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Economia

Preço da gasolina, balança comercial e inflação: o que dizem os especialistas sobre o conflito EUA X Irã

Um ataque autorizado por pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, matou o líder militar iraniano Qassem Soleimani em um aeroporto de Bagdá, ...

Durval Vieira de Freitas é coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes.

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Um ataque autorizado por pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, matou o líder militar iraniano Qassem Soleimani em um aeroporto de Bagdá, capital do Iraque. Soleimani era considerado um herói nacional e chefe da Guarda Revolucionária do Irã. O conflito no Oriente Médio pode trazer consequências para o bolso dos brasileiros.

Ao longo do dia, os preços do barril de petróleo saltaram para seu maior nível em mais de três meses, o dólar teve leve alta e a Bolsa de Valores fechou em queda após recorde histórico de 118 pontos no primeiro pregão do ano.

Mas, por enquanto, uma disparada no valor da gasolina, por exemplo, está descartada por especialistas.

“A alta de hoje no barril do petróleo está na sequência do atentado contra a refinaria da Arábia Saudita e da invasão da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá. Não acredito em disparada e não há motivo para elevação do preço da gasolina acima de R$ 5. O que há é um movimento especulativo”, afirmou o professor de Economia nos MBAs da Fundação Getúclio Vargas, Robson Gonçalves.

Professor de relações internacionais da UVV Helvécio de Jesus destacou que o preço do barril do petróleo está muito mais ligado à produção na Arábia Saudita. “Não acredito em disparada nos preços”, descartou.

Já André Motta, especialista em investimentos e sócio da Valor Investimentos, disse que há chances de a gasolina subir de R$ 5 o litro caso o confronto se intensifique no Oriente Médio. “O petróleo hoje sobe mais de 3% no mercado internacional e o dólar se valoriza 0,82% perante o real, caso as tensões cresçam e o confronto ameace o abastecimento do petróleo da região, podemos ter novas altas. A Petrobras seria forçada a repassar estes aumentos, no entanto isto pode ser pontual, de curto prazo e um novo patamar de preço definitivo”, analisou.

Durval Vieira de Freitas é coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes. (Foto: Adriano Horta/Arquivo AT)Coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes, Durval Vieira de Freitas, apontou que o momento é de cautela. “A questão do ataque é, sem dúvida, um assunto delicado, que não podemos ainda avaliar as consequências, temos que ter cautela. Esse cenário provavelmente deve afetar o preço da gasolina, mas não na mesma proporção do preço do barril do petróleo. Para o consumidor final, outras variáveis estão em jogo. A Petrobras deve ter cautela. O Brasil tem hoje estabilidade econômica e política, temos condições de analisar as coisas com calma”.

Durval destacou que o momento de uma possível crise no oriente Médio reforça a necessidade de investimentos do Estado no refino do petróleo. “O Brasil hoje é autossuficiente na produção, mas importamos combustível refinado. Temos que trabalhar para ter refinaria aqui no Estado, para gasolina e óleo, se possível”.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Espírito Santo (Sindipostos-ES) informou, por nota, que “qualquer impacto nos preços aos consumidores em função dos fatos ocorridos no Oriente Médio dependerão da política do Governo Federal e da Petrobras e de como estas decisões se comportarão ao longo da cadeia, até os postos de combustíveis”.

Balança comercial

As tradições diplomáticas brasileiras quase sempre foram neutras quando se trata de assuntos dessa natureza. Mantendo-se assim, o País evita entrar em um cenário desfavorável para sua balança comercial.

Os países árabes são grandes importadores de produtos brasileiros e o presidente Jair Bolsonaro fez um tour pelo Oriente Médio no ano passado. “Uma posição mais cautelosa como a que está sendo adotada por alguns países europeus é o mais adequado”, destacou o professor Robson Gonçalves.

Motta, por sua vez, disse que tudo vai depender da intensidade do que está por vir. “Uma escalada de grandes proporções colocando em lados opostos China e Rússia versus Estados Unidos poderia sim nos impactar, mas ainda estamos muito longe disto”, ponderou.

O professor Helvécio de Jesus analisou o ataque dos Estados Unidos como um ato de neutralização de um inimigo daquele país. “Não há nenhum conflito oficial, o que houve foi a neutralização de um indivíduo ligado ao terrorismo internacional. O regime iraniano, uma ditadura teocrática, claramente financiava grupos terroristas que promoveram atentados, como contra a embaixada dos EUA”.

Inflação
Com um cenário de otimismo interno pela retomada do crescimento econômico, a inflação brasileira não deve sofrer grandes impactos caso o cenário no Oriente Médio não caminhe para uma escalada de tensões. O Irã decretou luto oficial de três dias e analistas internacionais acreditam que nenhuma ação contra os Estados Unidos seja deflagrada nesse intervalo.

“Para haver pressão inflacionária, teria que voltar uma crise, ter um retrocesso econômico. O que, neste momento, não parece ser o caso”, destacou Helvécio de Jesus.

O professor da FGV, por sua vez, lembrou que por conta da matriz de transporte brasileira ser muito dependente do transporte rodoviário e do diesel, é possível que haja um aumento generalizado de preços momentâneo. “Mas o Banco Central não vai se preocupar com a inflação em 4 pontos agora, a meta é pro ano fechado. Pode ser que haja algum desvio acima desse percentual. O comportamento do BC, porém, deve mirar nos efeitos de longo prazo e não nos imediatos”.

O especialista em investimentos André Motta acredita que a inflação tende a sofrer um choque pontual com os impactos no preço dos combustíveis, porém nada que a leve para fora da meta estabelecida para 2020. “O repasse para itens básicos tende a ser mínimo, podemos ver uma alta momentânea, porém com os preços se acomodando mais a frente”.

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