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Economia

“Os sonhos devem ser as prioridades no orçamento”, diz especialista

Um novo ano se inicia e, com ele, as responsabilidades financeiras. Que tal organizar o orçamento tendo, como motivação, os sonhos? Essa é a proposta ...

Reinaldo Domingos tem 57 anos e é de Casa Branca, São Paulo

Última atualização

Um novo ano se inicia e, com ele, as responsabilidades financeiras. Que tal organizar o orçamento tendo, como motivação, os sonhos? Essa é a proposta do presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da Dsop Educação Financeira, Reinaldo Domingos.

O criador da metodologia Dsop — diagnosticar, sonhar, orçar e poupar — defende que os sonhos individuais e familiares devem ser as prioridades na montagem do orçamento para 2019.

A Tribuna — Como começar o ano bem organizado financeiramente?
Reinaldo Domingos — É simples. A primeira atitude a ser tomada para um ano no azul é entender em que situação se está hoje. Endividado, inadimplente, equilibrado ou investidor? É fundamental, porque todas as ações dependem de como estou hoje.

Se 2018 não foi um ano dos melhores, preciso saber exatamente como me adequar para 2019.

O que é preciso fazer?
Existe uma coisa fundamental para que as pessoas possam se movimentar e ter motivação suficiente para começar uma vida com diferente hábitos e comportamentos.

Já que a Educação Financeira é uma ciência humana, pois estamos lidando com pessoas, não se lida com números em um primeiro momento, então é preciso saber quais as expectativas, os sonhos e os objetivos da família.

É necessário ousar. Ousar significa sentar em uma reunião familiar, ter um bate-papo franco e se preparar para 2019. A conversa terá, como pauta principal, saber os desejos familiares para o próximo ano.

Essa provocação é necessária porque as pessoas geralmente não querem conversar, principalmente se o assunto for “olha, vamos sentar porque 2018 foi muito complicado e teremos de fazer uma porção de cortes de despesas para 2019”.

Se você falar assim com a família, ela não vai nem querer sentar. A família precisa ter um motivo efetivo de querer poupar. O que motivaria a família? Exatamente os sonhos de cada um. Para que todos estejam dentro, os sonhos funcionam como agente motivador.

Reinaldo Domingos tem 57 anos e é de Casa Branca, São Paulo (Foto: Divulgação)

Como organizar os sonhos?
É importante ter, com muita clareza, a estratégia da reunião. Quais são esses sonhos? Quanto eles custam? Temos o dinheiro para guardar ou não? Quanto vamos ter que guardar? E, em quanto tempo queremos realizá-los? Sair das dívidas em 2019 também é um sonho.

E aí vamos para uma outra parte, que é descobrir para onde está indo cada centavo. Chamamos isso de fazer diagnóstico financeiro. Hoje, 95% das famílias brasileiras gastam em excesso: energia, água, telefone, supermercado, padaria…

É necessário fazer esse diagnóstico e saber onde economizar para os sonhos. Não existe mudança de comportamento se não existir alguma coisa que eu queira mais do que aquilo que estou gastando.

Qual o próximo passo?
Montar o orçamento de 2019 é fundamental. O que é um orçamento financeiro? É o que eu ganho menos, o que eu gasto? Não. Precisamos pensar em uma mudança. O orçamento financeiro nada mais é do que uma ferramenta de análise. Ou seja, registro no papel o que eu ganho e o que eu gasto.

Para mudar esse modelo falido que o brasileiro adotou até então, quero propor um diferente: colocar os valores que quero guardar para os sonhos em primeiro lugar.

Ou seja, colocar logo abaixo do que recebo. Exemplo: recebi R$ 5 mil, já vou guardar R$ 1.000 para o meu sonho. Depois, registro as prestações pendentes e as despesas. Ou seja, as despesas não serão mais prioridades no meu orçamento. As prioridades serão esses sonhos, esses desejos.

E aí chegamos ao quarto passo, que é o ato de poupar. Vou pegar esse valor e aplicá-lo em algum lugar. Ou seja, vou “carimbar” esse dinheiro. Outro erro do brasileiro é guardar dinheiro sem “carimbá-lo”, sem identificar o porquê estou guardando. É necessário carimbar o dinheiro dos sonhos.

O segredo é já saber qual será o seu destino, e não “guardar por guardar”. Quando guardo com determinação, dificilmente esse dinheiro será desviado.

O brasileiro sonha pouco?
Sim. Pobre não é aquele que não tem dinheiro. Pobre é a pessoa que deixa de ter sonhos. Quando falo de sonhos, falo de propósitos de vida. Viemos ao mundo para sermos felizes. Não adianta pensar em guardar o seu dinheiro e achar que está tudo bem. Você tem um tempo limitado para curtir a vida.

Se só guardar dinheiro, você vai virar o Tio Patinhas, que nunca foi exemplo de Educação Financeira. Se não guardar dinheiro, você pode ir parar na miséria. O equilíbrio seria o melhor caminho entre o “ser” e o “ter”. As pessoas não são felizes quando só guardam. Aproveitar a vida é viver equilibrado.

No meu canal “Dinheiro à vista”, no YouTube, tenho trabalhado muito esse aspecto comportamental. Temos de ter a Educação Financeira nas grades curriculares, e isso será obrigatório a partir de 2019 e 2020. Isso vai ajudar as gerações futuras, porque as anteriores estão fadadas a problemas financeiros e isso é traumático, porque pessoas com problemas financeiros certamente vivem menos.

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