O Pix tem cada vez mais usuários e já supera o dinheiro e os cartões nos pagamentos, mas as fraudes preocupam. No Estado, todos os meses R$ 240 mil são roubados dos clientes com o uso do serviço.
São R$ 8 mil a cada hora e cerca de R$ 6 milhões por mês, calculou o diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Afenac), Roberto Vertamatti.
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Os dados usados no cálculo são do colunista José Casado, da revista Veja, que indica, em um só mês, ter havido um total de R$ 316 milhões em golpes em todo o País, o que, segundo ele, é um valor pequeno em proporção ao total movimentado no período — R$ 785 bilhões —, mas ainda assim é visto como uma ameaça ao sistema.
Entre abril e maio, aumentaram mais de 350% os golpes via Pix no País, com mais de 424 mil tentativas bloqueadas segundo a empresa de segurança digital Psafe. São diversas estratégias para as “trapaças digitais”. Assim é importante atenção redobrada dos usuários.
Vertamatti avalia que a ferramenta facilita a vida dos vigaristas. Ele recomenda não compartilhar com qualquer um as chaves Pix, já que são dados pessoais, como telefone, e-mail e até o número do CPF.
A fraude é cometida geralmente ludibriando a vítima e levando-a acreditar estar fazendo um pagamento devido. Os casos mais frequentes são de bandidos que mandam mensagens se passando por outra pessoa, por WhatsApp, pedindo dinheiro, segundo o especialista em Tecnologia da Informação Eduardo Pinheiro.
Ele explicou que não é preciso mais ir ao banco para abrir uma conta, pois o processo é digital. Isso permite que criminosos criem contas fantasmas para receber os valores: “É preciso partir da premissa de que é golpe e ligar para confirmar antes de qualquer transação.”
Ele recomenda proteger o celular que tem aplicativo de banco, digitalmente, com antivírus e backup, e também fisicamente, para não ter o aparelho roubado, sobretudo se ele estiver desbloqueado em mãos.
E, em caso de furto ou roubo do aparelho, fazer o bloqueio completo do mesmo, e rapidamente registrar ocorrência na polícia.
Prejuízos
Prejuízo de 5 mil reais com golpe
A aposentada Dolores Breda, de 56 anos, foi vítima de golpistas e teve prejuízo de R$ 5 mil, valor que recebe em dois meses, com o golpe do falso WhatsApp.
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A vítima lembra que os golpistas foram muito convincentes. “Um contato que já apareceu com o nome da minha irmã, mandou mensagem escrevendo com os mesmos termos que ela costuma utilizar, e pediu um transferência para pagar dois boletos, de quase R$ 3 mil. Horas depois, entrou em contato e mais dinheiro, dizendo que ia devolver no dia seguinte pela manhã”, conta.
“No outro dia, liguei para minha irmã e soube. Fiz o boletim, mas não consegui recuperar o dinheiro”.
Compra com comprovantes falsos
Uma jovem de 23 anos que não teve a identidade revelada pela polícia foi presa no dia 25 de maio, em Alegre, por suspeita de aplicar golpes que totalizam R$ 40 mil por simulação de pagamento via Pix em comércios da cidade, na região Sul do Estado.
A suspeita realizava compras em supermercado, lojas de celulares e autopeças com comprovante falso.
Desbloqueio e perda de 300 mil reais
Um empresário dono de uma clínica de emergência médica em Colatina teve um prejuízo de R$ 300 mil em fevereiro, após criminosos se passarem por funcionários de um banco solicitando o desbloqueio de um token (senha eletrônica). Após a ação, os criminosos conseguiram fazer o pagamento de Pix e boletos com todo o valor.
Segundo a Polícia Civil, na época, a suspeita era de que o sistema de segurança do banco tenha sido violado pelos criminosos, mas ninguém foi preso.
Desatenção aumenta os riscos
O delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil-ES, Breno Andrade, destaca que os golpes que mais têm feito vítimas no Estado com a utilização do Pix são o perfil falso de WhatsApp e o Instagram hackeado, em que invadem a conta verdadeira da pessoa, e em muitos casos anunciam produtos a venda com pagamento via Pix.
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“Falta um pouco de atenção das pessoas de observar essas situações e confirmar se é realmente a pessoa antes de fazer qualquer transferência”, afirma.
O delegado reforça que é importante registrar o boletim de ocorrência ao ser vítima de golpe, pelo portal Delegacia Online, no pc.es.gov.br/delegacia-on-line ou indo a uma delegacia. É importante ter prints (capturas de tela), com as mensagens e do comprovante de transferência.
Segundo ele, a Polícia Civil não possui dados referentes aos crimes envolvendo o Pix, já que são registrados de forma geral como estelionato.
Saiba Mais
Atenção ao celular
Não clique em links recebidos por e-mail, WhatsApp, nas redes sociais ou por mensagens de SMS que direcionam o usuário a um suposto cadastro da chave do Pix.
Oculte aplicativos bancários, coloque-os em uma parte oculta do aparelho ou em uma pasta segura.
Há quem ande com mais de um aparelho celular, sendo um deles sem aplicativos bancários, para situações em que há risco de roubo.
Reduzir o limite
Diminuir o limite financeiro de transferência via Pix também é uma estratégia. Essa função já está disponível nos aplicativos de bancos.
Outra dica é utilizar no dia a dia um aplicativo de banco secundário com um menor valor em sua conta corrente e um crédito baixo.
Cadastro com segurança
Cadastre chaves Pix só nos canais oficiais dos bancos, como o aplicativo bancário, internet banking ou agências. Após o cadastro, o código para confirmação da chave é enviado apenas por SMS ou e-mail.
Dados pessoais
Instituições financeiras não solicitam dados pessoais ativamente e bancos não fazem teste de Pix.
Cuidado com as mensagens de apelo recebidas por e-mail, SMS ou WhatsApp. É válido não responder.
Não lance seus dados pessoais em qualquer plataforma na internet.
Não deixe seus dados de cartão de crédito salvos em sites de compras e nem mesmo em sua conta Google.
Em caso de golpe
O especialista em Tecnologia da Informação Eduardo Pinheiro destaca que o Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), para que, em casos de fraude, elas sejam identificadas ativamente pelas próprias instituições envolvidas ou quando um usuário faz um Pix, mas logo em seguida se dá conta de que foi vítima de golpe.
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Nesse tipo de situação, é preciso registrar um boletim de ocorrência e avisar imediatamente a instituição pelo canal de atendimento oficial, como SAC ou Ouvidoria. No ambiente Pix nos aplicativos dos bancos, há um link direto para o canal a ser utilizado para registrar a reclamação.
Fonte: Fontes entrevistados e Banco Central.