passado, e no Espírito Santo já são mais de 61 mil pessoas investindo na Bolsa de Valores.
Entretanto, especialistas alertam que apesar dos atrativos, como maiores rendimentos, o investimento em renda variável também exige mais cautela e preparação.
“A Bolsa está na moda, e é um assunto que muitas pessoas vêm comentando, inclusive influenciadores da internet. Mas, isso é até um pouco perigoso. O investimento tem que ser feito com o mínimo de conhecimento, pois a chance de alguém sozinho fazer besteira é grande”, alertou o assessor de investimentos da Valor, Pedro Lang.
Segundo ele, apostar em ações requer tempo de retorno. “O investimento em títulos de empresas pressupõe um tempo de maturação maior. As pessoas, às vezes, entram pensando em ganhar em um dia. Quanto mais tempo ficar, mais pode ganhar”, disse Lang.
O assessor de investimentos José Márcio de Barros também recomendou cuidado com promessas de ganhos fáceis com a aplicação de dinheiro em ações.
“Aquelas pessoas que perderam em Bolsa, não costumam falar, somente quando tiveram sucesso. Embora os órgãos reguladores fiscalizem e supervisionem o mercado, existe na grande rede uma quantidade enorme de ofertas, que são aproveitadoras do desconhecimento ou da ingenuidade dos investidores iniciantes”, alertou.
Ele completou: “Vamos dizer que a melhor recomendação para quem está iniciando é colocar o ‘pé na piscina’ e sentir a temperatura da água antes de entrar de corpo inteiro”, disse.
Ele também recomendou a ajuda de um corretor de investimentos para quem está começando.
“O custo da administração que será cobrado tem que ser levado em consideração, entretanto, dependendo do valor vale a pena, pois os custos ficarão diluídos”, explicou o assessor.
Números
Segundo levantamento da Bolsa de São Paulo (B3), no fim de agosto, o montante aplicado pelos capixabas em renda variável já é de R$ 4,6 bilhões. A maioria dos investidores, segundo o estudo, é composta de jovens entre 26 e 35 anos.
Entre os fatores que contribuíram para a corrida à renda variável, estão as taxas de juros que caíram ao menor patamar da história, tornando investimentos como a poupança pouco atrativos.
Opção pela renda variável após estudo

“Eu conheci o mercado de capitais em 2012, mas só passei a investir regularmente no fim de 2019, depois de ter estudado muito. Invisto para minha previdência, já que não espero conseguir uma boa aposentadoria do estado, e optei pela renda variável por que os juros na renda fixa estão muito baixos no mundo todo e não acredito que vão subir”, disse.
Ele disse ainda que investe sem assessor por acreditar que há grande conflito de interesse entre as partes. “Fujo de analistas da internet, prefiro ler e decidir sozinho”. Ele aposta em setores como o bancário, de saúde, seguros e de energia elétrica.
SAIBA MAIS
No País, 2,9 milhões apostam na Bolsa
Crescimento
- Segundo levantamento da Bolsa de São Paulo, que concentra as operações de compra e venda de ações no País, entre 2019 e 2020, o número de investidores pessoa física subiu de 1,6 milhão para 2,9 milhões.
- No Espírito Santo, já são 61.415 pessoas investindo em ações.
Renda variável
- Ao contrário do que acontece nos títulos de renda fixa, que vão se valorizar conforme taxas pré-definidas, como os juros, a renda variável depende do comportamento do mercado de investimentos, que flutua conforme a possibilidade de valorização de empresas.
Bolsa de Valores
- A Bolsa de Valores funciona como um mercado de compra ou venda de ações ou títulos que equivalem a pequenas fatias do capital de uma empresa.
- Quando alguém compra uma ação se torna uma espécie de sócio da companhia, e pode perder ou ganhar dinheiro conforme os resultados da administração e a negociação de ações nas bolsas.
Investimento
- Não existe um valor mínimo para começar a investir em ações mas, assim como em qualquer tipo de investimento, quanto maior o valor aplicado, maior a possibilidade de retorno.
Fonte: Especialistas ouvidos.