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O Pix superou o cartão de crédito e de débito no número de transações realizadas. O resultado foi divulgado pelo Banco Central.
Foi a primeira vez que a forma de pagamento se tornou líder entre os métodos mais utilizados. E o resultado diz respeito ao último trimestre do ano passado.
O marco atingido demonstra a grande aceitabilidade da população à modalidade de pagamento.
“O Pix facilitou demais porque não tem mais questão de horário como os antigos Docs e Teds. Raramente me pagam em dinheiro. Posso dizer que o Pix é 75% das vendas”, conta o autônomo Lucas Guerrine, que há dois anos vende doces e salgados.
Entre os motivos que explicam o sucesso da ferramenta estão todas as suas praticidades, que incluem a ausência de taxas, a disponibilidade fora do horário comercial e o fato de só necessitar memorizar a sua chave para receber valores.
“O Pix trouxe mais confiança tanto a quem vende quanto a quem compra. O dono de um negócio já vê o dinheiro caindo. Melhora o seu capital de giro. No balanço de coisas boas e ruins, não há dúvidas de que ele veio para ficar. Ele melhorou a performance da economia e trouxe mais liquidez a ela”, defendeu o economista Vaner Corrêa.
Apesar disso, com a popularização do método de pagamento, novos problemas e desafios também surgiram.
O serviço foi utilizado para diversos crimes, tanto para golpes em que criminosos se passavam por conhecidos para pedir transferências, quanto em assaltos a mão armada. Muitos assaltantes exigiam o dinheiro que as vítimas tinham em conta.
Outras desvantagens do Pix incluem o fato de não permitir fazer transações parceladas, não permitir o estorno caso tenha ocorrido algum equívoco no seu preenchimento. E principalmente, a dependência da internet para utilizar o serviço. Este último fator, dificulta a plena democratização do serviço.
“É mais uma ferramenta da desigualdade social. O Pix é um serviço da classe média. Em muitos lugares do interior do País ainda não tem internet e só faz Pix quem tem internet”, explica o economista Sebastião Demuner.