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Homem mais rico do planeta, Elon Musk confirmou nesta segunda-feira, 25, a compra do Twitter, investimento de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 214 bilhões). A transação deverá ser concluída este ano, sujeita à aprovação dos acionistas do Twitter, ao recebimento das aprovações regulatórias aplicáveis, entre outras exigências.
A transação deve ser financiada por meio de empréstimos e dívidas, totalizando US$ 25,5 bilhões (R$ 124,44 bi). Além disso, Musk deve bancar US$ 21 bilhões (R$ 102,4 bi) do próprio bolso. Segundo a Reuters, é o maior negócio já realizado por uma única pessoa.
Aos 50 anos, ele tem patrimônio de US$ 273 bilhões (R$ 1,33 trilhões), é dono da empresa de exploração espacial SpaceX, que também investe em internet via satélite, e da fabricante de carros elétricos Tesla.
Mas quais motivos levaram o trilionário (se considerarmos sua fortuna em reais brasileiros) a dar tanto dinheiro por uma rede social? Segundo a BBC, Musk adora o Twitter, onde tem 83,9 milhões de seguidores. Ele tuíta às vezes de forma controversa ou catastrófica.
A liberdade de expressão é, segundo Musk, a principal bandeira, especialmente por conta de dúvidas sobre como a plataforma vai lidar com a restrição de contas e tuítes com discurso de ódio. Ele é crítico às moderações de conteúdo e citou a “garantia da livre circulação de ideias” como justificativa para fechar o capital da companhia.
Musk diz que quer ver o Twitter atingir seu “potencial extraordinário” e que não está interessado em ganhar dinheiro com isso — os multibilionários podem se dar ao luxo de ter prioridades diferentes.
Mas, como um negócio desses não é feito por quem não espera retorno, uma das possíveis mudanças é o modelo de negócios do Twitter, hoje baseado em anúncios. Musk se diz interessado em assinaturas pagas, o que pode ser difícil de vender num ambiente onde as principais redes sociais são gratuitas.
A ideia é permitir que os usuários do Twitter possam decidir se preferem que seus dados não sejam usados para anúncios em troca de uma taxa, o que é só uma aposta.
Ele poderia usar a rede para incentivar pagamentos em moedas voláteis e desprotegidas, como o Bitcoin. E há o próprio Musk, carismático e sem filtros — o que pode torná-lo bastante imprevisível.
Casa Branca preocupada
O bilionário Elon Musk tornou-se o assunto mais comentado no Twitter nesta segunda-feira, 25. Usuários da rede social repercutiram a notícia com preocupação, comemorações e memes sobre as intenções do bilionário com a aquisição.
Há expectativa sobre como Musk irá lidar com a conta banida do ex-presidente dos EUA Donald Trump, expulso da plataforma no ano passado após “incitar violência entre seus apoiadores”.
Trump, porém, afirmou que não voltará ao Twitter mesmo que seu perfil seja desbloqueado, indicando que deve permanecer em sua própria rede social, a Truth Social.
A Casa Branca não se posicionou sobre a transação, mas afirmou nesta segunda que o presidente Joe Biden há muito se preocupa com o poder das redes sociais.
“Nossas preocupações não são novas”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) também comentou a compra da rede. O brasileiro retuitou uma postagem de Musk, em que o bilionário diz que espera que até seus piores críticos continuem na rede após o negócio “porque isso é o que liberdade de expressão significa”.
Depois, Bolsonaro elogiou como “boa matéria” uma reportagem sobre como desativar a conta, para quem desejar sair após o anúncio da venda da rede para Musk.
Perfis mais à direita comemoram compra
Outros perfis à direita do espectro político também reagiram com otimismo ao negócio. O deputado federal Carlos Jordy (PL), por exemplo, comemorou a aquisição e pediu o retorno de Trump à rede. O empresário catarinense Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, também se manifestou, elogiando a postura de Elon Musk. Além disso, usuários comemoraram um possível relaxamento nas normas de moderação da rede.
Mais cedo, a tag “RIP Twitter” (descanse em paz, Twitter) também chegou aos assuntos mais comentados.